Novo disco "Imperialismo", do Manger Cadavre?, mantém a pegada vibrante e agrada
Resenha - Imperialismo - Manger Cadavre?
Por Mário Pescada
Postado em 25 de abril de 2023
Nota: 8 ![]()
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"As contradições do capitalismo levaram o sistema a sua etapa superior, o Imperialismo".
Direto ao ponto, foi assim que o MANGER CADAVRE?, grupo de metalpunk/crust de São José dos Campos/SP, anunciou o lançamento do seu novo disco, "Imperialismo" (2023).

Mantida a mesma pegada musical do lançamento anterior, o ótimo "Decomposição" (2021), cada vez mais a banda segue ancorada nos riffs da guitarra de Paulo Alexandre, aluno da escola de grupos como TOXIC HOLOCAUST, MIDNIGHT, ARMA e afins.
A gravação do disco também obedeceu ao que foi (bem) feito antes: novamente, sob a tutela de Otávio Rosato, Luiz Sangiorgio e David Menezes, ele foi gravado, produzido e mixado no mesmo local (o Family Mob Studios, em São Paulo, em junho de 2022). Diferente mesmo é a menos chamativa, porém, mais impactante capa que a anterior, obra de Rafael Bueno.
A banda já vinha apresentando algumas faixas de "Imperialismo" (2023) ao vivo durante a divulgação de "Decomposição" (2021). Pude ver o grupo em uma dessas apresentações, no festival Metalpunk Overkill em Belo Horizonte. Pelos discursos de Nata Nachthexen antes da execução das músicas, dava para sentir o tom que o novo material tomaria.
É nas letras o ponto mais diferente o novo registro. Se em "Decomposição" (2021) as letras tinham um caráter mais pessoal e existencialista, abordando dilemas e conflitos vividos, as letras de "Imperialismo" (2023) abordam o tema não pela forma mais reconhecida da palavra, a de domínio territorial hostil, mas pela ótica do "soft power", prática muito eficiente de dominação econômica, cultural e social sutil, sem tiros e sujeira – haja visto o sucesso secular dos "demônios do norte".
Ora de forma direta, ora mais sutil, elas abordam temas que qualquer povo da América Latina convive desde sua colonização até os dias de hoje: a exploração das suas riquezas, a pobreza perpetuada, o controle, a dominação e o conformismo da massa. Como dito na faixa "Iconoclastas": "Nós não vivemos / Somos vividos / Não escolhemos / Somos induzidos / Não vivemos / Somos vividos".
A maior surpresa vai para a última faixa, "Tormenta", que ganhou duas versões: uma com os vocais crust de Nata Nachthexen e outra na voz clara e forte de Suyanne Gabrielle, do duo de stoner/doom BUZZARD, de Brusque/SC.
"Imperialismo" (2023) já pode ser ouvido nas plataformas digitais, adquirido fisicamente em lojas ou diretamente com a banda, através do e-mail [email protected]
Faixas:
01 Imperialismo
02 Encarceramento E Morte
03 Iconoclastas
04 Peregrinos
05 Enfermos
06 Tormenta
07 Tormenta feat Suyanne Gabrielle (BUZZARD)
Formação:
Nata Nachthexen: vocal
Paulo Alexandre: guitarra
Marcelo Kruszynski: bateria
Bruno Henrique: baixo
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