The Gentle Storm: um belo e curioso estudo musical
Resenha - Diary - Gentle Storm
Por Ricardo Seelig
Postado em 15 de fevereiro de 2016
Todos conhecem Arjen Anthony Lucassen e Anneke van Giersbergen. O primeiro é um dos mais prolíficos e criativos músicos da cena prog (e metal), a mente criativa por trás de nomes como Ayreon e Stream of Passion. Já Anneke ficou conhecida em todo o mundo pela sua passagem no The Gathering, e mais recentemente em sua nova banda, Agua de Annique. Resumindo: dois artistas acima de qualquer suspeita, respeitados e cheios de talento.
Arjen e Anneke juntaram forças no The Gentle Storm, projeto criado em 2014 que tem como objetivo unir a música clássica ao heavy metal, o rock à música folclórica. E o resultado final está em "The Diary", estreia da dupla. Por mais que diversas bandas tenham trilhado caminhos semelhantes, e por isso mesmo você possa até olhar com certa desconfiança para o The Gentle Storm, o fato é que poucas conseguiram alcançar um resultado final tão primoroso quanto o que ouvimos em "The Diary".
O álbum é duplo e traz onze faixas em cada um de seus discos. Na verdade, são as mesmas onze faixas nos dois CDs, porém com arranjos e abordagens completamente distintas. O primeiro, batizado como "The Gentle Album", contém interpretações que vão na linha da música clássica e medieval, com instrumentações da época e arranjos que remetem à Idade Média, em um belíssimo trabalho de composição e pesquisa que faz você se sentir, por exemplo, como um cidadão de Porto Real, um personagem de Game of Thrones. Já o segundo CD, chamado "The Storm Album", pega as mesmas músicas e insere o rock, o prog e o metal na jogada, trazendo interpretações contemporâneas para as composições. E, outra vez, a qualidade é ostensiva.
Pra quem procura entender as múltiplas possibilidades que a música proporciona, é muito interessante ouvir cada uma das canções em suas diferentes abordagens, e perceber como cada instrumento foi adicionado, como cada detalhe foi evidenciado. É um exercício pra lá de produtivo, e que deixa ainda mais forte a paixão pela música.
São faixas fortes, com coros grandiosos e melodias emocionantes, que sempre pegam o ouvinte pelo coração, conduzindo-o por caminhos repletos de beleza. Sem destaques individuais mas com uma inegável força conjunta, o tracklist é nivelado por cima, assim como as performances de Anneke, Arjen e dos músicos convidados.
The Diary é um disco muito bonito, um estudo musical curioso e interessante, que cativa por sua inegável qualidade.
Excelente trabalho!
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