Matérias Mais Lidas

imagemO reencontro entre Steve Harris e Paul Di'Anno na Croácia

imagemA fundamental diferença entre Paulo Ricardo e Schiavon que levou RPM ao fim

imagemSystem of a Down: por que Serj Tankian não joga mais nenhum vídeo game?

imagemDee Snider cutuca bandas com falsas aposentadorias e ingressos caros

imagemMetade das pessoas com menos de 23 anos desconhecem Pink Floyd, David Bowie e Bon Jovi

imagemOzzy Osbourne diz que "tinha muito o que provar" com "No More Tears"

imagemAdrian Smith conta como Iron Maiden permaneceu forte e era grunge passou

imagemNicko McBrain, do Iron Maiden, mostra o seu novo (e enorme) kit de bateria

imagemRoger Daltrey revela a música "amaldiçoada" que o The Who não toca mais ao vivo

imagemEddie aparece em versão samurai no primeiro show do Iron Maiden em 2022; veja foto

imagemO clássico do Helloween que fez Angra mudar nome original de "Running Alone"

imagemJen Majura disse que sair do Evanescence não foi decisão dela e recebe apoio dos fãs

imagemSentado em cadeira de rodas, Paul Di'Anno faz primeiro show em sete anos

imagemAngra: Quantos shows seguidos a voz aguenta sem restrições? Fabio Lione responde

imagemConfira as músicas que o Iron Maiden tocou no primeiro show de 2022


AC/DC: novo álbum "Power Up" é boa homenagem a Malcolm Young; leia resenha

Resenha - Power Up - AC/DC

Por Igor Miranda
Em 11/11/20

O AC/DC passou por poucas e boas até chegar a 'Power Up', álbum que será lançado nesta sexta-feira (13) pela Sony Music (que disponibilizou o promo oficial para esta resenha). A banda esteve perto de acabar, mas um verdadeiro alinhamento de estrelas fez com que esses caras se juntassem para homenagear o saudoso guitarrista Malcolm Young.

O vocalista Brian Johnson, o baterista Phil Rudd e o baixista Cliff Williams voltaram a fazer parte da banda ao lado dos guitarristas Angus Young e Stevie Young. A única ausência da formação que seguiu com o AC/DC por décadas é a de Malcolm Young, que foi afastado do grupo em 2014 devido a seu diagnóstico de demência e faleceu em 2017. A solução foi caseira: Stevie, sobrinho de Angus e Malcolm, ocupou a vaga.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Brian Johnson ficou afastado de parte da turnê do álbum ‘Rock or Bust’ por problemas auditivos e substituído por Axl Rose. Já Phil Rudd esteve fora de toda a tour para prestar contas à Justiça em meio a acusações de porte de drogas e ter planejado um assassinato. Cliff Williams, por sua vez, fez todos os shows de divulgação de 'Rock or Bust', mas anunciou que iria se aposentar após a última apresentação - ele, claro, acabou voltando atrás ao ver que os amigos haviam retornado.

Em entrevistas, os integrantes do AC/DC têm deixado claro que 'Power Up' é como uma homenagem a Malcolm Young. "Este álbum é basicamente dedicado a Malcolm, meu irmão. É uma homenagem a ele como 'Back in Black’ foi uma homenagem a Bon Scott", afirmou Angus à revista 'Rolling Stone'.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

imagemAC/DC: retorno da banda começou a ser planejado no funeral de Malcolm

O álbum foi produzido por Brendan O'Brien, que também trabalhou em 'Black Ice' (2008) e 'Rock or Bust' (2014), e gravado nos estúdios Warehouse, no Canadá, onde esses dois discos e 'Stiff Upper Lip' (2000) também foram feitos. As sessões ocorreram entre agosto e setembro de 2018 e no início de 2019. A ideia era lançar o trabalho nos primeiros meses de 2020, mas a pandemia do novo coronavírus provocou um atraso na agenda.

Resenha: 'Power Up' volta a trazer o AC/DC em forma

Foto: Josh Cheuse
Foto: Josh Cheuse

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

O AC/DC já provou, em diversas circunstâncias, que opera bem mesmo sob adversidades. Em julho de 1980, lançaram o álbum 'Back in Black' apenas 5 meses após perderem o vocalista Bon Scott, falecido após intoxicação alcoólica. Brian Johnson, inclusive, assumiu a vaga nesse disco, que se tornou um clássico e vendeu mais de 29 milhões de cópias no mundo todo, sendo o trabalho fonográfico mais comercializado da história do rock.

Em 2014, a banda já não contava mais com Malcolm Young, mas seu afastamento devido ao quadro avançado de demência foi anunciado apenas naquele ano. 'Rock or Bust' foi lançado em novembro, já com Stevie Young na vaga de Malcolm, e soou incrível mesmo sem a participação ativa de um dos principais compositores da banda - embora ele seja creditado como co-autor de todas as faixas.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

imagemAC/DC: Angus diz que sente presença do irmão Malcolm quando toca guitarra

Mais problemas apareceram, com a incapacidade de Phil Rudd e Brian Johnson de fazerem a turnê de divulgação. Chris Slade, veterano baterista que já fez parte do AC/DC entre 1989 e 1994, e Axl Rose, vocalista do Guns N' Roses, substituíram os dois músicos. Cliff Williams, na marra, continuou a tour até o fim mesmo com problemas de saúde - que ele não revela, mas que, conforme indicado por Johnson recentemente, também teriam a ver com audição. Com Rose e Slade, as performances ao vivo foram bastante elogiadas.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

'Power Up' representa que o AC/DC já se tornou maior do que qualquer integrante. A morte de Malcolm Young foi a responsável por reunir Angus a seus, até então, ex-colegas, que estavam em condições melhores, seja de saúde ou perante a lei, do que poucos anos antes. Os caras sabiam que precisariam lançar pelo menos mais um disco em homenagem a Malcolm. E assim o fizeram.

Principais características

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Assim como em 'Back in Black', não há qualquer mensagem de luto em 'Power Up'. Aliás, você já sabe o que esperar do AC/DC. Sem surpresas. Rock and roll tipicamente Youngiano, com guitarras na linha de frente, vocais esganiçados e cozinha simplória, mas pulsante.

Apesar das mudanças de sonoridade que a banda atravessou em suas duas primeiras décadas, a brincadeira de que tais músicos lançam o mesmo disco mudando apenas o nome é endossada pelo próprio Angus. "Falam que gravamos o mesmo álbum 11 vezes, mas é mentira: já foram 12 vezes", zoava o guitarrista já em 1984.

Mais do que nunca, essa sensação se reflete em 'Power Up', pois Angus Young deixou claro, em entrevistas, que aproveitou vários riffs engavetados que compôs junto de Malcolm no passado. Boa parte do material, segundo ele, veio das sessões criativas do álbum 'Black Ice'.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Ainda assim, há alguns diferenciais importantes, especialmente na comparação com 'Rock or Bust'. Acredite: nem todo disco do AC/DC é totalmente igual ao anterior.

Em 'Power Up', os vocais de Brian Johnson estão mais seguros e com uma extensão mais bem trabalhada, talvez, por conta do problema auditivo ter sido superado. Além disso, a dinâmica entre duas guitarras parece estar mais evidente aqui do que em 'Rock or Bust', que, em termos de riffs e arranjos, parece ter muito mais Angus do que Stevie.

imagemAC/DC: "Phil Rudd é a arma secreta da banda"

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

A influência do estilo de Malcolm também está mais presente em 'Power Up', com riffs típicos em cordas mais agudas e uma sonoridade mais clássica, menos pesada que a de 'Rock or Bust'. Há de se destacar, ainda, que os backing vocals estão mais destacados na mix final e soam até ousados em alguns momentos.

'Power Up', faixa a faixa

Foto: Josh Cheuse
Foto: Josh Cheuse

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

A abertura do álbum fica a cargo de 'Realize', uma das músicas mais frenéticas do AC/DC em muitos anos, mesmo que não tenha uma batida tão acelerada. A faixa parece busca resgatar a ferocidade da banda nos tempos de Bon Scott, especialmente pelas guitarras. O melhor domínio vocal de Brian Johnson já é observado por aqui.

Mais cadenciada, 'Rejection' soa como AC/DC dos últimos anos em sua construção. O que mais impressiona é como a banda consegue trazer tanto groove mesmo em riffs e batida simples. O refrão é gigante, tipicamente rock de arena. Muito boa.

Já conhecida do público, 'Shot in the Dark', devo admitir, não me empolgou quando foi lançada como single, ainda no começo de outubro - mais especificamente no dia 6, mesma data em que Eddie Van Halen morreu, aliás. Não a escolheria como o primeiro single, embora tenha todos os elementos básicos de uma música de "fácil compreensão" do AC/DC. Dentro do álbum, a faixa faz um pouco mais de sentido e até cresce.

Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

imagemAC/DC: Brian Johnson sofreu com surdez em vários shows e não conseguia acertar tons

Mais melódica, 'Through the Mists of Time' é quase uma balada - claro, nos irrevogáveis padrões do AC/DC. Em função disso, trata-se do momento mais diferenciado do álbum, ainda que já tenha se tornado tradição fazer uma música nessa linha para cada disco recente da banda. A melodia gruda na cabeça e o refrão é, novamente, gigante.

Brian Johnson disse à 'Folha de S. Paulo' que essa música é a que mais o deixa arrepiado no álbum, pois todos se lembravam de Malcolm Young durante a produção. Angus Young, por sua vez, destacou à 'Rolling Stone' que a faixa reflete sobre os anos de carreira do AC/DC. Tanto pelos relatos quanto pela música em si, é sempre legal ver a banda em uma pegada diferente.

imagemAC/DC: Brian Johnson revela qual música do novo álbum que o deixa arrepiado

O padrão é retomado com 'Kick You When You’re Down', música de construção divertida, com foco no groove e em riffs envolventes. A introdução já conquista logo de cara, enquanto o refrão, tipicamente AC/DC, traz os backing vocals bem ativos. Uma das melhores do álbum.

Na sequência, a audição oscila um pouco com 'Witch’s Spell'. Sua sonoridade remete diretamente ao álbum 'Black Ice', o que oferece uma sensação de "déjà-vu" um pouco mais acentuada que o habitual para o AC/DC. Longe de ser uma música ruim, mas faz o disco perder um pouco o fôlego após tantos destaques.

Por sorte, 'Demon Fire' retoma a pegada de forma efetiva. A música é bem climática e traz uma veia quase cinematográfica, de trilha sonora de filme de ação, em seu andamento. Traz alguns dos melhores riffs do álbum, enquanto o ritmo fica um pouco mais acelerado, compensando algumas faixas anteriores que eram mais cadenciadas.

'Wild Reputation' é outra clara reminiscente de 'Black Ice', mas soa um pouco mais envolvente que 'Witch’s Spell'. A solidez do baixo de Cliff Williams, que abre a faixa, tem êxito ao guiar a bateria e entrelaçar-se com os riffs de guitarra, tão classicamente Malcolm Young. A estrutura foge um pouco do verso / refrão / verso / refrão / solo / refrão, o que é bom.

imagemAC/DC: com problema de saúde, Cliff Williams fará poucos shows da Power Up Tour

'No Man’s Land' representa outro momento diferenciado de 'Power Up', ao apostar em uma veia bluesy, quase southern rock, com seu timbre de guitarra peculiar. Além do refrão novamente grandioso, outra clara demonstração de entrosamento entre Angus e Stevie é oferecida aos ouvintes.

'Systems Down' volta a dividir um pouco a minha opinião, pois embora aposte em ganchos melódicos fortes na ponte e no refrão, a música não tem riffs de guitarra tão convincentes. 'Money Shot' reverte um pouco essa sensação, com sua letra e construção rítmica divertidas, tão peculiarmente AC/DC.

Angus e seus asseclas guardaram uma das melhores músicas para o final: 'Code Red', que aposta em riffs de impacto e traz uma cozinha forte, ainda que em sua pegada simples de costume. A interpretação vocal de Brian Johnson está endiabrada, tanto nos versos repletos de palavras quanto no refrão típico de arena.

Saldo final

Foto: Josh Cheuse
Foto: Josh Cheuse

Em casos de bandas com carreira tão consolidada e trabalhos pouco experimentais, como o AC/DC, fica difícil cravar, de imediato, em qual patamar de qualidade um novo álbum está em comparação aos anteriores. Por isso, soa premeditado dizer se 'Power Up' é melhor ou pior que 'Rock or Bust' ou se supera algum trabalho a partir de 'The Razors Edge' (1990), que foi quando o padrão de qualidade do grupo foi retomado após alguns tropeços na década de 80.

Ainda gosto muito 'Black Ice', excluindo seus fillers, e 'Rock or Bust' por apresentarem dinâmicas ligeiramente distintas a outros momentos da discografia do AC/DC. 'Power Up' soa como um "filho" de 'Black Ice', então, quem gostou do álbum de 2008, certamente será cativado pelo trabalho mais recente.

Talvez falte um grande hit em 'Power Up' que faça o álbum se sobressair, como a já clássica 'Rock 'n' Roll Train', de 'Black Ice', ou a música 'Rock or Bust', que intitula o disco de 2014. Por outro lado, esse novo trabalho parece oscilar um pouco menos em qualidade do que os outros.

imagemResenha - Rock Or Bust - AC/DC

Fato é que 'Power Up' soa como uma homenagem digna a Malcolm Young e reflete os esforços de uma banda que, a essa altura do campeonato, nem precisaria se dispor a gravar um álbum. É, acima de tudo, uma demonstração de respeito aos fãs que ficaram sem novidades desses caras por um bom tempo.

Caso seja o fechamento da discografia do AC/DC, 'Power Up' não fará feio. Se servir como faísca para a banda seguir criando em estúdio, deixando a aposentadoria de lado, melhor ainda. Que esses caras continuem se divertindo e nos divertindo.

* Resenha publicada após audição do material promocional disponibilizado pela Sony Music Brasil. Ouça 'Power Up', do AC/DC, nas plataformas de streaming a partir de 13 de novembro.

AC/DC - 'Power Up'

Brian Johnson (vocal)
Angus Young (guitarra solo)
Stevie Young (guitarra base)
Cliff Williams (baixo)
Phil Rudd (bateria)

01. Realize
02. Rejection
03. Shot In The Dark
04. Through The Mists Of Time
05. Kick You When You’re Down
06. Witch’s Spell
07. Demon Fire
08. Wild Reputation
09. No Man’s Land
10. Systems Down
11. Money Shot
12. Code Red

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no WhatsAppSeguir Whiplash.Net

Stamp
publicidade
Ademir Barbosa Silva | Alexandre Faria Abelleira | Andre Sugaroni | André Silva Eleutério | Antonio Fernando Klinke Filho | Bruno Franca Passamani | Caetano Nunes Almeida | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Eduardo Ramos | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cristofer Weber | César Augusto Camazzola | Dalmar Costa V. Soares | Daniel Rodrigo Landmann | Décio Demonti Rosa | Efrem Maranhao Filho | Eric Fernando Rodrigues | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Filipe Matzembacher | Gabriel Fenili | Helênio Prado | Henrique Haag Ribacki | Jesse Silva | José Patrick de Souza | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcelo H G Batista | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Reginaldo Tozatti | Ricardo Cunha | Ricardo Dornas Marins | Sergio Luis Anaga | Sergio Ricardo Correa dos Santos | Tales Dors Ciprandi | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Tom Paes | Vinicius Valter de Lemos | Wendel F. da Silva
Siga Whiplash.Net pelo WhatsApp

Accept encerra um ciclo com "Too Mean to Die"


Scott Ian: "Tocar AC/DC é simples, mas ninguém consegue"



Sobre Igor Miranda

Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU), com pós-graduação em Jornalismo Digital pela Universidade Estácio de Sá. Começou a escrever sobre música em 2007 e, algum tempo depois, foi cofundador do site Van do Halen. Colabora com o Whiplash.Net desde 2010. Atualmente, é editor-chefe da Petaxxon Comunicação, que gerencia o portal Cifras, Ei Nerd e outros. Mantém um site próprio 100% dedicado à música. Nas redes: @igormirandasite no Twitter, Instagram e Facebook.

Mais matérias de Igor Miranda.