Edguy: no futuro, poderá ser um clássico
Resenha - Space Police - Defenders of the Crown - Edguy
Por Victor de Andrade Lopes
Fonte: Sinfonia de Ideias
Postado em 25 de abril de 2014
Nota: 8 ![]()
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Desde o final de 2013, os fãs que seguem TOBIAS SAMMET no Twitter tiveram suas linhas do tempo inundadas por dois tipos de mensagens do músico: cornetadas em favor de seu time do coração, Bayern de Munique, e muitas exaltações ao som do então futuro álbum do EDGUY. Já é de praxe as bandas dizerem sempre que o seu próximo trabalho será o melhor de todos, mas TOBIAS bateu tanto nesta tecla que era necessário lhe dar um voto de confiança.
A volta às raízes do EDGUY não foi tão abrupta quanto parece. Desde o Rocket Ride, talvez o mais "pop" da banda, o grupo vem fazendo uma sequência de álbuns que vão ficando mais pesados e densos. Mas enfim, a boa notícia é que TOBIAS não estava fazendo mera propaganda enganosa.
A faixa de abertura "Sabre & Torch" poderia ser considerada uma porrada na cara, mas o bom fã do TOBIAS logo se frustra ao perceber que o riff foi descaradamente chupado de "Invoke the Machine", canção presente em The Mystery of Time, o álbum mais recente do AVANTASIA (metal opera e projeto paralelo de TOBIAS). Curiosamente, o líder TOBIAS aborda justamente as diferenças entre suas duas bandas ao falar desta faixa no encarte do disco.
A criatividade aumenta na primeira faixa-título, "Space Police" (apesar de que o bom fã do TOBIAS entrará em ação novamente e associará o riff de teclado inicial com o riff de abertura de "King of Fools", do clássico Hellfire Club]>). A faixa, aliás, foi feita para criticar aqueles que querem limitar o heavy metal - no gênero, assim como no espaço sideral, não deveria haver regras. Inclusive, a gravadora não queria que este termo fosse usado no título, por achar que não combinaria com o gênero musical. Mas a banda resolveu aplicar o "foda-se" e combinou os dois termos para formar um título inusitado. No disco 2 da edição limitada, em meio a várias versões instrumentais de algumas faixas (incluindo esta), há uma versão progressiva de "Space Police". As diferenças entre ambas são bem pequenas, contudo.
A outra faixa-título, "Defenders of the Crown", é talvez a melhor do disco. Remete imediatamente aos álbuns clássicos do EDGUY, com direito a uma talk box no estilo BON JOVI. A letra é meio metalinguística e fala do próprio metal - em entrevista ao site francês RockNLive.org, TOBIAS explicou que "Defenders of the Crown" (Defensores da Coroa) significa que o EDGUY é o verdadeiro defensor da coroa do heavy metal.
"Love Tyger", que ganhou um vídeo com animações dos membros da banda, é uma faixa bem glam/hard rock, mostrando que TOBIAS não pretende mais deixar o estilo de lado, para desgosto de alguns fãs mais conservadores.
"Rock Me Amadeus", do finado cantor austríaco FALCO, é a última música que você esperaria ouvir regravada por uma banda de heavy metal. Se bem que, depois de o CHILDREN OF BODOM regravar "Oops!... I Did It Again", podemos esperar qualquer coisa. Enfim, é interessante ouvir TOBIAS cantando em alemão (mesmo que com sotaque vienense), mas a verdade é que a faixa "sobra" na edição regular e quebra uma linha coesa de raciocínio musical. Ficaria bem melhor como faixa bônus. A própria gravadora, prevendo reações hostis dos fãs, sugeriu que a banda deixasse o cover de fora, mas o grupo se recusou a fazê-lo. E o preço pode sair um pouquinho caro.
Fechando o disco, a ótima e épica "The Eternal Wayfarer", disputando o título de melhor do disco com "Defenders of the Crown". Talvez a presença de riffs com toques progressivos, glam e hard, misturados a um brilhante trabalho de órgão (provavelmente tocado por MICHAEL RODENBERG (a.k.a. MIRO), que aparece no encarte como responsável pelas partes mais "desafiantes" nos teclados) e solos muito bem executados por JENS LUDWIG ajudem a definir quem de fato levou a melhor aqui.
O álbum inclui ainda as pesadas "The Realms of Baba Yaga" e "Shadow Eaters" e a pop "Do Me Like a Cavemen" (as duas últimas escritas por JENS). Vale a pena comprar o disco ou baixá-lo via iTunes para conferir os comentários faixa-a-faixa escritos por TOBIAS.
Como faixas bônus, TOBIAS nos presenteou com "England", um divertido ode ao país europeu, com direito a referências ao IRON MAIDEN e aos BEATLES; e "Aychim in Hysteria", uma letra-tributo ao engenheiro de som ao vivo da banda ao mesmo tempo em que homenageia os britânicos do DEF LEPPARD musicalmente (especificamente o álbum Hysteria); além de várias versões instrumentais de faixas regulares, conforme já mencionado.
Voltas às raízes são sempre arriscadas e nem sempre o artista entrega o que o fã espera - vide o Pariah's Child, do SONATA ARCTICA. No caso do EDGUY, a banda acertou na maior parte, mas alguns elementos "estranhos" como "Love Tyger" e "Rock Me Amadeus" comprometem a consistência do disco. De qualquer forma, não deixa de ser um bom trabalho, e provavelmente figurará na lista de clássicos da banda no futuro. E nem se atreva a fazer TOBIAS pensar o contrário - ele tem usado seu Twitter para esculachar fãs dissidentes, já que o maior time de futebol da Alemanha parece não ocupar suficientemente o seu tempo.
Abaixo, o lyric video de "Sabre & Torch":
Track-list:
1 - "Sabre & Torch"
2 - "Space Police"
3 - "Defenders of the Crown"
4 - "Love Tyger"
5 - "The Realms of Baba Yaga"
6 - "Rock Me Amadeus"
7 - "Do Me Like a Caveman"
8 - "Shadow Eaters"
9 - "Alone in Myself"
10 - "The Eternal Wayfarer"
CD 2 da edição limitada:
1 - "England"
2 - "Aychim in Hysteria"
3 - "Space Police" (versão progressiva)
4 - "Space Police" (versão instrumental)
5 - "Love Tyger" (versão instrumental)
6 - "Defenders of the Crown" (versão instrumental)
7 - "Do Me Like a Caveman" (versão instrumental)
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