Bigelf: A volta do Majestoso Elfo com Portnoy nas baquetas
Resenha - Into the Maelstrom - Bigelf
Por Mário Liz
Postado em 21 de março de 2014
Nota: 8 ![]()
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Eis que o que hibernava despertou: e que hibernação! Após o estrondoso e espetacular "Cheat the Gallows" de 2008, o Bigelf retorna à vida. Alterações na formação da banda e talvez o estresse causado pelo sucesso do álbum anterior motivaram este hiato de 6 anos. Damon Fox, líder e mente criativa do conjunto, quase jogou a toalha. Foi por pouco. No entanto, o apoio de seus amigos, dentre eles o ex-Dream Theater Mike Portnoy, motivou o retorno desta verdadeira "nave espacial psicodélica" que flerta com grandes ícones do passado, como Beatles, Black Sabbath, Pink Floyd, King Crimson, Deep Purple, Uriah Heep... dentre outros dinossauros.
"Into the Maelstrom" conta com Damon Fox em suas funções de sempre: vocais, teclados e guitarra; Duffy Snowhill no baixo, Luis Maldonado na guitarra e Mike Portnoy na bateria. Inteligentemente, MP (um dos bateristas mais talentosos e versáteis do mundo) se propôs a tocar nas características da banda e em nada alterou a concepção de bateria adotada pelo Bigelf desde 1991, o mesmo valendo para Luis Maldonado, que manteve a pegada e a timbragem dos guitarristas anteriores.
O álbum inicia com a faixa "Incredible Time Machine", uma canção forte que, com seus 4 minutos, sintetiza muito bem a proposta do Bigelf através dos seus 23 anos de vida. A música funciona como uma fusão entre Beatles e Black Sabbath, com a psicodelia do Pink Floyd no início da carreira. "Hypersleep" é um pouco mais psicodélica que a faixa anterior e tem um andamento mais rápido em seu segundo riff que faz lembrar as grandes bandas de rock da década de 70 como Uriah Heep, Black Sabbath e Deep Purple. "Already Gone" tem a maior influência do álbum: Beatles. Nunca um álbum do Bigelf teve tanta influência do Fab Four de Liverpool e isto certamente se deu devido ao mentor das composições: Damon Fox. Este trabalho recente é praticamente filho de uma única célula compositora e, nele, Damon praticamente expôs toda sua veia musical aos ouvintes.
"Alien Frequency" é uma canção que mostra um Bigelf disposto a inovar com timbres novos de teclado e um refrão marcante – talvez o mais marcante do álbum. Seu riff de guitarra que surge em alguns momentos da canção lembra "After Forever" do Black Sabbath. "The Professor & the Madman" começa com uma pegada "oriental" e evolui para uma típica canção do Bigelf: sombria, perturbadora e muito bem trabalhada. "Mr. Harry McQuhae" é uma canção reflexiva, com um belo solo de guitarra e que traz um incidental de um trabalho anterior, "The Bitter End" do álbum "Money Machine". "Vertigod" soa como se os Beatles fossem um quarteto raivoso. E outro dado curioso sobre essa música é que alguns trechos dela foram postados como teaser do novo CD no facebook da banda. "Control Freak", faixa de trabalho do álbum, é sem dúvida alguma a grande canção de ITM. Agressiva, direta e perturbadora, ela está entre as melhores músicas lançadas no rock em 2014, além de também figurar nos teasers que a banda postou em sua página.
"High" é arrastada, progressiva e introspecta. A partir de seus 2min ela ganha um riff rápido e poderoso que a deixa com pitadas de Hard Rock setentista. Não é uma música fácil de assimilar ao primeiro contato, mas é uma excelente canção. "Edge of oblivion" segue uma fórmula parecida e em certos trechos remete à "Counting Sheep", do trabalho anterior da banda. "Theater of Dreams" (sim... isso é uma música do álbum e não uma piada de Mike Portnoy!) tem 101% de Beatles em sua cadência e harmonia. Ela funciona como a balada do álbum. Se compararmos "ITM" com "Cheat The Gallows", "Theater os Dreams" seria "Money it’s Pure Evil". Finalmente o álbum fecha suas portas com sua canção homônima, um épico com três movimentos. É extremamente progressiva e nela pode-se perceber pitadas de Beatles, Pink Floyd, King Crimson e Black Sabbath.
De modo geral, "Into The Maelstrom" é um álbum mais soturno se comparado aos outros do Bigelf, no entanto, apesar da proposta da banda em toda sua história ser de executar um "rock-retrô" em homenagem aos seus ídolos, este novo trabalho é o mais autoral da história do conjunto. Ponto para Damon... que manteve a qualidade das obras anteriores e trouxe um novo frescor ao Majestoso Elfo.
1. Incredible Time Machine
2. Hypersleep
3. Already Gone
4. Alien Frequency
5. The Professor & The Madman
6. Mr. Harry McQuhae
7. Vertigod
8. Control Freak
9. High
10. Edge of Oblivion
11. Theater of Dreams
12. ITM - I. Destination Unknown
II. Harbinger Of Death
III. Memorie
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