Dystopia: O Megadeth do futuro na visão de Dave Mustaine
Resenha - Dystopia - Megadeth
Por Lucas Dantas Loureiro
Postado em 02 de fevereiro de 2016
Não adianta. Toda vez que nos vemos diante de um lançamento do Megadeth, as comparações com o Rust in Peace surgem. Muitas vezes, por conta da própria banda, que alimenta as ilusões com "volta ao passado", "raízes do thrash", blá blá blá... E a imprensa, e os fãs, vão na onda. Aí quando o CD sai, vê-se que não era nada disso.
Porém, com Dystopia o cenário foi um pouco diferente. A banda sempre ressaltou o peso e a força das músicas, mas a volta ao passado ficou mais pela esperança de fãs e a falta de assunto da imprensa. Com (mais uma) nova formação, Dystopia aponta mais para o futuro do que o passado do Megadeth. E essa é a melhor notícia a respeito deste disco.
Solos insanos, bases complicadas, letras poderosas, melodias que juntam voz e guitarra, os gnaarrll do Mustaine... tá tudo ali fazendo jus ao selo Megadeth de qualidade. Mas ao invés de se imitar para agradar fãs, ou tentar algo que ninguém entendeu com o Super Collider, o ruivão pensou na frente e reinventou o som com ótimas ideias e uma grande ajuda de seus contratados da vez.
Chris Adler preencheu a cozinha com uma bateria muito mais criativa que o antecessor Shawn Drover. É claro que a decisão final do som é de Mustaine, mas Adler deve ter dado boas sugestões, pois as viradas são mais inspiradas, o uso do bumbo duplo é mais variado, o som é mais encorpado que o mecânico Drover produzia.
E Kiko é um alien. Guitarrista bom nunca foi problema no Megadeth e Kiko mantém a tradição. Se não fez nenhum solo daqueles que você assovia andando na rua (sim, to falando de Tornado of Souls), Kiko sentou os dedos na guitarra e criou frases que combinam com cada momento das músicas. Quando precisa ser rápido ele é e quando precisa pisar no freio, pisa. Não é só técnica. É técnica com uso certo, digno de um grande guitarrista que ele é.
Um ponto negativo - se é que se pode dizer isso - é que Dave Ellefson ficou em quarto plano neste cd. As músicas, os novos músicos, a volta, tudo isso colocou o baixista de lado e confesso que não lembro de linhas marcantes dele nas composições. Bom, paciência.
Falando em música: não considero Dystopia melhor que o Endgame, para ficar na lista dos grandes trabalhos do Megadeth. Na empolgação da primeira audição, as pessoas vão logo colocando o cd num altar dos imortais e depois ficam pensando em como tirar. Dystopia começa muito bem. "The Threat Is Real" é uma porrada considerável, mas, me perdoem, segue um pouco a linha de Kingmaker, de Super Collider. Linha de voz, palhetada da guitarra, refrão, ritmo da bateria... É mais completa que King, mas segue bem na linha.
A faixa-título e Fatal Illusion são ótimas sequências do cd, que mantém o ouvinte interessado. Dystopia, aliás, tem uma linha melódica muito bonita no vocal, um dos raros momentos que Mustaine canta neste álbum. Como se sabe, Dave Mustaine não tem mais voz e há três discos, pelo menos, que não canta, apenas fala nas músicas. Em Dystopia ele volta a conversar com a guitarra como só o Megadeth sabe fazer e o resultado é ótimo. Não é mais voz sobre guitarra pesada de fundo. Tomara que tenhamos outros momentos assim.
A porradaria segue com "Death From Within" e "Bullet to the Brain", que mostram bem o que chamo de "futuro". Peso, riffs e refrões que saem do normal que a banda sempre fez. É um som novo. Você reconhece o Megadeth ali, mas sente uma novidade na música.
E a linha segue desta forma nas quatro músicas seguintes, que se encaixariam perfeitamente no United Abominations, com refrões gritados, uma levada "pula-pula" em show, letras inteligentes e solos distribuídos na medida certa, sem soarem chatos ou repetitivos.
Mas nem tudo são flores. "The Emperor" é, desculpem, horrível. Um rock-pop pegajoso e sem sentido como "Have cool...will travel", "Forget to remember" e "Moto Psycho". Você até se anima no riff inicial, mas aí a música se repete, se repete e acaba sendo aquela coisa que podia ter ficado fora que ninguém ia sentir falta. Tal qual "Foreing Policy" - que vai roubar lugar de música da banda que poderia ser tocada em setlist ao vivo - e ""Melt The Ice Away" que fecha o cd que já deveria ter acabado bem antes.
Dystopia tem seus defeitos, mas tem muito mais méritos. Méritos que se não colocam o cd entre os cinco melhores da banda (fecha os olhos, pensa nos discos e analisa friamente), avisam ao mundo que o Megadeth ainda tem muita lenha para queimar. E lenha nova, nada de requentar e repetir o passado. É um Megadeth olhando para frente.
Outras resenhas de Dystopia - Megadeth
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



A saga de Christopher Lee no Heavy Metal
Prestes a completar 80 anos, baterista Chris Slade (AC/DC, The Firm) anuncia aposentadoria
A canção do Led Zeppelin que Robert Plant acha difícil cantar até hoje
Paul McCartney elege os 3 maiores bateristas do rock de todos os tempos
A música dos Beatles que Paul McCartney considerava tão esquecível que mal lembrava dela
O lendário baterista com quem Keith Richards odiou tocar: "Não tocava p*rra nenhuma!"
A banda de rock que não saía dos ouvidos do escritor Gabriel García Márquez
A canção de Neil Young que deixa Roger Waters praticamente sem palavras
A canção de metal que é a "melhor música do mundo" de acordo com Jack Black
A grande banda que Liam Gallagher preferiria "comer minha própria m*rda" a ir a um show deles
A banda que Angus Young chamou de "Led Zeppelin de pobre"
Foo Fighters abrirá show do AC/DC logo após o Rock in Rio
Children of Bodom é anunciado como atração do Summer Breeze 2027
O mega-clássico do Led Zeppelin que Robert Plant passou a considerar menos relevante
O guitarrista que James Hetfield considera "o cara"
A reação de Brian May ao ser eleito pela Total Guitar melhor que Jimi Hendrix
Eagles: o significado da clássica "Hotel California"
Quando Bob Dylan viu que os Beatles xerocavam; "O início de ambas as gravações é idêntico"

Megadeth: Mustaine conseguiu; temos o melhor disco em muito tempo
Megadeth: O início de um novo período na carreira da banda
Megadeth - Um retorno às origens com "Dystopia"
10 rockstars que fizeram mais sucesso depois de serem demitidos da banda, segundo a Loudwire
Dave Mustaine não sabe o que fazer com músicas que sobraram do último álbum do Megadeth
Dave Mustaine sobre o câncer: "Deus quis que eu fosse curado"
A música do Megadeth inspirada em personagem da Marvel
5 bandas que todo fã sente inveja de quem viu ao vivo na formação clássica
Como Dave Mustaine entrou para o Metallica, segundo ele mesmo
A música do Megadeth que se aproxima do death metal, segundo Dave Mustaine
O melhor álbum e música do Heavy Metal de cada ano dos anos 1980, segundo a Loudwire
Stephanie Vaquer, da WWE, gostaria que clássico do Megadeth tocasse em seu funeral
Os 50 anos de "Journey To The Centre of The Earth", de Rick Wakeman
Guns N' Roses: o último grande álbum de rock feito a mão



