Iron Maiden: A "Era de Ouro" da banda

Resenha - Number of the Beast - Iron Maiden

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Por Luis Fernando Ribeiro
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Considerado por muitos um dos maiores clássicos do Heavy Metal, "The Number of the Beast" marca a entrada do vocalista Bruce Dickinson (Ex-Samson) no IRON MAIDEN. Com este disco é iniciada a época conhecida por muitos como 'Era de Ouro' da banda, que findaria com o clássico "Seventh Son of a Seventh Son", de 1988. Ainda assim, muitos dos fãs do som mais cru e com uma pegada mais punk adotada na fase de Paul Di'Anno, torceram o nariz para a nova roupagem do som da Donzela. Muitos deles diziam que Dickinson gritava como uma sirene.
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Não obstante, "The Number of the Beast" elevou o IRON MAIDEN ao patamar de mega-banda e tornou-se um verdadeiro marco para a história da música pesada em geral. Daqui saíram alguns dos maiores clássicos da banda, como "Run to the Hills", "Hallowed be thy Name" e a própria "The Number of the Beast".

Já na primeira faixa, "Invaders", a banda mostra à que veio. O entrosamento das guitarras de Adrian Smitth e Dave Murray é monstruoso, Clive Burr se mostrava cada vez mais preciso e agressivo, Steve Harris já se tornava um dos maiores baixistas do Heavy Metal, com sua técnica apurada, velocidade e feeling estonteantes e Bruce Dickinson mostra que definitivamente vinha para ficar, sua interpretação e personalidade davam vida as letras de Harris e sua técnica vocal elevou a banda a outro nível musical, dando mais liberdade criativa aos demais músicos. A letra fala sobre uma batalha entre Vikings e Saxões, na qual os Vikings saíram vitoriosos.

Na semi-balada "Children of the Damned", Dickinson é o destaque, seu alcance vocal é impressionante. A forma que a música vai crescendo e se tornando poderosa é sua principal característica. Uma letra forte contrasta com uma canção cheia de melodias tanto nas guitarras quanto no baixo.

A terceira faixa, "The Prisioner", é um verdadeiro petardo. Direta e com um refrão grudento cantando com o apoio dos backing vocals, ela pega o ouvinte de surpresa com sua levada mais Hard, sem muitas frescuras. O baixo de Harris novamente impressiona com sua versatilidade. Sua letra é baseada na série de mesmo nome, inclusive tendo sua introdução tirada de um diálogo da mesma.

"22 Acacia Avenue" é a mais pesada do álbum e a melhor na minha opinião, figurando facilmente entre as melhores da banda. O riff inicial é empolgante e o solo melancólico de Adrian Smith está entre os melhores da história da banda. A letra também é marcante e fala novamente sobre a prostituta Charlotte, já citada na música "Charlotte the Harlot", do primeiro disco. Uma música empolgante do inicio ao fim, onde todos os músicos se destacam individual e coletivamente.

"The Number of the Beast" é uma das músicas mais importantes da história da banda, apesar de uma letra não tão interessante, ela causou polêmica na época. Por causa do álbum e desta música, a banda foi acusada de incitar o culto ao demônio, quando tudo não passava de diversão para os músicos que aproveitavam o marketing gerado pelas críticas de forma a venderem ainda mais cópias do álbum. A introdução narrada por Barry Clayton é um dos pontos altos nos shows da banda, e o riff inicial também é um dos mais conhecidos do Heavy Metal.

Na sequência temos "Run to the Hills", o maior 'hit' do álbum e presença confirmada em todos os shows da banda, especialmente no 'bis'. A famosa levada de bateria e riffs que introduzem a música chamam a atenção já de cara, o refrão é daqueles que não saem da cabeça, mas o ritmo galopante imposto por Harris e Burr ao restante da música é que a tornam incrivelmente empolgante. A letra fala sobre a invasão da América do Norte pelos europeus e a morte dos índios que lá habitavam.

"Gangland" é a que menos se destaca, pois soa um pouco forçada, mas possui um refrão interessante e melhora com o decorrer da música. Essa faixa poderia ter sido facilmente substituída por Total Eclipse, que ficou deixada como lado B de um Single, como sobra de estúdio. "Total Eclipse" é uma música bastante cadenciada, mas não menos empolgante o restante do álbum. A música dá uma acelerada em certo momento, mas Dickinson a torna realmente interessante com sua interpretação por volta de 3 minutos e 5 segundos de execução.

O desfecho se dá com a épica "Hallowed be thy Name", outro grande clássico onde Harris pela primeira vez apresenta um estilo que adotaria muitas outras vezes em álbuns mais recentes da banda: Introdução lenta seguida de uma música bombástica. Porém, nesta primeira experiência neste estilo, tudo se encaixa na medida certa, tornando-a uma das músicas preferidas dos fãs. A letra é magnífica, demonstrando mais este talento incrível da dupla Harris e Dickinson e conta a história de um homem prestes a ser mandado para a forca.

Enfim, um dos álbuns mais completos e importantes da história do MAIDEN e da música pesada em geral. Obrigatório na discografia de qualquer fã de Heavy Metal.

Curiosidades:
- Os integrantes do IRON MAIDEN contam que várias situações esquisitas ocorreram durantes as gravações do álbum, tais como fitas que se apagavam ou onde surgiam vozes esquisitas, amplificadores que se recusavam a funcionar sem razão aparente e a famosa situação em que o produtor do álbum, Martin Birch, sofrera um pequeno acidente de carro, cujo conserto teria custado exatas 666 libras esterlinas. Marketing ou não, são situações que dizem ter ocorrido de fato;
- Em 2002, os americanos do DREAM THEATER realizaram um show que saiu inclusive em bootleg, onde tocavam este álbum do MAIDEN na Íntegra;
- Como já dito anteriormente, muitas músicas deste álbum se tornaram clássicos absolutos, talvez por este motivo tantas faixas dele tenham sido gravas por pequenas e mega-bandas, conforme relatado à seguir: "Hallowed be thy Name" (CRADLE OF FILTH, ICED EARTH, MACHINE HEAD, SOLITUDE AETURNUS), "The Number of The Beast" (ICED EARTH, SINERGY, TCHORT), "Run to the Hills" (SIGN, AVALANCH), "Children of the Damned" (THERION, SEBASTIAN BACH, DRACON, DIESEL MACHINE), "Invaders" (ENGRAVE, ROTORS TO RUST), "Gangland" (STEEL PROPHET), "Total Eclipse" (TERROR, WARHORSE), "The Prisioner" (FOZZY, LAS CRUCES) e "22 Acacia Avenue" (DARK TRANQUILITY);

Iron Maiden – The Number of the Beast (1982 – EMI)

Track List:
1 - Invaders
2 - Children of the Damned
3 - The Prisoner
4 - 22 Acacia Avenue
5 - The Number of the Beast
6 - Run to the Hills
7 - Gangland
8 - Total Eclipse
9 - Hallowed Be Thy Name

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Sobre Luis Fernando Ribeiro

Estudante de Programação de Computadores e Analista de sistemas. Fui apresentado ao Heavy Metal aos 14 anos, quando através do intermédio de um amigo, gravei algumas fitas do Metallica, Destruction e Blind Guardian.

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