A música do Genesis que Tony Banks sabia que os fãs iriam detestar
Por Bruce William
Postado em 07 de junho de 2026
O Genesis chegou aos anos 80 carregando uma história que já tinha passado por várias mudanças. A banda que havia feito discos longos e cheios de narrativas na fase com Peter Gabriel virou outra coisa aos poucos, especialmente depois que Phil Collins assumiu os vocais. Ainda havia ambição musical, mas o grupo também passou a trabalhar com estruturas mais curtas, timbres diferentes e um interesse maior por canções que pudessem circular fora do público tradicional.
Genesis - Mais Novidades
"Abacab", lançado em 1981, faz parte dessa virada. O disco não abandona totalmente o lado mais elaborado do Genesis, mas deixa claro que Tony Banks, Mike Rutherford e Phil Collins estavam dispostos a mexer na fórmula. Para quem esperava uma continuação mais confortável da fase anterior, algumas escolhas soaram quase como provocação.
A faixa que mais simboliza esse lado estranho do álbum é "Who Dunnit?". A música é repetitiva, debochada, cheia de sons eletrônicos e com Collins cantando de um jeito quase caricatural. Não parece buscar beleza, atmosfera ou aquela construção musical mais associada ao Genesis clássico. Ela entra mais como uma peça de humor torto dentro de um álbum que já tentava escapar de expectativas.
Tony Banks falou sobre a música em entrevista à Vulture (via Far Out e reconheceu que a reação negativa não pegou a banda de surpresa. "A maior parte do nosso público simplesmente odiou. Mas nós nos divertimos bastante com ela", disse o tecladista. Ele também explicou que a base nasceu de um Prophet-5, sintetizador que ele "abusou" para criar aquele som de apoio. Depois de ouvir aquilo tantas vezes, Mike Rutherford e Phil Collins acabaram entrando na brincadeira.
Banks também disse que eles sabiam que a faixa causaria controvérsia. Segundo ele, Collins escreveu uma letra ridícula e repetitiva para acompanhar a base, o que fazia parte da proposta. O problema é que a piada interna da banda nem sempre encontra boa vontade do lado de fora. Para muitos fãs, "Who Dunnit?" não parecia uma ousadia divertida, mas um desperdício de espaço em um disco importante.
O próprio Banks admitiu que a música não se encaixa necessariamente na ideia que muita gente tem do Genesis. "Eu realmente gosto dela e ainda gosto, mas é uma música controversa porque não combina necessariamente com a ideia de Genesis", afirmou. Ele disse que a banda costumava variar entre beleza, atmosfera e algum grau de realização musical, mas "Who Dunnit?" não tinha nada disso, exceto a capacidade de fazer o ouvinte prestar atenção.
Essa última observação talvez explique melhor a existência da faixa. "Who Dunnit?" não tenta ser "Firth of Fifth", "Supper's Ready" ou "The Cinema Show". Também não tenta ser um single pop sofisticado como o Genesis faria com mais frequência nos anos seguintes. Ela parece uma faixa feita para quebrar a expectativa, quase como se a banda quisesse lembrar que ainda podia irritar o próprio público.
Com o tempo, a música continuou dividindo opiniões, embora "dividindo" talvez seja generoso: muita gente simplesmente detesta. Ainda assim, ela registra um momento em que o Genesis preferiu colocar no disco uma ideia incômoda, repetitiva e meio absurda, em vez de aparar tudo para agradar quem já tinha uma imagem pronta da banda.
No catálogo do Genesis, "Who Dunnit?" provavelmente nunca será defendida como uma grande composição. Mas talvez seja justamente por isso que ela continue sendo lembrada. Ela mostra um lado menos solene do grupo, uma vontade de brincar com o desconforto e, principalmente, a coragem de lançar uma faixa sabendo que parte dos fãs reagiria como se alguém tivesse derrubado café no teclado de Tony Banks.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Black Sabbath relança seus dois primeiros álbuns em fitas de rolo
O disco de metal extremo que é um dos preferidos de Rob Halford
A canção barra pesada demais para as lojas que os Rolling Stones decidiram bancar
Astros do rock e metal unem forças em tributo ao Deep Purple
Álbum ao vivo de Scott Weiland será lançado no mês de outubro
Molly Hatchet anuncia "Lost Horizon", primeiro álbum de estúdio em uma década e meia
5 músicas de metal em que os últimos segundos são a melhor parte
Bruce Dickinson relembra a luta de Nicko McBrain para tocar com o Iron Maiden após sofrer derrame
Membros do Green Day respondem quem inspirou o clássico "American Idiot"
Ringo Starr reflete se ele tocava melhor nas composições de John Lennon ou de Paul McCartney
Tears for Fears anuncia reedição deluxe do álbum "The Seeds of Love"
Os 20 piores discos da história do rock and roll, segundo a Classic Rock
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide
O melhor baterista de todos os tempos, segundo David Gilmour do Pink Floyd
As três músicas que resumem as três diferentes fases do Pink Floyd

O baterista amigão que Phil Collins admite ser tecnicamente muito superior a ele
A opinião nada carinhosa de Ian Anderson sobre uma banda clássica do progressivo setentista
O clássico do Genesis que Phil Collins não quis mais cantar por não entender a letra
O hit do Genesis que Tony Banks deixou guardado para agradar o público dos EUA
Phil Collins revela qual trabalho considera o melhor de sua carreira solo
A música do Genesis que Steve Hackett prefere na versão ao vivo
Classic Rock: os 50 maiores álbuns de rock progressivo


