A falsa história de crime que tirou uma das músicas do Slipknot de circulação
Por Bruce William
Postado em 07 de junho de 2026
Quando o Slipknot lançou seu primeiro álbum por uma grande gravadora, em 1999, a banda já parecia feita para causar estranhamento. Máscaras, números, percussões adicionais, guitarras pesadas, scratches, bateria acelerada e a voz de Corey Taylor entre o grito e a narração paranoica criavam um ambiente bem diferente do metal mais tradicional. No meio daquele disco, "Purity" se destacava como uma das faixas mais sufocantes.
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A música nasceu ligada a uma história que Taylor havia encontrado na internet sobre uma jovem chamada Purity Knight. O site (Crimescene.com) apresentava o caso com aparência de material policial, documentos e registros, mas tudo fazia parte de uma narrativa fictícia. O detalhe é que, nos primeiros anos da internet, a fronteira entre encenação, arquivo real e boato era bem mais confusa para muita gente. Taylor acreditou que havia se deparado com algo verdadeiro.
A partir daquela impressão, ele levou para "Purity" uma sensação de medo, isolamento e desespero. A música vinha acompanhada originalmente por "Frail Limb Nursery", uma introdução que usava trechos de áudio ligados ao mesmo site. Aí começou o problema. Conforme relata a Louder, pouco depois do lançamento do álbum, o Slipknot foi alvo de uma alegação de violação de direitos autorais, e as duas faixas acabaram sendo retiradas das prensagens seguintes. O álbum foi relançado ainda em 1999 com "Me Inside" no lugar de "Purity" e "Frail Limb Nursery".
A situação foi especialmente estranha para Taylor, que ainda era jovem e se viu tendo de lidar com uma questão jurídica envolvendo uma história que ele nem sabia ser ficcional. Anos depois, ele lembraria o espanto de ter que falar com um juiz por telefone, sem entender direito como se comportar naquele tipo de situação. O caso não derrubou o Slipknot, claro, mas fez com que "Purity" desaparecesse das versões comuns do álbum durante anos.
Com o tempo, a música ganhou uma aura própria entre os fãs. Parte disso vem justamente da ausência. Enquanto o disco de estreia seguia vendendo e consolidando o Slipknot como uma das bandas mais importantes do metal extremo popularizado no fim dos anos 90, "Purity" ficava meio escondida, cercada por explicações truncadas, cópias antigas e lembranças de quem conhecia a primeira versão.
"Frail Limb Nursery" nunca voltou a ser incluída oficialmente nas reedições do álbum, por causa dos samples, mas "Purity" acabou reaparecendo, lembra The PRP. A faixa foi incluída em "Disasterpieces", apareceu em versões ao vivo e voltou na edição de 10 anos do álbum "Slipknot", lançada em 2009. Esse retorno ajudou a recolocar a música dentro da história oficial da banda, depois de quase uma década de circulação irregular.
Taylor também passou a tratar a inspiração da música de forma mais ampla. Conforme publicado na Far Out, em vez de prender "Purity" ao caso fictício da internet, ele citou filmes de horror psicológico como O Colecionador, de 1965, e Encaixotando Helena, de 1993, como referências para aquele clima de aprisionamento e obsessão. Isso ajuda a tirar a música do campo da curiosidade mórbida e recolocá-la no território em que o Slipknot sempre funcionou melhor: transformar medo, raiva e desconforto em som físico.
No disco de 1999, "Purity" mostrava uma faceta que o Slipknot exploraria muitas vezes depois. Não era apenas violência sonora. Havia teatro, tensão, narrativa e uma sensação de claustrofobia que combinava com a estética da banda naquele momento. A falsa história da internet quase enterrou a faixa por anos, mas também ajudou a criar uma lenda em torno dela. No fim, "Purity" sobreviveu ao próprio boato que a inspirou e voltou ao catálogo como uma das músicas mais lembradas daquela fase inicial.
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