Megadeth: O início de um novo período na carreira da banda
Resenha - Dystopia - Megadeth
Por Ricardo Seelig
Fonte: Collectors Room
Postado em 06 de fevereiro de 2016
"Dystopia", décimo-quinto álbum do Megadeth, marca o início de um novo período na carreira da banda norte-americana. Após seis anos tendo Chris Broderick como companheiro nas seis cordas e uma década ao lado do baterista Shawn Drover, Dave Mustaine agora conta com Kiko Loureiro e Chris Adler ao seu lado (o baixista David Ellefson completa o line-up). E mexer em metade do time, logicamente, traz consequências.
Mesmo sendo um dos nomes pioneiros e mais influentes do thrash metal, o Megadeth mostra-se distante do gênero em seu novo álbum - aliás, como vem acontecendo há um bom tempo. "Dystopia" soa como um disco de heavy metal atual, contemporâneo e bem agradável aos ouvidos.
Alguns aspectos saltam aos ouvidos. O primeiro, e talvez mais marcante, seja a grande quantidade de trechos pautados pelo uso de guitarras gêmeas e solos, como se Mustaine e Loureiro se desafiassem de maneira constante durante todo o álbum. Isso faz com que "Dystopia" acabe se destacando em relação aos discos recentes do Megadeth, trazendo de volta a riqueza musical e técnica que sempre marcou a carreira de Dave Mustaine. Instrumentista de mão cheia, o líder da banda parece se sentir desafiado por Kiko Loureiro, sabidamente dono de imensa técnica - ouça "Post American World" e perceba isso que acabei de dizer. O resultado é um brinde pra quem curte a banda e um trampo afiado nas guitarras.
O outro ponto já não é positivo, principalmente no meu modo de ver. Em minha vã inocência, esperava ouvir em "Dystopia" a exuberância percussionista onipresente no Lamb of God, mas Chris Adler soa de maneira distinta no Megadeth. Isso me frustrou um pouco, porque acredito que o modo de tocar característico de Adler acrescentaria muita agressividade ao Megadeth, renovando ainda mais a sonoridade da banda. No entanto, mesmo com essa pequena decepção, é inegável que o baterista apresenta uma performance consistente, saindo de sua zona de conforto e mostrando uma nova abordagem, mais convencional, de seu instrumento.
"Dystopia" tem uma produção com timbres que me levaram de volta a "Countdown to Extinction" (1992). As guitarras soam um pouco saturadas, principalmente na execução das bases. Bateria e baixo constróem uma camada sólida e perfeitamente audível, que sustenta os vôos de Mustaine e Loureiro.
De um modo geral temos uma coleção de boas composições, com ideias interessantes durante todo o disco. O resultado final é um álbum forte, que vai muito além da simples curiosidade em ouvir como o Megadeth soaria com Kiko Loureiro e Chris Adler. A resposta é simples e direta: soa bem e rejuvenescido, com um foco maior nas guitarras, que são protagonistas durante todo o trabalho. Esse fato realça a tradição heavy metal da banda, e deverá agradar bastante os fãs.
Veredito: um bom disco, que proporciona uma audição gratificante.
Outras resenhas de Dystopia - Megadeth
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Tony Iommi recusou gravar último álbum com o Black Sabbath original
A canção que Renato Russo escreveu e a Legião Urbana preferiu esconder do público
A música do Judas Priest que tem um dos solos "mais gloriosos" do metal, segundo Rob Halford
O momento que Duff McKagan considera um dos mais importantes da história do Guns N' Roses
Canal crava a tier list definitiva do Iron Maiden e joga um disco no fundo do poço
As dez melhores músicas de thrash lançadas entre 2000 e 2020, segundo a Metal Hammer
Por que o último show do Sepultura mudou do Pacaembu para uma casa menor?
A canção que Axl Rose gravou sob efeito de cogumelos e que deixou o Guns N' Roses furioso
Metal Hammer e Classic Rock ranqueiam discografia do Metallica do pior ao melhor
Os 3 artistas considerados "rock de tiozão" pelo baixista do Nirvana Krist Novoselic em 1992
Os dois guitarristas britânicos que dominaram o blues, segundo Slash
Regis Tadeu explica por que o Slipknot deve agradecer de joelhos a Eloy Casagrande
Quando Peter Criss percebeu que o Kiss estava deixando de ser uma banda de rock
"Não chego aos pés dele"; o guitarrista contemporâneo admirado por Jimmy Page
Cinco músicas escritas em homenagem a Layne Staley (Alice in Chains)
Dimebag Darrell: namorada fala sobre a vida e a morte do músico
Journey: o famoso erro geográfico em "Don't Stop Believin'"
Megadeth: Mustaine conseguiu; temos o melhor disco em muito tempo
Megadeth - Um retorno às origens com "Dystopia"
Dave Mustaine fala sobre sequelas do tratamento contra o câncer
As dez melhores músicas de thrash lançadas entre 1983 e 1985, segundo a Metal Hammer
Em trecho de nova biografia, Dave Mustaine fala sobre demissão de David Ellefson do Megadeth
David Ellefson diz que o Megadeth não existiria sem ele
Como era o mundo do metal quando ocorreram os atentados de 11 de setembro, há 25 anos
O disco do Megadeth que tem algumas das melhores músicas do metal, segundo Scott Ian
De Sepultura a Madonna, os melhores discos lançados em 1986, segundo Scott Ian
A curiosa frase que Dave Mustaine gostaria de ver escrita em sua lápide
Metal Hammer lista discos achincalhados que merecem uma segunda chance
Metallica: And Justice For All é um álbum injustiçado?



