The Gentle Storm: Arjen Lucassen desbrava o metal sinfônico
Resenha - Diary - Gentle Storm
Por Victor de Andrade Lopes
Fonte: Sinfonia de Ideias
Postado em 26 de março de 2015
Nota: 8 ![]()
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The Gentle Storm é um projeto fundado em 2014 pelo multi-instrumentista Arjen Anthony Lucassen (Ayreon, Star One, Guilt Machine, Ambeon, Stream of Passion) e a cantora Anneke van Giersbergen (The Gathering), ambos holandeses. Com uma proposta diferenciada no universo de Arjen, o lançamento de estreia da dupla, The Diary, consiste em um álbum duplo, com cada metade contendo exatamente a mesma lista de faixas, mas em versões diferentes. O primeiro álbum, o álbum "gentle" ("suave"), traz as faixas em versões acústicas e folk. Já o outro álbum, o "storm" ("tempestade"), traz as mesmas faixas em uma roupagem do mais pesado metal.
A ideia de trabalhar uma mesma faixa em versões contrastantes não é, claro, a descoberta da pólvora. Quem jogou Banjo Kazooie deve se lembrar da fase Click Clock Wood, que tinha quatro ambientes (cada um dedicado a uma estação do ano) e uma mesma música cujo clima variava de acordo com a época escolhida. A própria Gruntilda's Lair, caverna que dá acesso às fases do jogo, apresentava um mesmo tema que variava quando o jogador se aproximava da entrada de alguma fase.
Enfim, o conceito trazido por Arjen e Anneke aqui, mesmo que não seja inédito, é bem-vindo e ganha pontos pela tentativa de adotar uma dinâmica nova. Há duas maneiras de se apreciar este álbum: ouvindo as faixas na ordem em que são apresentadas (o que significa ouvir o CD "Gentle" inteiro, e depois o "Storm"), ou então ouvir as faixas em sequência, mas alternando suas duas versões (versão "gentle" e "storm" da primeira faixa, versão "gentle" e "storm" da segunda, e por aí vai).
Ouvi-lo da primeira forma pode virar uma experiência tediosa no álbum "Gentle", que vai ficando sonolento na segunda metade, especialmente se você está acostumado com os álbuns predominantemente pesados de Arjen. Já a segunda forma permite entender melhor o contraste entre cada versão.
A primeira preocupação em um projeto de Arjen com um só vocalista (posto que ele geralmente contrata vários) é se a voz dará conta do recado. Neste caso, é uma pergunta desnecessária, primeiramente porque Anneke tem uma voz belíssima, que entra direto na alma. E também porque as melodias são pegajosas e engrandecidas pelo uso de backing vocals da própria Anneke, e você pode se pegar cantarolando uma música que acabou de conhecer.
Embora elementos orquestrais não sejam novidade na música de Arjen Anthony Lucassen, é neste álbum que ele chega mais perto do que se poderia chamar de metal sinfônico, com direito a coral e tudo. Nada próximo de um Nightwish, claro, mas ainda assim os poucos instrumentistas eruditos quase valeram por uma orquestra inteira.
Menos diversificado que aquilo que Arjen costuma produzir, The Diary ainda consegue ter muitos pontos altos. A versão tempestade de "Shores of India" é talvez a melhor do disco. Sua versão "gentle" também não deixa nada a desejar, com sua introdução conquistando o posto de momento mais exótico do álbum e provavelmente de toda a carreira de Arjen. O encerramento "Epilogue: The Final Entry" repete o contagiante refrão de "The Moment", em ambas as versões. A versão "gentle" de "Brightest Light" começa com uma cativante linha de contrabaixo, transformada em um épico riff de guitarra na versão "Storm". A parte mais divertida da audição do álbum é justamente comparar as versões, e ficar se perguntando qual foi composta primeiro, se aquele riff foi pensado como folk e depois "metalizado" ou vice-versa.
Por mais que Arjen seja um músico do tipo "tudo que toca, vira ouro", não se pode negar que lançar um álbum com uma formação relativamente enxuta pode ter custado a grandiosidade que se viu, por exemplo, em The Theory of Everything, do Ayreon. Mas, ei, quando foi que ele prometeu o álbum dos álbuns? A voz de Anneke é deliciosa de se ouvir, e os riffs de Arjen, já bem característicos, não falharão em empolgar os velhos fãs. E o abuso sem precedentes de elementos exóticos é muito bem-vindo. O que mais se pode pedir de um disco de estreia de dois músicos consagrados?
Abaixo, os lyric vídeos de "Endless Sea", em suas duas versões:
Track-list:
CD1: Gentle
1 "Endless Sea" (versão "gentle")
2 "Heart of Amsterdam" (versão "gentle")
3 "The Greatest Love" (versão "gentle")
4 "Shores of India" (versão "gentle")
5 "Cape of Storms" (versão "gentle")
6 "The Moment" (versão "gentle")
7 "The Storm" (versão "gentle")
8 "Eyes of Michiel" (versão "gentle")
9 "Brightest Light" (versão "gentle")
10 "New Horizons" (versão "gentle")
11 "Epilogue: The Final Entry" (versão "gentle")
CD2: Storm
1 "Endless Sea" (versão "storm")
2 "Heart of Amsterdam" (versão "storm")
3 "The Greatest Love" (versão "storm")
4 "Shores of India" (versão "storm")
5 "Cape of Storms" (versão "storm")
6 "The Moment" (versão "storm")
7 "The Storm" (versão "storm")
8 "Eyes of Michiel" (versão "storm")
9 "Brightest Light" (versão "storm")
10 "New Horizons" (versão "storm")
11 "Epilogue: The Final Entry" (versão "storm")
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