U2: Novo trabalho pode ser resumido como sendo saudosista

Resenha - Songs of Innocence - U2

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Por Doctor Robert
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Nota: 9


Recentemente Ian Gillan, do Deep Purple, reclamou em entrevista sobre o rótulo "Classic Rock" que foi criado nos últimos tempos, como se fosse um gênero musical, tornando-os reféns de "Smoke On The Water" e "Highway Star", pois aparentemente o público não se interessava pelas músicas novas. O U2, uma banda que não cansa de surpreender, fez o contrário e abraçou de vez o rótulo com este trabalho saudosista contando com a parceria da tecnologia moderna - envelhecendo junto aos seus fãs mais antigos e abraçando a garotada que continua a descobrir seu som. Numa jogada de marketing junto à Apple durante o lançamento do cobiçado iPhone 6 o quarteto irlandês lança gratuitamente seu novo álbum, "Songs of Innocence" - dizer que é um lançamento exclusivo para usuários do sistema iOS seria de uma inocência sem tamanho, com o perdão do trocadilho, visto que o álbum neste momento já deve estar pipocando por diversos servidores de download e torrents mundo afora...

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Com o lançamento oficial (do CD físico) previsto para o próximo mês, Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry Mullen se tornam o centro das atenções no mundo musical, tanto pela mídia quanto pelos fãs - com certeza 99,9% dos seguidores do grupo já deve ter ouvido as novas canções neste momento, recriando aquele clima de quando não havia internet e todos corriam para as lojas para comprar um disco novo e voavam para a casa para ouvir.

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Marketing à parte, o novo trabalho do grupo pode ser resumido em uma palavra: saudosismo. E o saudosismo citado acima, de criar um alvoroço com o lançamento de um disco, é apenas um dos diversos tipos que vêm à tona. Há algum tempo o U2 já sinalizava que este álbum seria uma volta aos velhos tempos, e o que vemos, tanto nos conteúdos das músicas quanto na parte gráfica do álbum é uma verdadeira viagem no tempo.

A começar pela capa, que reproduz um disco de vinil dentro de uma embalagem branca apenas com o logo da banda e a sigla "LP" manuscrita em destaque. Já no encarte (sim, o trabalho completo foi disponibilizado digitalmente), tudo escrito reproduzindo as velhas máquinas de datilografia (que a garotada de hoje em dia não deve nem sonhar o que seja). E as letras, escritas a quatro mãos por Bono e The Edge, todas remetem a momentos pessoais do grupo, tudo devidamente explicado no encarte.

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Há homenagens aos grandes ídolos: "The Miracle (of Joey Ramone)", que já diz tudo em seu título - e em sua letra onde lembram da primeira vez que ouviram aos Ramones ("O som mais bonito que já ouvi") ; "California (There is No End to Love)", cujos vocais iniciais já entregam que trata dos Beach Boys - Bono relata no encarte que em sua primeira visita à Califórnia, fazia questão de ir à casa de Brian Wilson, pois imaginava um piano no meio da areia da praia; "This Is Where You Can Reach Me" por sua vez é dedicada a Joe Strummer, do The Clash - inspirada em um show assistido por eles ainda garotos, em 1977 (no encarte: "Joe Strummer era um soldado e sua guitarra era sua arma").

No túnel do tempo do disco, revisitamos ainda o U2 de "Achtung Baby" em "Sleep Like a Baby Tonight" e ainda a sonoridade do grupo no começo deste século - "Song For Someone", belíssima canção que fala de amor, poderia perfeitamente fazer parte de "All That You Can't Leave Behind".

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Há ainda espaço para temas mais pessoais, como "Iris (Hold Me Close): numa sonoridade U2 clássica, com as guitarras reverberadas de The Edge, Bono relembra a perda da mãe quando ele ainda era adolescente. Um clássico instantâneo. Já em "Every Breaking Wave" criador e criatura se fundem: o U2 aqui apresenta alguns ecos de Coldplay, banda fortemente influenciada por eles próprios, numa canção que pode desagradar alguns, mas com certeza vai ganhar a maioria dos ouvintes.

Na moderninha "Volcano", Bono brada: "VOCÊ É ROCK N ROLL / VOCÊ E EU SOMOS ROCK N ROLL", em uma das faixas onde o U2 soa mais contemporâneo em todo o álbum, assim como na faixa final "The Troubles", com suas influências eletrônicas e participação da cantora sueca Lykke Li. Deve gerar também algumas controvérsias...

Resumindo, o U2 mudou, "só que não"... que bom!

U2 - Songs of Innocence

Produzido por Danger Mouse, Paul Epworth, Ryan Tedder, Declan Gaffney e Flood

1 - "The Miracle (of Joey Ramone)"
2 - "Every Breaking Wave"
3 - "California (There Is No End to Love)"
4 - "Song for Someone"
5 - "Iris (Hold Me Close)"
6 - "Volcano"
7 - "Raised by Wolves"
8 - "Cedarwood Road"
9 - "Sleep Like a Baby Tonight"
10 - "This Is Where You Can Reach Me"
11 - "The Troubles"


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Sobre Doctor Robert

Conheceu o rock and roll ao ouvir pela primeira vez Bohemian Rhapsody, lá pelos idos de 1981/82, quando ainda pegava os discos de suas irmãs para ouvir escondido em uma vitrolinha monofônica azul. Quando o Kiss veio ao Brasil em 1983, queria ser Gene Simmons e, algum depois, ao ver o clipe de Jump na TV, queria ser Eddie Van Halen. Hoje é apenas um bom fã de rock, que ouve qualquer coisa que se encaixe entre Beatles e Sepultura, ama sua esposa e juntos têm um cãozinho chamado Bono.

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