Primator: Baseado em "A Origem das Espécies" de Charles Darwin
Resenha - Involution - Primator
Por Fabio Reis
Postado em 12 de julho de 2015
Primeiramente devo salientar que este não é um álbum para uma única audição. Muitas das faixas de "Involution" possuem diversas particularidades e detalhes, que em uma primeira e descompromissada escutada, passam despercebidas ao ouvinte. Tal feito, pode gerar uma análise prematura e injusta sobre o competente trabalho do grupo.
O Primator é oriundo da capital paulista, foi formado há pouco mais de seis anos e investe em um Heavy Metal tradicional, que apesar de diversas influências em bandas como Iron Maiden e Judas Priest, soa original e cheio de identidade. Não aderem a esta leva de bandas que tentam resgatar a sonoridade dos anos 80 e investem em uma proposta totalmente diferente, soam modernos porém sem nenhuma invencionice ou experimentação desnecessária que descaracteriza o estilo.
"Involution" é o debut do grupo e além de possuir ótimas composições, ainda tem um conceito muito interessante. A temática é inspirada na obra "A Origem das Espécies" de Charles Darwin e fala sobre o processo de auto destruição em que a humanidade se encontra, sugerindo que uma Involução ou uma busca pelas coisas mais simples, sejam necessárias para que possamos voltar a Evoluir novamente. Este conceito, é mostrado na capa do álbum, desenhada pelo vocalista Rodrigo Sinopoli, e mostra a escala evolutiva de trás pra frente e o homem sendo destruído pelo mascote Primator.
Partindo para a análise das canções, destaco a total despreocupação em soar extremamente rápido ou criar padrões de construção nas músicas, isto acaba sendo um diferencial positivo durante toda a audição, pois não se sabe o que esperar da próxima faixa e o fator surpresa é uma característica que gosto bastante.
O instrumental é impecável, principalmente com relação aos solos de guitarra de Diego Lima e Márcio Dassié, que são bem construídos e de um bom gosto absurdo, daqueles cheios de feeling e melodias que fixam facilmente na cabeça. A cozinha composta por Alexandre Birão (Bateria) e André dos Anjos (Baixo) é extremamente competente e os vocais de Rodrigo Sinopoli são um show a parte, com um estilo bem diferenciado da maioria dos vocalistas que vemos por aí e um alcance absurdo em notas mais altas.
Algumas das composições primam por possuírem refrões empolgantes, como as ótimas "Primator", "Deadland" e "Erase The Rainbow". "Flames Of Hades" possui uma climatização excelente e a cadenciada "Caroline", com uma virada inesperada no final e linhas de guitarra muito boas são outros momentos que agradam. As melhores do álbum, na minha ótica são "Black Tormentor" e "Face The Death", diretas e certeiras. O disco ainda conta com a bela balada "Let Me Live Again", e as competentes "Praying For Nothing" e a faixa título.
https://soundcloud.com/bandaprimator/black-tormentor
"Involution" é um ótimo registro de estréia, talvez o que mais gostei em se tratando de metal nacional em 2015, juntamente com o "O Caos da Razão" do Anthares. O Primator é uma banda que não se prende ao passado, tem suas influências, mas não são prisioneiros delas, não tentam ser meras cópias das mesmas e possuem algo bem difícil de se encontrar hoje em dia: Originalidade. Banda promissora e altamente recomendada!
Integrantes:
Rodrigo Sinopoli (Vocal)
Márcio Dassié (Guitarra)
Diego Lima (Guitarra)
André dos Anjos (Baixo)
Alexandre Birão (Bateria)
Faixas:
1 - Primator
2 - Deadland
3 - Flames Of Hades
4 - Caroline
5 - Black Tormentor
6 - Let Me Live Again
7 - Face The Death
8 - Erase The Rainbow
9 - Praying For Nothing
10 - Involution
Outras resenhas de Involution - Primator
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