O álbum do rock nacional que Rick Bonadio se recusou a lançar - e até quebrou o CD
Por Gustavo Maiato
Postado em 21 de dezembro de 2025
Antes de "Um Minuto Para o Fim do Mundo" virar a música que colocou o CPM 22 de vez no "mainstream" (com hits, clipes caros e rádio tocando em looping), existiu um outro caminho para o terceiro álbum - "Felicidade Instantânea – bem mais melancólico, mais pesado e, ao que tudo indica, longe do que o produtor Rick Bonadio imaginava para a banda naquele momento. Quem contou a história foi Japinha, em entrevista ao Dona Mara, ao relembrar o período em que o grupo ainda tentava entender "como seria o terceiro" depois de uma fase de enorme crescimento.

Segundo o baterista, o CPM 22 chegou a mostrar para Bonadio um lote de 10 a 12 músicas que já desenhava a cara do próximo trabalho, com composições "mais densas, mais melancólicas", e letras que refletiam um momento emocional complicado do grupo. Ele cita que havia faixas "bem down", lembrando inclusive uma chamada "Crise de Existência", além de outras nessa mesma pegada.
A reação do produtor, de acordo com Japinha, foi direta - e baseada no perfil do público da banda na época. "Man, não dá pra trabalhar isso aqui. Quero vocês felizes… o público de vocês é skatista, é surfista, é da praia, é mina da faculdade", teria dito Bonadio. Na sequência, veio a recusa: "Não tem como trabalhar, não vou lançar… não vou lançar essa porra", relembrou Japinha, descrevendo que o clima virou "queda de braço" entre verdade artística e viabilidade comercial.
CPM 22, Japinha e Rick Bonadio
A lembrança mais forte, porém, é a cena que virou quase folclore entre fãs: Japinha afirma que o produtor teria quebrado o CD com as demos durante a discussão e gritado: "Não vou lançar essa porra". E ainda teria reforçado: "Eu que vou assinar a produção, não vou assinar". Para a banda, foi o tipo de "freio de arrasto" que obrigou todo mundo a voltar pra casa e repensar o repertório do zero - não necessariamente por desistir da ideia, mas porque o disco, daquele jeito, simplesmente não sairia.
Foi aí que, segundo Japinha, o CPM 22 entrou numa espécie de segunda safra criativa: "Começa rachar a cabeça pra achar músicas novas… pegamos as antigas", até chegar nas canções que acabaram definindo o álbum que o público conhece. Ele lista como parte desse "novo pacote" justamente "Um Minuto Para o Fim do Mundo", "Irreversível" e "Apostas e Certezas" - músicas que, na visão dele, tinham a cara certa para rádio e ajudaram a sedimentar o trabalho, ainda que a banda também gostasse das faixas mais sombrias que tinham ficado pelo caminho.
No relato, Japinha não trata a história como "vilão vs. mocinhos". Pelo contrário: ele reconhece que Bonadio tinha uma leitura pragmática do mercado e da fase do CPM 22. "Eu atribuo muito o sucesso… à mão do Rick", diz, ressaltando que, apesar de ele próprio gostar das músicas mais densas, havia ali uma estratégia: "É preciso uma coisa que alegre as pessoas, que faça as pessoas quererem comprar o disco, que toque bastante na rádio".
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