Sadist: Um pouco da sonoridade sombria dos anos 90
Resenha - Above the Light - Sadist
Por Vitor Sobreira
Postado em 08 de novembro de 2018
Sempre curti um pouco de tudo entre as derivações do Rock e do Metal – de canções alegres e agitadas até climas soturnos e reflexivos -, e nunca vi qualquer tipo problema nisso, muito pelo contrário, apenas me "beneficiei" ao longo dos anos. Entretanto, falemos hoje um pouco sobre esse segundo, na forma do primeiro álbum da banda italiana Sadist.
Uma casualidade me fez conhecer essa banda que vem da cidade de Gênova – a mesma Gênova que viu nascer o navegador e explorador Cristóvão Colombo, há mais de 500 anos -, que começou suas atividades em 1990 e estreou oficialmente em 1993 com o álbum ‘Above the Light’. Este, por sua vez, calorosamente me motivou a pelejar nestas linhas…
Lançado em 15 de julho pela pequena – e já extinta – gravadora italiana Nosferatu, o debut apresentou ao mundo do underground oito composições que mesclavam o poder de um enegrecido Death Metal com as passagens trabalhadas e até, de certa forma, sofisticadas do Metal Progressivo (que a cada ano estava obtendo mais destaque), tudo isso em um pouco menos de 44 minutos de curiosa e diferenciada audição. Na formação, estavam o trio Andy Marchini (vocal e baixo), Tommy Talamanca (guitarra, teclados, piano e efeitos) e Peso (bateria), que simplesmente estrearam com o pé direito!
Analisando hoje em dia, e, levando em consideração se tratar de um primeiro trabalho oficial – antes disso, cinco demos foram lançadas -, do estilo e da época, temos uma qualidade de áudio aceitável. Reclamar é fácil, mas tentar enxergar as limitações e o cenário daqueles dias, é bem difícil, não é mesmo?
A faixa instrumental "Nadir" foi a incumbida de abrir a obra, com sons marinhos, de ondas e pássaros, até entrar um mórbido teclado. "Breathin’ Cancer" finalmente nos mostra o que o Sadist quis oferecer: vocais em uma vibe quase Black, instrumental primorosamente se equilibrando entre momentos pesados, melodiosos e de muita envolvência. Ah, e os teclados abarrotados de feeling de Tommy Talamanca realmente são um dos grandes atrativos no som do Sadist, com destaques e surpresas em todas as faixas.
Com uma injeção de crueza diretamente dos anos 80 "Enslaver of Lies" chega a todo vapor, até que a partir de um dedilhado de violão o equilíbrio (dito mais acima) retorna aos poucos. O ar de mistério é sentido em "Sometimes They Come Back", com mais uma amostra da diversidade do instrumental e a competência do vocal. Já estamos na metade do disco e a audição ainda é um enigma, surpreendendo a casa passagem e "Hell in Myself", com sua introdução um pouco mais melodiosa, segue na alternância dos elementos diversos, ora rumando pra agressividade, ora para arranjos discretamente épicos.
"Desert Divinities" vem na sequencia e já exibe um cuidado maior com os empolgantes solos de guitarra. O segundo ato instrumental recebe o título "Sadist", por sua vez bastante sombrio – pessoalmente falando, é uma das características dos anos 90 que mais aprecio. Não entendeu o que eu quis dizer? Apenas ouça e finalmente me entenderá. Para o encerramento, nos foi reservada "Happiness’n’Sorrow", que assim como as demais, dispensa comentários.
Um trabalho interessante, para se apreciar com calma para não deixar que os detalhes se esvaiam na correria do dia a dia!
Faixas:
01. Nadir (Instrumental)
02. Breathin’ Cancer
03. Enslaver of Lies
04. Sometimes They Come Back
05. Hell in Myself
06. Desert Divinities
07. Sadist (Instrumental)
08. Happiness ‘n’ Sorrow
Formação:
Andy Marchini (vocal e baixo)
Tommy Talamanca (guitarra, teclados, piano e efeitos)
Peso (bateria).
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Brian May (Queen) admite ter mudado de ideia em relação à IA
Baterista do Linkin Park toca música do Iron Maiden que nunca havia escutado
Falling in Reverse lança "Joseph" com Corey Taylor e Serj Tankian em colaboração inédita
Abbath cancela shows de 2026 e pede desculpas aos fãs e festivais
O álbum clássico do rock que Ed Motta comprou escondido por ser coisa de playboy
Os dois estilos musicais que Lemmy detestava e considerava pobres musicalmente
Loudwire coloca álbum do Angra como "melhor álbum de progpower" da história
Roger Waters detona Mick Jagger e diz que astro só pensa no físico e no próprio saldo bancário
Brasileiros superestimam o Sepultura? Canal disseca mudança do show de despedida
O mito em torno de Raul Seixas que Regis Tadeu diz que precisa acabar
O disco gravado por Bruce Dickinson que a Metal Hammer considera o pior do Iron Maiden
O disco que vendeu uma barbaridade e ficou conhecido como o álbum que matou o Britpop
Dave Mustaine mudou de vida depois que se converteu; "Deus me enviou para o AA"
Como foi o histórico reencontro de Kiko Loureiro com Luis Mariutti após 25 anos
Audioslave: Tom Morello diz que Rick Rubin quis sair correndo da casa de Chris Cornell
A música do Maiden que Bruce considera a mais desafiadora para cantar ao vivo

Relevante como nunca, Totalitär retorna após vinte anos com EP furioso
Herman Frank - O motor barulhento, rápido e construído para rodar
Entre nostalgia, legado e recomeços, Beseech apresenta seu 7º álbum de estúdio
Veterano Sacrifice mostra que continua afiado como nunca no ótimo "Volume Six"
O álbum pesado e melancólico do Soilwork que ajudou a salvar a minha vida
Black Sabbath: Born Again é um álbum injustiçado?



