Motörhead: análise da edição de 40 anos do clássico debut
Resenha - Motörhead 40th Anniversary Edition - Motörhead
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collectors Room
Postado em 06 de julho de 2019
Lançado em 21 de agosto de 1977, o auto-intitulado primeiro disco do Motörhead deu início à trajetória da banda liderada por Lemmy Kilmister. O baixista e vocalista, que tinha sido roadie de Jimi Hendrix, foi expulso do Hawkwind em 1975 após ser pego com drogas na fronteira dos Estados Unidos com o Canadá e passar cinco dias preso. Então, resolveu seguir novos rumos e encontrou dois desajustados como ele: o guitarrista Eddie Clarke e o baterista Phil Taylor.
O álbum, que foi relançado em uma edição especial com dois CDs alusiva aos seus 40 anos - versão essa que a Hellion Records trouxe para o Brasil em um belo digipack -, mostra um Motörhead bem diferente da banda que conquistaria corações e mentes com discos como "Overkill" (1979), "Bomber" (1979) e "Ace of Spades" (1980). O debut do trio formado por Lemmy, "Fast" Eddie Clarke e Phil "Philthy Animal" Taylor apresenta uma sonoridade muito mais focada no rock and roll do que na mistura de hard rock, punk e metal pela qual o grupo ficaria conhecido. Dá pra afirmar que "Motörhead", o disco, mostra uma banda mais próxima de Chuck Berry do que do Black Sabbath, por assim dizer.
O tracklist original tinha oito músicas, com direito a uma versão para a clássica "The Train Kept A-Rollin", regravada por nomes como The Yardbirds e Aerosmith. A edição de 40 anos vem com vinte faixas, incluindo na totalidade o EP "Beer Drinkers and Hell Raisers" (lançado em 22 de novembro de 1980 e que traz uma versão para a canção homônima de outro super trio, o ZZ Top) e versões alternativas, outtakes e faixas raras.
Produzido por John David Percy "Speedy" Keen, que era vocalista, baterista e tecladista do Thunderclap Newman e também autor da canção "Something in the Air" (a música está na trilha de Quase Famosos e ganhou uma versão bastante conhecida de Tom Petty and The Heartbreakers), o disco possui uma sonoridade suja e um tanto abafada, porém condizente com a estreia de uma nova banda dos anos 1970. Para o AllMusic: "Apesar de ter alcançado apenas um pequeno sucesso nas paradas, o álbum patenteou o estilo do Motörhead: o vocal de Lemmy sobre um rolo compressor de guitarra, baixo e bateria. Não é de se admirar que os punks tenham gostado". Já o escritor Joel McIver, autor da biografia do trio, afirma: "Com o benefício da visão retrospectiva, é claramente óbvio que o disco nem chega perto de capturar o som ao vivo hipnotizante do grupo".
Além de ser a estreia da banda, o álbum apresentou ao mundo a logo marcante do Motörhead, com um "porco de guerra" criado pelo artista Joe Petagno, imagem essa que acompanharia a banda até o seu final. Petagno tentou combinar, em um mesmo animal, características de um urso, um lobo e um cão, e o resultado foi a figura que ficou conhecida entre os fãs como "War-Pig". Uma curiosidade: a versão original tinha uma suástica no capacete, que acabou sendo apagada para evitar problemas - vale lembrar que Lemmy foi um grande colecionador de material nazista durante toda a vida. Joe Petagno fez outros trabalhos marcantes em sua carreira, como o a logo do selo Swan Song do Led Zeppelin e dezenas de capas de discos.
De maneira geral, "Motörhead" é um álbum inferior a praticamente todos os 21 outros discos que Lemmy e companhia gravaram ao longo de sua trajetória. Porém, a sua força está nesse olhar retrospectivo que o tempo permite e que foi citado por McIver: sabendo o que a banda iria fazer depois e os caminhos que a música do Motörhead tomaria nos anos seguintes, é quase um exercício de arqueologia identificar as influências já presentes neste primeiro disco e entender como elas foram desenvolvidas e trabalhadas por Lemmy, Eddie, Animal e toda a turma.
Um louvável lançamento da Hellion Records, focado principalmente no mercado de colecionadores, que agora tem acesso a uma edição bastante completa e por um preço acessível. Elogios também para o belo trabalho gráfico da capa, com o símbolo característico da banda na cor prata e um encarte de 24 páginas com fotos e a história dos primeiros anos do Motörhead. Imperdível!
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Ex-Arch Enemy, Alissa White-Gluz anuncia sua nova banda, Blue Medusa
A melhor banda de rock progressivo para cada letra do alfabeto, segundo a Loudwire
A atração do Rock in Rio que "as pessoas já viram 500 vezes"
Baterista do Matanza Ritual e Torture Squad é dopado e roubado após show do AC/DC
O melhor guitarrista de todos os tempos, segundo o lendário Bob Dylan
10 álbuns essenciais do metal dos anos 70 que valem ter em vinil
A cantiga infantil sombria dos anos 1990 que o Metallica tocou ao vivo uma única vez
Terra do Black Sabbath, Birmingham quer ser reconhecida como "Cidade da Música"
Mamonas Assassinas: a história das fotos dos músicos mortos, feitas para tabloide
A joia cearense que gravou um clássico do rock nos anos 1970, segundo Regis Tadeu
A música do Thin Lizzy que sempre deixa James Hetfield de bom humor
Moonspell anuncia título do próximo álbum de estúdio, que sai em julho
Cinco dicas úteis para quem vai ao Bangers Open Air 2026
Jack Osbourne expõe "banda gigante" que exigiu quantia absurda no último show de Ozzy
Mikael Åkerfeldt (Opeth) fala sobre parceria musical com Mike Portnoy
O humilde baterista que para Kurt Cobain supera John Bonham, do Led Zeppelin
O verdadeiro motivo para a saída de Rodolfo da banda Raimundos
Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden, conta pior momento que viveu no palco

O disco que é o precursor do thrash metal, segundo Max Cavalera
Mikkey Dee anuncia shows tocando músicas do Motörhead
O disco ao vivo que define o heavy metal, segundo Max Cavalera
O verdadeiro motivo de por que Lemmy precisou expulsar ex-Thin Lizzy do Motörhead
A faixa definitiva do Motorhead não é "Ace of Spades" nem "Overkill", de acordo com Rob Halford
Loudwire lista 45 nomes que mereciam uma vaga no Rock and Roll Hall of Fame
O guitarrista que Lemmy disse ter ficado "ainda melhor" depois de morrer
As melhores músicas românticas de 11 grandes bandas de metal, segundo o Loudwire
A banda que Joey Ramone disse que mais o inspirava; "Uma experiência de corpo e mente"
Iron Maiden: Em 1992 eles lançavam Fear Of The Dark



