Brian Johnson sofreu com surdez em vários shows do AC/DC e não conseguia acertar tons
Por Igor Miranda
Postado em 06 de outubro de 2020
O diagnóstico de surdez de Brian Johnson foi bastante sério. O vocalista do AC/DC abriu o jogo sobre o problema em entrevista à "Rolling Stone", onde o guitarrista Angus Young e o baixista Cliff Williams também falaram sobre o assunto.
A perda de audição começou a se apresentar de forma mais séria durante a turnê "Rock or Bust", realizada entre 2015 e 2016. Brian precisou ser afastado no meio da tour para buscar tratamento, caso contrário, a surdez seria definitiva. Ele acabou sendo substituído por Axl Rose, do Guns N' Roses.
"Foi muito sério. Eu não conseguia ouvir o som das guitarras de forma alguma. Eu estava seguindo literalmente com base na memória muscular e leitura labial. Ficava muito mal com aquela situação nos shows. Não há nada pior do que ficar parado lá e não ter certeza do que está fazendo", afirmou Johnson.
Cliff Williams complementou: "Brian tirava seus monitores de retorno in-ear e ficava apenas balançando a cabeça. Ele não conseguia acertar os tons. Estava assando por um momento muito difícil".
Os médicos precisaram interferir e pediram que Brian Johnson deixasse a estrada. "Brian corria o risco de ficar surdo permanentemente. Tivemos alguns dias para avisar a todos e divulgar a mensagem. Não queríamos que as pessoas chegassem e ficassem descontentes ao descobrir no último minuto (que Brian Johnson não estaria nos shows seguintes)", comentou Angus Young.
O AC/DC, que já estava com o baterista Chris Slade no lugar de Phil Rudd, seguiu com Axl Rose no vocal ao longo da turnê. "Quando você passa por vários cenários, nenhum deles é a melhor opção. Você pensa em cancelar, aí tem as questões legais. Tivemos sugestões dos nossos empresários. Havia uma lista de candidatos para cantar. Do nada, Axl Rose entrou em contato e disse que poderia ajudar, o que foi ótimo", disse o guitarrista.
Brian Johnson acabou fazendo um tratamento experimental, sobre o qual revelou apenas alguns detalhes. "Um expert em audição trouxe uma coisa que parecia uma bateria de carro. Falou que iriam transformar aquilo em miniatura. Levou dois anos e meio. Ele vinha todo mês. Era chato demais ficar com aqueles fios, telas de computador, barulhos. Mas valeu a pena. Ele usou a estrutura óssea do crânio como receptor de som. É tudo o que posso te dizer", afirmou.
Dessa forma, o vocalista finalmente pôde voltar a cantar. A banda acompanhou cada passo da recuperação.
Todavia, por conta do problema, o AC/DC ainda não sabe como fará a turnê para divulgar seu próximo álbum, intitulado "PWR/UP" - ou "Power Up". "Pensamos em fazer alguns shows pequenos para começar. Foi o mais longe que chegamos. Dois dias depois de uma reunião que tivemos, a m*rda foi jogada no ventilador. (O coronavírus) Foi na China, depois Europa e aí começou a se espalhar. Não parecia mais possível", afirmou Johnson.
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