Necro: Em ano de grandes álbuns nacionais, lança seu magnum opus
Resenha - Adiante - Necro
Por Fernando Yokota
Postado em 02 de janeiro de 2017
Se houve uma coisa que se salvou em 2016, talvez tenha sido a safra de excelentes lançamentos por parte de artistas nacionais. Desde o lado mais pesado com, por exemplo, NERVOSA (Agony), CLAUSTROFOBIA (Download Hatred) e o fantástico Gehenna do LABIRINTO, até artistas como os sergipanos do THE BAGGIOS (que lançou o estupendo Brutown, seu melhor trabalho e merecidamente aclamado pela crítica), os cariocas do THE OUTS com seu melodioso Percipere, os curitibanos do TREM FANTASMA e seu floydianamente saboroso Lapso, passando por veteranos como o VIOLETA DE OUTONO e o recém-lançado Spaces, o rock nacional fez o gol de honra no ano do 7 a 1 moral.
Para completar a fatura, ao fechar das cortinas do Annus horribilis, o NECRO deu ao mundo seu novo trabalho, Adiante. Gravado no Superfuzz Studios e sob a supervisão de Gabriel Zander (da banda carioca BARIZON), responsável pela engenharia de som, mixagem e masterização, o lançamento é o debut da produtora Abraxas como selo fonográfico e mostra os alagoanos de Maceió em sua melhor forma, tanto musical quanto em termos de produção.
Ouvir Adiante do começo ao fim é como pegar um túnel das Midlands inglesas dos anos 70 a São Tomé das Letras ou vice-versa. Enquanto a cozinha (com Lilian Lessa no baixo e Thiago Alef na bateria) marreta seus instrumentos com acento quasi-sabbatiano para o deleite do apreciador da música mais pesada, o ouvinte simultaneamente é imerso numa viagem que começa pelos cogumelos da arte da capa (mais uma vez assinada pelo excelente ilustrador Cristiano Suarez) enquanto é marinado pelas melodias e versos psicodélicos, resultando num risoto agridoce do punch instrumental com a lisergia das vozes de Lilian e Pedro Salvador, que se entrelaçam e derretem pelos alto-falantes.
Orbes, a primeira música, já demonstra a diferença que a produção faz em comparação ao álbum anterior, Nëcro (Gabriel Zander trabalhou, entre outros, em Stranded In Arcadia dos franceses do MARS RED SKY). Na faixa-título, a mistura de uma guitarra executando um riff com carregado de sotaque nordestino enquanto outra desliza o slide sobre as cordas resulta numa deliciosa carne de sol lambuzada com molho barbecue, um Warren Haynes bebendo um bourbon com gelo de água de côco imerso nas águas cristalinas de Maragogi. Definitivamente, o ponto alto da bolacha.
Temas como Viajor e Entropia representam a simbiose entre o rocker e o psicodélico. O couro come instrumentalmente numa citação a Born To Be Wild ou num solo de Hammond ao melhor estilo Jon Lord enquanto versos como 'um relógio sem ponteiros mostra o tempo que passou' são declamados, tudo na medida correta. Em Deuses Suicidas, ao falar de 'deuses, mitos, cogumelos, sincronicidade', a própria banda dá o tom do que seria a descrição psicodelicamente correta da experiência de se ouvir o disco.
Com sete faixas, o NECRO evita o fenômeno comum da era pós-CD da superpopulação dos álbuns e Adiante se mostra não só coeso como conciso. Não se trata apenas do melhor disco dos alagoanos, mas é também como uma via de escapismo lisérgico, 'na transversal, equilibrado no meio-fio do que é real', tão necessário num ano tão complicado para que, enfim, sigamos adiante.
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