Triumph Of Death, projeto de Tom Warrior, resgata ao vivo parte do passado do Hellhammer
Resenha - Ressurection Of The Flesh - Triumph Of Death
Por Mário Pescada
Postado em 29 de fevereiro de 2024
Nota: 9 ![]()
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Como um grande fã do HELLHAMMER que sou, já vou avisando que nessa resenha o coração pode ter falado mais alto do que a razão.
Para muitos, incluindo aí revistas/zines da época, o HELLHAMMER era tido como um grupo muito limitado musicalmente, tosco mesmo. Não deixa de ser verdade, afinal, o trio não era formado por exímios músicos e sua música era tão rudimentar que alguns tratavam a banda como uma piada. Mas, foi justamente sua música suja, intensa e mórbida que, sem querer, daria forma a muito do que conhecemos hoje como música extrema.
Formado por garotos suíços, em apenas dois anos de existência o HELLHAMMER lançou três demos, um EP 12" e participou de uma compilação chamada "Death Metal" (com RUNNING WILD, HELLOWEEN e DARK AVENGER, o que mostra que o termo "death metal" ainda estava em construção). Pouco material, mas de uma intensidade enorme, já que suas músicas de poucos acordes e letras sinistras teriam uma influência enorme sobre o thrash, death, doom e black metal e até mesmo no que viria a ser o d-beat/metal punk.
OK, história devidamente revisitada, mas afinal de contas, onde é que entra o TRIUMPH OF DEATH nisso tudo? Resposta: como um grupo criado para ser um tributo ao vivo do HELLHAMMER, tocando, inclusive, músicas que o próprio HELLHAMMER não chegou a executar quando ativo. Essa ideia de revisitar o passado já vinha sendo pensada por Tom Warrior ("Satanic Slaughter") e Martin E. Ain ("Slayed Necros") desde 2014, mas as coisas foram se arrastando e acabou que, em 2017, Ain faleceu. Mais alguns anos parado e o TRIUMPH OF DEATH só foi sair do papel em 2019...

Talvez você que esteja lendo essa resenha possa ter visto o TRIUMPH OF DEATH como um caça-níquel para ganhar em cima do HELLHAMMER, mas eu discordo. Não à toa, há o encarte uma frase de 2019 onde Warrior diz que "o HELLHAMMER nunca voltará e nunca será reformado. É absolutamente impossível reformar uma banda tão intimamente ligada a um período de tempo muito específico e único. Mas, a música de HELLHAMMER existe, e é uma parte extremamente importante da minha vida. E eu gostaria de tocá-la no palco antes da minha morte". Só de saber que não pretendem tentar criar NADA usando o nome HELLHAMMER eu já me tranquilizo, e olha que durante muitos anos, a dupla Warrior/Ain recebeu inúmeras propostas bem vantajo$a$ para ressuscitar o grupo.
"Resurrection Of The Flesh" (2023) é então uma homenagem ao vivo das músicas do HELLHAMMER (exceto "Visions Of Mortality", lançada pelo CELTIC FROST) tocadas décadas depois, por ótimos músicos, com muita disposição e com aquela aura negra característica do grupo. A gravação é excelente, é imperceptível quaisquer diferenças entre as faixas, apesar de terem sido compiladas durante apresentações do grupo nos festivais "Hell’s Heroes Festival" (EUA), "Dark Easter Metal Meeting" (Alemanha) e no "SWR Barroselas Metal Fest" (Portugal), todos ocorridos em 2023 (mesmo ano em que o grupo esteve no Brasil se apresentando no importantíssimo "Setembro Negro Festival", onde tocou o mesmo setlist do CD). Um trabalho pra lá de caprichado da dupla Warrior/V. Santura, que também são parceiros no TRIPTYKON.
A parte artística também ficou sob controle de Warrior, que usou para a capa um desenho criado pelo italiano Daniele Valeriani (CANDLEMASS, DARK FUNERAL, MAYHEM, TRIPTYKON). O encarte possui fotos muito boas, uma ficha técnica bem detalhada e uma concisa história do HELLHAMMER.
Aparentemente esse será o único disco lançado pelo TRIUMPH OF DEATH, apesar de que há espaço para mais sons do HELLHAMMER ao vivo. Vamos aguardar as decisões de Warrior, agora único dono do espólio desse seminal grupo, mas eu preferiria que o grupo parasse aqui, afinal, há obras que são únicas, sobre risco de terem sua história manchada.
"Resurrection Of The Flesh" (2023) foi lançado no Brasil pela Shinigami Records sob licença da Noise/BMG.
UGH!
Formação:
Tom Gabriel "Warrior": vocal, guitarra
André Mathieu: guitarra
Jamie Lee Cussigh: baixo
Tim Iso Wey: bateria
Faixas:
01 The Third Of The Storms (Evoked Damnation) ("Apocalyptic Raids" EP, 1984)
02 Massacra ("Apocalyptic Raids" EP, 1984)
03 Maniac ("Death Fiend" demo, 1983)
04 Blood Insanity ("Triumph Of Death" demo, 1983)
05 Decapitator ("Triumph Of Death" demo, 1983)
06 Crucifixion ("Triumph Of Death" demo, 1983)
07 Reaper ("Satanic Rites" demo, 1983)
08 Horus/Aggressor ("Apocalyptic Raids" EP, 1984)
09 Revelations Of Doom ("Satanic Rites" demo, 1983)
10 Messiah ("Satanic Rites" demo, 1983)
11 Visions Of Mortality ("Morbid Tales" EP, 1984)
12 Triumph Of Death ("Triumph Of Death" demo, 1983)
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