Dr. Sin: mais vivo do que nunca, obrigado!
Resenha - Back Home Again - Dr. Sin
Por Felipe Cipriani Ávila
Postado em 24 de janeiro de 2020
Iniciemos esta análise já atestando o óbvio: que disco de audição leve, prazerosa e gratificante! Este que vos escreve sempre teve um carinho imenso pelo DR. SIN, pois eles representam tudo de melhor que o nosso país pode nos oferecer em termos musicais e artísticos, não devendo absolutamente nada a qualquer outro lugar do mundo: instrumentistas altamente criativos e capacitados, verdadeiros estudiosos, virtuoses, comprometidos, resistentes, que não se preocupam em seguir tendências, modas do momento; acima de tudo, guerreiros, apaixonados por um gênero musical que será eternamente e extremamente relevante, necessário, com um público fortíssimo e muito fiel: o maravilhoso Hard Rock.
Saber do retorno do grupo sem o também excepcional Edu Ardanuy (que já está brilhando e brilhará ainda mais com o dream team SINISTRA, que, em breve, lançará o seu debut, portanto, olho no lance!), pode ter deixado certos fãs entre o contentamento e a ansiedade, pela unidade e pela química inegáveis que havia entre ele e os irmãos Busic, tanto em estúdio quanto nos "palcos da vida", contudo, sejamos justos e verdade seja dita, em alto e bom som: percebemos, logo no primeiro acorde de "Back Home Again", que a essência, o bom gosto (muito, muito acima da média, como é de praxe) e o estilo inconfundível continuam lá, firmes e fortes, com o novo guitarrista, Thiago Melo, fazendo um belíssimo trabalho, de "tirar o chapéu", honrando, seguramente, todo o legado já construído e respeitando o estilo característico e vigoroso da banda, ao mesmo tempo em que mostra, sim, a sua personalidade e os seus atributos, que não são poucos, diga-se de passagem, com riffs e solos memoráveis. Ele, definitivamente, não está para brincadeira! São quase 54 minutos de duração que transcorrem como se fossem cinco segundos, dada a qualidade altíssima do material como um todo.
Um álbum que tem como faixa de abertura "Breakout", já começa com o jogo ganho! Mas ela está longe de ser a única pérola de um play recheado de momentos significativos, comoventes e empolgantes. As tocantes "27" (quantos ídolos perdemos com essa "idade fatídica"!), "See Me Now" (primoroso dueto entre os irmãos Busic) e "What’s Wrong" fazem bonito, nos deixando, prontamente, com os olhos marejados, como todas as caprichadas baladas ou semibaladas compostas pelo power trio desde o princípio da década de 1990; a pesada, emocional e envolvente "Shout", que conta com um ótimo videoclipe, nos apresenta vocalizações e instrumentais soberbos; "Best Friends" nos brinda com um Southern Rock encantador, com Ivan Busic nos presenteando com linhas vocais lindíssimas e um trabalho de bateria, na mesma proporção, extraordinário; "Run For Your Life" é um Hard & Heavy arrepiante (escola NWOBHM (New Wave Of British Heavy Metal)), com uma parede sonora daquelas e com um peso descomunal, com desempenho fantástico de Andria Busic (um contrabaixista, igualmente, incrível). "The Reflection Of A Conflicting Mind" é encorpada, contagiante e contém solos rápidos e esmerados de Thiago Melo. O encerramento, com a cativante "Lost In Space", primeira música divulgada desde a volta do grupo, em 2018, nos deixa com vontade de escutar "Back Home Again" novamente, em sequência, tamanha a solidez do repertório em sua completude. Isso, apenas, é imprescindível deixar pontuado, para citar alguns exemplos. Vá por mim: aqui, a totalidade merece a sua total atenção, em um disco variado, com instrumental, claro, impecável, vocalizações ímpares, enérgicas e emocionantes, letras com inteligentes e belas mensagens, enfim, uma obra feita com a alma, com o coração. Não é assim que a Arte deve ser tratada? É mais do que perceptível todo o carinho, todo o amor impresso em cada mínimo detalhe. Produção excelente, som cristalino, sem tema para preencher espaço ou tempo. Ouça, por obséquio, na íntegra, no volume máximo, e verá que não há falácia ou entusiasmo demais nessas colocações! Muito obrigado, DR. SIN, muito obrigado Andria Busic, Ivan Busic e Thiago Melo! Espero acompanhá-los por mais vinte, trinta anos, pelo menos!
Lista de músicas:
01 - Breakout
02 - Face To Face
03 - 27
04 - Shout
05 - Mayday
06 - Best Friends
07 - Run For Your Life
08 - See Me Now
09 - The Reflection Of A Conflicting Mind
10 - What's Wrong
11 - You Had It Coming
12 - Fear
13 - Lost In Space (Bonus Track)
Outras resenhas de Back Home Again - Dr. Sin
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A música de Raul Seixas que faria ele ser "cancelado" nos dias de hoje
As duas músicas do Metallica que Hetfield admite agora em 2026 que dão trabalho ao vivo
Rafael Bittencourt desabafa sobre receios e "confiança rompida" com Edu Falaschi
A música "mais idiota de todos os tempos" que foi eleita por revista como a melhor do século XXI
A banda de rock que lucra com a infantilização do público adulto, segundo Regis Tadeu
O clássico que é como o "Stairway to Heaven" do Van Halen, segundo Sammy Hagar
Marcello Pompeu lança tributo ao Slayer e abre agenda para shows em 2026
Os três gigantes do rock que Eddie Van Halen nunca ouviu; preferia "o som do motor" do carro
Novo álbum do Kreator, "Krushers of the World" é elogiado em resenha do Blabbermouth
"Obedeço à lei, mas não, não sou de direita", afirma Dave Mustaine
O cantor que Axl Rose admitiu ter medo de conhecer; "escuto o tempo todo"
Festival SP From Hell confirma edição em abril com atrações nacionais e internacionais do metal
A respeitosa opinião de Tony Iommi sobre o guitarrista Jeff Beck
Como é a estrutura empresarial e societária do Iron Maiden, segundo Regis Tadeu
Cinco músicas que são covers, mas você acha que são as versões originais - Parte 2
A banda que Eric Clapton invejava tanto que ficou aliviado quando acabou
Luis Mariutti, ex- Angra, conta sobre atritos entre Andre Matos e Rafael Bittencourt


Com "Brotherhood", o FM escreveu um novo capítulo do AOR
Anguish Project mergulha no abismo do inconsciente com o técnico e visceral "Mischance Control"
Motorjesus pisa fundo no acelerador, engata a quinta e atropela tudo em "Streets Of Fire"
Nightwish: Anette faz com que não nos lembremos de Tarja
Megadeth: Mustaine conseguiu; temos o melhor disco em muito tempo



