O disco do System of a Down que Tom Morello chamou de "música de maluco"
Por Bruce William
Postado em 07 de junho de 2026
Tom Morello apareceu no estúdio enquanto o System of a Down gravava "Toxicity" e encontrou uma banda que parecia funcionar em uma lógica própria. Não era só peso, nem apenas rapidez, nem aquele nu metal mais previsível que dominava parte do começo dos anos 2000. As músicas mudavam de direção sem aviso, misturavam humor absurdo, política, melodia armênia, gritos, riffs secos e trechos que pareciam vindos de outra banda dentro da mesma faixa.
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A reação dele foi curta e perfeita para a situação: "Isso é música de maluco". A frase, lembrada em reportagem da Metal Hammer publicada pela Louder, não era uma ofensa. Era quase uma constatação diante de um disco que, mesmo depois de pronto, continuaria difícil de encaixar em qualquer gaveta confortável.
"Toxicity" foi lançado em 4 de setembro de 2001, três anos depois do álbum de estreia do System of a Down. A banda já vinha crescendo na cena de Los Angeles, mas o segundo disco levou tudo para outra escala. O álbum estreou em primeiro lugar na parada americana da Billboard, algo improvável para um grupo que abria o disco com "Prison Song", uma crítica ao sistema prisional dos Estados Unidos.
O material havia sido gravado em um clima intenso. A banda entrou no Cello Studios, em Hollywood, com Rick Rubin novamente envolvido na produção, e tinha mais de 40 músicas para escolher. Daron Malakian prometia várias camadas de guitarra em cada faixa, enquanto Serj Tankian alternava canto, grito, fala, ironia e frases que nem sempre se entregavam na primeira escuta.
Essa sensação de excesso era parte do método. "Needles", por exemplo, quase virou uma crise interna por causa de uma palavra na letra. Rick Rubin chegou a dizer que sentiu que a banda poderia acabar por causa daquela discussão. Em outro momento, Daron e John Dolmayan brigaram fisicamente, foram parar no hospital e depois ficaram rindo lado a lado enquanto levavam pontos.
Nesse contexto, a frase de Morello ganha ainda mais sentido. Ele não estava diante de uma banda tentando parecer diferente de forma proposital. O System realmente parecia empilhar ideias até o limite: "Chop Suey!" mudava de clima como se fosse várias músicas comprimidas; "Toxicity" transformava Los Angeles em uma imagem doente e vibrante; "Aerials" fechava o álbum em tom quase ritualístico; e "Prison Song" começava o disco com uma denúncia direta, mas musicalmente quebrada em várias partes.
O curioso é que toda essa estranheza não impediu o álbum de se tornar enorme. Pelo contrário. "Toxicity" fez o System of a Down sair da condição de banda esquisita cultuada por meia dúzia para virar uma força popular dentro do rock pesado. A própria Pitchfork, ao revisar o disco anos depois, destacou como ele prosperou apesar de uma indústria inclinada a fórmulas pop mais simples, justamente por combinar peso, crítica política e humor absurdo de um jeito pouco comum.
A definição de Tom Morello talvez funcione porque não tenta arrumar demais o que o SOAD fazia. "Toxicity" é um disco político, pesado, melódico, caótico, engraçado, sombrio e às vezes quase cartunesco - tudo ao mesmo tempo. Chamar aquilo de "música de maluco" era um jeito simples de reconhecer que, ali, a bagunça tinha método. E, para muita gente, foi justamente essa loucura organizada que fez o álbum sobreviver tão bem.
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