Labirinto: Ainda instrumental, porém mais pesado e tempestuoso
Resenha - Gehenna - Labirinto
Por Fernando Yokota
Postado em 13 de dezembro de 2016
Anualmente, o dicionário Oxford escolhe um verbete para elegê-lo como "palavra do ano" e, em 2016, a palavra escolhida foi "post-truth" ("pós-verdade", em tradução livre). Num ambiente político que envolveu o Brexit e a campanha eleitoral nos EUA (e, de forma semelhante, a atual conjuntura política brasileira), a expressão, torrencialmente utilizada principalmente nos veículos anglofônicos, se refere às situações em que os fatos objetivos são colocados em segundo plano, sendo preteridos por convicções pessoais e pelo mero apelo emocional.
No ano em que "distopia" e "apocalipse" foram amplamente utilizados para descrevê-lo, o LABIRINTO desvela um novo capítulo em sua carreira, apresentando Gehenna ao mundo. O novo álbum, que sucede os excelentes Masao (single, 2014) e Anatema (2010), mostra a banda ainda trilhando a rota instrumental, mas desta vez mais pesado e tempestuoso.
Em termos de produção, Gehenna é um passo adiante na discografia da banda, liderada por Muriel Curi e Erick Cruxen. O som é grandioso e corrobora com a vocação cinemática das faixas, qualidade que já era percebida nos trabalhos anteriores. O nervosismo inerente em Gehenna faz com que suas faixas se aproximem mais de uma cena filmada com a câmera no ombro, com cenas tremidas, frenéticas e cortes secos, enquanto Anatema ou até mesmo Masao têm a beleza de uma tomada panoramicamente majestosa de uma grande angular.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Produzido pelo experiente Billy Anderson (NEUROSIS, MELVINS, entre outros), o álbum pode ser a porta de entrada para o ouvinte mais acostumado com o lado pesado da música. Se a sequência inicial, com Mal Sacré/Enoch/Qumran, não será estranha àquele versado no léxico metálico, o lado mais contemplativo da sonoridade da banda não foi esquecido, sendo apresentado em temas como Locrus (na qual a carga dramática introduzida pela percussão se destaca) e Aludra.
Os títulos das faixas insinuam referências que vão do Livro de Enoque à ativista birmanesa Aung Suu, passando pelo Antigo Testamento e mitologia greco-romana. Dar o play em Gehenna é como escutar o canto da sereia, chamando o ouvinte para se afogar nas águas da suposição de que se trata de um disco conceitual no clássico sentido da expressão. A obra, no entanto, não parece ter sido concebida como uma história "dura", com começo, meio e fim. Por outro lado, da arte da capa ao último minuto de audição, trata-se de uma pintura em tons de cinza, uma experiência de imersão que ecoa os tempos turbulentos no qual foi concebido.
Como trilha sonora da distopia pós-apocalíptica dos tempos da pós-verdade, Gehenna é, enfim, a resposta na forma do pós-rock nacional. Ao leitor, uma última sugestão: faça uma caneca de café, coloque o álbum em seu aparelho de som, veja a chuva através da janela caindo num fim de tarde cinzento e, por uma hora, testemunhe esse talentoso grupo de artistas brasileiros transformando o caos em arte.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Show do Iron Maiden em Curitiba é oficialmente confirmado
Rafael Bittencourt, fundador do Angra, recebe título de Imortal da Academia de Letras do Brasil
Site diz que Slayer deve fechar tour pela América do Sul ainda em 2026
A banda que o Cream odiava: "Sempre foram uma porcaria e nunca serão outra coisa"
Primavera Sound Brasil divulga seu Line-up para 2026
O álbum do Iron Maiden eleito melhor disco britânico dos últimos 60 anos
O casamento que colocou Sebastian Bach no Skid Row e Zakk Wylde na banda de Ozzy
O guitarrista que Ace Frehley considerava "um mago"
Eric Clapton elege o melhor baterista que existe, mas muitos nem sabem que ele toca
Ouça Brian May (Queen) em "Eternia", da trilha de "Mestres do Universo"
A banda dos anos 80 que Ozzy até gostava, mas ouviu tanto que passou a odiar
Kiko Loureiro terá Mauro Henrique como convidado nos últimos shows da turnê "Theory of Mind"
Iron Maiden fará show em Curitiba na turnê de 50 anos "Run For Your Lives"
Atual guitarrista considera "Smoke on the Water" a música mais difícil do Deep Purple
A música que até o Led Zeppelin achou complicada demais para levar ao palco
A característica do Heavy Metal que Humberto Gessinger acha "um saco"
A melhor faixa de abertura de um disco de Metal, segundo Max Cavalera
Assista Ivete Sangalo cantando "Dead Skin Mask", do Slayer
Espera de quinze anos vale cada minuto de "Born To Kill", o novo disco do Social Distortion
"Out of This World" do Europe não é "hair metal". É AOR
"Operation Mindcrime III" - Geoff Tate revela a mente por trás do caos
O Ápice de uma Era: Battle Beast e a Forja Implacável de "Steelbound"
"Acústico MTV" do Capital Inicial: o álbum que redefiniu uma carreira e ampliou o alcance do rock
Iron Maiden: Em 1992 eles lançavam Fear Of The Dark

