The Glove: Obscuro e lindo projeto paralelo de Robert Smith
Resenha - Blue Sunshine - Glove
Por Roberto Rillo Bíscaro
Postado em 19 de dezembro de 2018
No começo dos anos 1980, The Cure e Siouxsie & The Banshees eram importantes locomotivas underground, misturando psicodelia minimalista com pós-punk e ajudaram a definir – junto com o Bauhaus – a estética e temário do Gothic Rock.
Em 1982, Smith juntou-se ao grupo de Siouxsie Sioux para preencher lacuna deixada pela saída de John McGeoch. Na efervescência pós-77, projetos paralelos eram por demais comuns e assim o líder do Cure uniu-se a Steven Severin, baixista de Siouxsie, na banda The Glove, que jamais se apresentou ao vivo e legou pequena gema pop-psicodélica, chamada Blue Sunshine (1983).
Para o vocal, recrutaram a dançarina Jeanette Landray, que não sabia cantar, mas quem se importava com esse detalhe após Johnny Rotten? Blue Sunshine é nome de obscuro filme de horror setentista, no qual consumidores de uma variante de LSD chamada Blue Sunshine tornam-se assassinos psicopatas.
A psicodelia está nas dez faixas. Parte da molecada pós-punk não teve vergonha de juntar Kraftwerk, synthpop, rock, krautrock para compor lindas e acessíveis melodias pop. Exemplo modelar disso é This Green City. Blue Sunshine é psicodélico como era o Floyd na era Syd Barrett e não fez feio perante seu predecessor. Mas, é popificado.
A Luva do nome do grupo é referência à gigantesca luva que aparece no Yellow Submarine, dos Beatles. Moçada não conseguia simplesmente destruir tudo do establishment como mandavam os punks (mas era pose). E tem Beatles na sonoridade, especialmente no music hall amalucado de Mr. Alphabet Says, cantada por Robert Smith e parente de The Lovecats, de seu Cure.
Além da profícua instrumentação, um dos prazeres de Blue Sunshine é pré-datar algumas escolhas sonoras do Cure. Basta ouvir como a guitarra circular de Like an Animal reaparecerá em Inbetween Days ou os teclados de Looking Glass Girl soam como os do futuro Disintegration. O orientalismo de The Top ou de faixas posteriores, como Kyoto Song, já está dado em Perfect Murder ou na derradeira Relax, que de relaxada só tem o título, porque é uma daquelas estruturas repetitivas comuns em lados B do Cure. Robert Smith estava em seu período imperial na primeira metade dos 80’s e Blue Sunshine é (d)ele, mesmo quando não canta, como em Punish Me With Kisses.
Considerando que as doze semanas alugadas no estúdio foram de alucinógenos e filmes de terror, a instrumental Blues In Drag surpreende com seu clima quase ambiente à Brian Eno. Smith e Severin têm almas gentis, after all.
Devido ao aumento da popularidade dos Banshees e o estouro mundial do The Cure, The Glove foi guardada num armário e tornou-se aqueles "clássicos perdidos", que de vez em quando, um blog ou outro desenterra.
Em 2006, saiu reedição vitaminada, com outtakes, instrumentais e versões regravadas por Robert Smith. Mas, isso seria assunto para outra resenha. De qualquer modo, tem tudo no Spotify e a versão standard de Blue Sunshine está no Youtube. Não ouve quem não quer. É bonito.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



As duas bandas de metal que James Hetfield não suporta: "Meio cartunesco"
Quando Ritchie Blackmore falou merda e perdeu a amizade de um rockstar maior que ele
10 bandas de rock que já deveriam ter se aposentado, segundo o Guitars & Hearts
Dragonforce faz primeiro show com Alissa White-Gluz; veja os vídeos
O álbum dos anos 1990 que Mick Jagger considera perfeito: "Cada faixa é um nocaute"
O melhor integrante dos Beatles de todos os tempos, segundo Roger Waters
As 20 melhores músicas do Iron Maiden segundo o WatchMojo.com
Os astros do rock nacional que contribuíram com disco de Xuxa
Fã joga disco em Eric Clapton e ele abandona show na Espanha
O melhor álbum do Aerosmith segundo o baixista Tom Hamilton
O disco favorito de Steven Tyler por causa da ausência de viradas de bateria
As duas músicas mais importantes de qualquer álbum do The Cure, segundo Robert Smith
Os dois melhores álbuns dos anos 1970, segundo David Gilmour
A canção do Black Sabbath que, para Frank Zappa, definiu "um certo estilo musical"
A banda com quem Jimmy Page odiava ser comparado: "Não tinha nada a ver conosco"
A incrível coincidência que fez Robert Smith entrar no novo álbum dos Rolling Stones
O músico que era o oposto de Jimi Hendrix e serviu de referência ao The Cure


