A banda cuja formação mudou quase tantas vezes quanto a do Megadeth
Por Mateus Ribeiro
Postado em 02 de dezembro de 2025
Bandas de heavy metal frequentemente passam por alterações em suas formações, seja por desgaste natural, metas divergentes ou fatores alheios à música. Um dos casos mais emblemáticos é o Megadeth, que em quatro décadas manteve apenas um nome de sua configuração original: Dave Mustaine, fundador, guitarrista e vocalista. Ao longo dos anos, músicos como Marty Friedman, Chris Poland, Al Pitrelli, Kiko Loureiro, Jimmy DeGrasso, Nick Menza, Chris Adler e David Ellefson contribuíram para diferentes fases do quarteto.
Outro nome que também se destaca não apenas pela qualidade de seu som, mas também pela intensa rotatividade de integrantes, é o In Flames. Fundado em 1990, em Gotemburgo, o grupo marcou de forma definitiva o melodic death metal - e com o passar dos anos, passou a incluir elementos de metal alternativo em sua sonoridade. Diferentemente do Megadeth, contudo, o conjunto sueco já não possui nenhum membro original entre os integrantes atuais.

A trajetória do In Flames começou com o multi-instrumentista Jesper Strömblad, que atuou como guitarrista, baterista e tecladista. Para o debut "Lunar Strain" (1994), ele convocou Mikael Stanne (Dark Tranquillity) como vocalista convidado, além dos guitarristas Glenn Ljungström e Carl Näslund, enquanto Johan Larsson assumiu o baixo. A formação ainda não era estável, mas pavimentou o estilo que projetaria o nome da banda para o mundo.
Em 1995, o vocalista Anders Fridén (ex-Dark Tranquillity) e o baterista Björn Gelotte entraram para o In Flames. Ao lado de Jesper, Carl e Glenn, registraram os aclamados "The Jester Race" (1996) e "Whoracle" (1997). Antes disso, o grupo havia lançado o EP "Subterranean" (1995), que contou com participações de Anders Jivarp e Daniel Erlandsson na bateria, além de Henke Forss no vocal e Oscar Dronjak nos vocais de apoio.
Mais mudanças ocorreram em 1997, quando Carl e Glenn deixaram o In Flames. O baixista Peter Iwers assumiu sua posição de forma definitiva, enquanto Björn passou a dividir as guitarras com Jesper. O baterista Daniel Svensson chegou no ano seguinte, formando a linha clássica que permaneceria unida por mais de dez anos.
Essa formação - Anders Fridén, Jesper Strömblad, Björn Gelotte, Peter Iwers e Daniel Svensson - gravou "Colony" (1999), "Clayman" (2000), "Reroute to Remain" (2002), "Soundtrack to Your Escape" (2004), "Come Clarity" (2006) e "A Sense of Purpose" (2008). Diversas faixas desses discos seguem presentes nos shows, como "Only for the Weak", "The Quiet Place", "Cloud Connected", "Alias" e "Take This Life".
Após um longo período de estabilidade, a primeira baixa aconteceu em 2010, quando Jesper Strömblad deixou o In Flames devido a problemas com álcool. No ano seguinte, a banda lançou "Sounds of a Playground Fading" (2011) e oficializou a entrada do guitarrista Niclas Engelin.
Com Anders, Björn, Niclas, Peter e Daniel, o grupo registrou "Siren Charms" (2014) e o ao vivo "Sounds from the Heart of Gothenburg" (2016). Entretanto, a saída de Jesper inaugurou uma nova fase de rotatividade. Svensson deixou o In Flames em 2015, sendo substituído por Joe Rickard. Em 2016, foi a vez de Iwers se despedir, dando lugar a Bryce Paul.
Com sangue novo, o In Flames lançou "Battles" (2016), mas logo passou por nova mudança: Joe Rickard cedeu espaço para Tanner Wayne durante as gravações de "I, the Mask" (2019). Antes da turnê do álbum, Niclas Engelin também se afastou da banda, em circunstâncias curiosas, e Chris Broderick assumiu as guitarras.
A dança das cadeiras continuou. Em 2023, Bryce Paul saiu, e Liam Wilson assumiu o baixo. No primeiro semestre deste ano, Tanner Wayne também deixou a banda, sendo substituído por Jon Rice.
Hoje, a formação do In Flames conta com Anders Fridén (vocal), Björn Gelotte (guitarra), Chris Broderick (guitarra), Liam Wilson (baixo) e Jon Rice (bateria). O quinteto é uma das atrações do Bangers Open Air 2026, que ocorrerá entre 25 e 26 de abril, no Memorial da América Latina, em São Paulo.
Quanto aos ex-integrantes, Mikael Stanne, Jesper Strömblad, Niclas Engelin, Peter Iwers e Daniel Svensson compõem o The Halo Effect. O grupo possui dois álbuns de estúdio e recentemente lançou o EP de covers "We Are Shadows".
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