Spiritual Beggars: influência forte do Purple em disco excelente
Resenha - Sunrise to Sundown - Spiritual Beggars
Por Ricardo Seelig
Postado em 16 de abril de 2016
Nono álbum do Spiritual Beggars, "Sunrise to Sundown" quebra um silêncio de três anos e é o sucessor de "Earth Blues" (2013). Uma parada que fez bem para a banda liderada pelo guitarrista Michael Amott, que voltou com uma sonoridade arejada e mais solta.
Contando com uma formação excepcional - Apollo Papathanasio nos vocais, Sharlee D’Angelo no baixo, Per Wiberg nos teclados e Ludwig Witt na bateria, todos excelentes -, o Spiritual Beggars demonstra mais uma vez que a qualidade de seus músicos não fica apenas no papel. "Sunrise to Sundown" traz onze faixas inspiradas, seguindo o caminho dos últimos trabalhos e deixando a psicodelia de outrora de lado em favor de doses maiores de peso e feeling. Ainda que não seja agressivo quanto "Return to Zero" (2010), o novo disco compensa colocando Wiberg em primeiro plano e vestindo uma muito bem-vinda influência do Deep Purple.
O teclado e a guitarra são os elementos condutores, levando os músicos por caminhos sempre interessantes. Amott apresenta solos que trazem elementos orientais em diversas faixas, enquanto Wiberg desliza sobre as teclas com classe e enorme talento. Fechando o pacote, Apollo mostra que fez a escolha certa ao sair do Firewind e focar todas as suas forças no Spiritual Beggars. Cantando como nunca, o grego encontrou na banda o veículo ideal para explorar todas as possibilidades de sua voz.
Sem exageros, dá pra dizer que "Sunrise to Sundown" é o melhor disco lançado pelo Deep Purple em décadas (para o meu gosto pessoal, desde "Stormbringer", de 1974). Isso não quer dizer que estamos diante de uma cópia do grupo de Blackmore e Lord, mas sim de um trabalho que não esconde a sua inspiração e insere boas doses de criatividade para criar canções fortes pra caramba. Entre elas, pedradas cativantes como a música título, "Diamond Under Pressure" (filha de "Might Just Take Your Life", lá do "Burn"), "Hard Road" e "Lonely Freedom".
Mesmo sem disfarçar o aroma de dejá-vù, "Sunrise to Sundown" tem um saldo final extremamente positivo, e que deve colocar o disco entre os preferidos de quem curte um hard bem feito.
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