O truque de estúdio que tornou o "Master of Puppets" ainda mais rápido do que já seria
Por Bruce William
Postado em 03 de março de 2026
Quando "Master of Puppets" saiu em 1986, muita gente ouviu aquilo e pensou: "isso aí não é humano". E, em parte, a sensação tem um motivo bem concreto: alguns trechos rápidos do álbum não foram capturados exatamente do jeito que você imagina, em velocidade final, do começo ao fim, tudo "no braço" sem nenhum ajuste.
O ponto não é desmerecer a banda - até porque o Metallica sempre tocou essas músicas ao vivo (às vezes até mais rápido). A questão é que, no estúdio, existe um caminho clássico para chegar num resultado mais preciso, mais agressivo e com aquele "encaixe" que vira referência. No caso, mexendo na velocidade da fita.

Quem contou isso foi Flemming Rasmussen, produtor que trabalhou com o Metallica, ao falar sobre as dificuldades e soluções de estúdio na época, em fala resgatada pela Metal Injection: "Eu sei que algumas das músicas em 'Master of Puppets' nós na verdade gravamos elas mais baixas e depois fizemos 'varispeed' pra cima, para ficar ainda mais 'redondo' - esse é um dos truques que você pode usar no estúdio. Mas, sim, eu não lembro desse ponto específico. Era só difícil pra ele fazer aquilo e, claro, se você consegue pular isso, você quer pular."
A palavra-chave aí é varispeed: você grava em uma velocidade e depois muda a velocidade de reprodução. O resultado final não é só "mais rápido". Ele muda a sensação de ataque, muda a tensão, muda a impressão de "máquina", especialmente em partes com palhetada para baixo, em sequência, no limite.
Quem explicou o mecanismo com mais detalhe foi o produtor Eyal Levi. Ele descreveu o processo como era feito no analógico e por que isso altera tanto a percepção: "Para 'Master of Puppets', eles gravaram algumas das partes rápidas e técnicas um pouco mais lentas e também afinados um pouco mais baixo. Aí eles aceleraram a fita analógica na reprodução. Isso fez duas coisas. Primeiro, fez a performance final soar absurdamente apertada e precisa em velocidades quase desumanas. Fazer downpicking na música 'Master of Puppets' ainda é brutalmente difícil. Você devia tentar. Boa sorte. Segundo, acelerar a fita subiu o pitch das guitarras, dando esse brilho e ataque únicos."
Ou seja: não foi um "efeito psicodélico" ou brincadeira de estúdio. Foi uma maneira de chegar no nível de precisão que aquela música pedia, sem perder o impacto. O Levi ainda chama atenção para como essa lógica continua viva até hoje: "O motivo pelo qual o Metallica fez isso é o que importa aqui. Não foi por um efeito psicodélico. Foi para atingir um nível de precisão e agressividade que a velocidade da música exigia. É exatamente o mesmo motivo pelo qual tantas bandas hoje pegam trechos técnicos e gravam, tipo, a 95% ou 90% da velocidade e depois levam a 100%. Então, se você acha que gravar mais devagar para acertar uma parte é um truque digital, você está errado."
No fim, isso ajuda a explicar por que "Master of Puppets" ficou com essa assinatura tão marcante: parece "apertado demais" para ser acidental. Tem técnica de execução, tem arranjo bem pensado, e tem engenharia de estúdio trabalhando a favor da pancada - inclusive com um efeito colateral sonoro que muita gente nem percebe: a guitarra fica com um tipo específico de brilho quando o pitch sobe junto com a aceleração.
A moral prática (sem drama) é a que o próprio texto sugere: se você já se sentiu um lixo tentando tocar "Master of Puppets" igual ao disco, calma. Tem mão pra caramba ali - mas também tem decisão de estúdio para deixar aquilo com cara de "precisão implacável".
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Mastodon oficializa nova formação, que conta com músico brasileiro
A banda que bateu um recorde dos Beatles e afundou em poucos anos
Nicko McBrain surpreende ao eleger os álbuns do Iron Maiden do pior ao melhor
O disco de 1983 que Dave Grohl sabe tocar de cor e salteado; "Conheço cada virada de bateria"
Ex-baterista do Guns N' Roses fala sobre o Axl Rose que a maioria não conhece
O lado bom e o ruim de fazer shows na América do Sul, segundo o líder do Iron Maiden
A música do AC/DC que Angus Young escolheu como sua favorita na guitarra
Mick Jagger não vê nada de bom em envelhecer, mas admite uma vantagem inesperada
Iron Maiden transforma primeiro festival próprio em celebração monumental de 50 anos
Jennifer Finch, baixista da L7, diagnosticada com agressivo câncer cerebral
Rock e Heavy Metal - lançamentos de faixas, álbuns e mais novidades
5 músicas que quando tocam no show todo fã de metal entra no mosh na hora
Bill Ward sobre Ozzy Osbourne: "Sinto saudades dele todos os dias"
A opinião de Steve Harris, do Iron Maiden, sobre o The Darkness
As duas faces de Freddie Mercury que até Brian May tinha dificuldade de decifrar

5 hits que quando tocam no show todo fã de rock vai pegar cerveja ou ir ao banheiro
O disco ideal para começar a ouvir heavy metal, segundo o WatchMojo
Os 20 maiores hinos do heavy metal, em lista do WatchMojo
O riff mais tocado na maior loja de guitarra do mundo: "Antes era Stairway to Heaven"
As 20 melhores músicas do metal moderno, segundo o WatchMojo
O guitarrista que James Hetfield queria ter sido antes de criar o Metallica
5 músicas de heavy metal que até quem não gosta conhece
O guitarrista que fez Kirk Hammett se sentir culpado por ter comprado guitarra muito barata
O músico que Hetfield achava ser "muito" para o Metallica; "ele jamais se juntaria a nós"
Integrante do Metallica se ajoelhou no chão ao reconhecer ex-guitarrista do Sepultura
A opinião de Dave Mustaine sobre habilidades de James Hetfield na guitarra


