In Flames: com melodia, sem deixar o peso de lado

Resenha - A Sense Of Purpose - In Flames

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Por Mateus Ribeiro
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O nono disco de estúdio do IN FLAMES, "A Sense Of Purpose", foi lançado em março de 2008. Depois da boa repercussão de "Come Clarity" (que ajudou a limpar um pouco a barra da banda com os fãs mais antigos), era esperado que a banda lançasse um bom disco, missão que foi cumprida com total êxito, ao menos para os fãs menos extremistas.

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Quem acompanha a carreira da banda, sabe que naquelas alturas, não adiantava esperar nada parecido com "Colony" ou "Whoracle". E em "A Sense...", a banda começou a dar mostras de algo que se concretizou tempos depois: se em meados dos anos 90, a banda ficou conhecida como um dos pilares do Melodic Death Metal, depois dos anos 2000, a banda abandonou o Death Metal e ficou com a melodia, sem deixar o peso de lado.

Todos os músicos exerceram um ótimo papel no disco. As composições estão repletas de momentos empolgantes, com um acompanhamento instrumental simplesmente perfeito. Anders Fridén enfim conseguiu dar a sua cara para a banda (o que foi motivo de descontentamento para muitos), e as músicas parece que foram escritas para sua voz se encaixar em todas.

Desde o primeiro riff, Björn Gelotte e Jesper Strömblad mostram uma sintonia absurda. Daniel Svensson simplificou um pouco as linhas de bateria, diminuiu a loucura dos álbuns passados, mas fez um trabalho sólido e brilhante. Tudo isso combinando com a precisão cirúrgica de Peter Iwers no baixo. A ótima produção também contribuiu (muito) para o resultado final.

A primeira música, "The Mirror's Truth" é um belo cartão de visitas. Riff marcante, belas melodias vocais, e um refrão cativante. Essa é a receita de muitas músicas do disco, principalmente as mais rápidas, como "Disconnected", "I'm The Highway", "Sober And Irrelevant" (a música mais corrida do disco) e "March To The Shore".

O disco contra com outros inúmeros destaques, como "Sleepless Again", a ótima balada pesada "Alias", "Condemned", "Delight And Angers" (perfeita para abrir shows) e "The Chosen Pessimist", que é, sem dúvidas, a música mais melancólica (e uma das mais belas) de toda a carreira da banda.

No fim das contas, "A Sense of Purpose" conseguiu angariar uma nova leva de fãs . O som mais "americanizado" definitivamente viria a se tornar parte integrante do trabalho de composição, e permaneceria por muito tempo. Na verdade, permanece até os dias de hoje, e pelo visto, no próximo disco (intitulado "I,The Mask"), as coisas não serão muito diferentes neste quesito.

O disco acaba reservando grandes momentos, e se não vai fazer dos fãs dos primeiros discos as pessoas mais felizes do mundo, também não vai fazer com que queimem as camisas da banda, ou rasguem suas cuecas e calcinhas de ódio. Basta tentar esquecer um pouco o passado da banda, e entender que todos mudam (menos os headbangers mais trues, esses não mudam e são extremamente chatos).

E você, o que acha desse álbum?

Um abraço!

Observação: Infelizmente, foi o último disco a contar com a presença de Jesper Strömblad, guitarrista e fundador da banda, que saiu da banda para tratar de seus problemas com o álcool.


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Sobre Mateus Ribeiro

Fanático por Ramones, In Flames e Soilwork. Limeirense com muito orgulho (e sotaque).

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