Iron Maiden: A besta de 30 anos, uma benção ao Heavy Metal
Resenha - Number Of The Beast - Iron Maiden
Por Guilherme A. Ferrari
Postado em 08 de julho de 2012
Nota: 10 ![]()
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Com letras impactantes, com guitarras memoráveis, com o início de um dos vocalistas mais amados no Metal. Esse é o conteúdo de "The Number Of The Beast (1982)", lançado há 30 anos. Sucesso de vendas e fonte de fãs, o disco é uma verdadeira aula e prova viva de uma época em que se produzia música de qualidade.
Quando eu era criança, lembro dos bolachões que meu pai colecionava e ouvia vez por outra a noite. Nunca me interessei por nenhum deles, pelo contrário, tudo me soava a gritos e distorções sem sentido. A não ser pelas capas, todas com a mesma caveira que eu achava o máximo, me perguntava o que ele via naqueles discos. Também pudera, com seis anos não se sabe muita coisa do mundo. Dentre esses tantos discos havia o intitulado "The Number Of The Beast". Esse pra mim era o ápice da estranheza. O próprio Demo sendo controlado por aquela caveira. Passei então a ficar com medo do disco. Sim, medo. Também pudera, com seis anos não se sabe muita coisa do mundo. Foi preciso 18 anos pra distinguir o que o meu pai ouvia do que eu entendia: uma obra de arte das mais inspiradoras da música.
"Invaders" é extremamente agressiva. Bem como a letra, as guitarras estão desesperadas. Bruce esbanja criatividade e técnica. Steve cria uma intro memorável e umas das mais perfeitas linhas a saírem do seu Fender Precision. É impossível não ouvi-la e perceber os primórdios do Thrash surgindo, encobertos na velocidade. Incrível.
"Children Of The Damned" foi composta por Steve inspirado no clássico "A Profecia" de David Seltzer. Temos aqui um Maiden diferente. Essa música evidencia a evolução técnica da banda mediante os dois discos iniciais. Adrian cria um dos melhores solos de sua carreira. Bruce funda aqui um Maiden cadenciado e sombrio, diríamos andante, coisa que com o PAUL DI’ANNO revoltado e furioso nunca iria acontecer. Por isso ela é um verdadeiro divisor de águas. Há quem não goste desse novo Maiden. Mas a maioria avassaladora reconhece como uma das melhores músicas da banda.
"The Prisoner" é mais uma que tende a irritar profundamente as viúvas alienadas de Di’anno. Aqui a banda abre mão de vez da velocidade pra investir na harmonia das guitarras. O baixo de Steve está ensurdecedor. Bruce entoa um dos refrões mais marcantes da Donzela. Adrian além de ajudar na composição, sola insanamente, provando que esse talvez seja o melhor trabalho do guitarrista em toda sua carreira. Fantástica.
"22 Acacia Avenue" é a continuação da Saga Charlotte, a prostituta aclamada por Dave. Aqui nós descobrimos onde ele encontrou a dita cuja. Essa canção talvez seja uma das mais ricas em riffs, coisa que o Maiden definitivamente não prioriza. O destaque fica pra Bruce e para as guitarras infiltrando uma melodia viciante na cabeça do ouvinte. Dessa vez o solo é de Murray, nada menos que perfeito. Destaque também para a bateria de Burr precisa e seca. Sem dúvidas, uma das minhas preferidas e uma das melhores do disco.
"The Number Of The Beast". Eis que chegamos à faixa-título. Sobre essa trilha não há muito que falar, já que é das mais conhecidas e também preferidas dos fãs. Steve a compôs inspirado em um sonho. Apesar de aparentemente fazer referência ao Satanismo, a banda sempre deixou bem claro que a música não passava de inspiração. Isso causou muita discussão na época, inclusive aqui no Brasil e na épica transmissão da Rede Globo no evento do Rock in Rio em 1985. De qualquer forma, The Number é indiscutivelmente uma aula de música. O baixo galopante de Steve ao fundo, as guitarras alinhadas e os agudos perfeitos de Bruce parecem se encaixar por "magia". Sem mais, essa canção ocupa um posto irretocável dentre todas já lançadas no heavy metal.
"Run To The Hills" é mais um clássico memorável que dispensa explicações: um dos maiores singles já lançados pelo Maiden, rendeu muita grana e milhões de seguidores para a banda. A intro a torna inconfundível. A composição de Steve Harris discorre a expulsão dos nativos americanos forçada pela colonização. As guitarras formam uma harmonia simples e Bruce Dickinson é quem fica a cargo de dar ênfase ao refrão. É uma das músicas mais simples em termos técnicos, entretanto é uma das mais fáceis de memorizar. E é justamente a simplicidade que a torna tão boa.
"Gangland" é uma das poucas músicas que Steve Harris não compôs. A autoria é de CLIVE BURR. É mais uma canção com técnicas simples. Possui bons riffs e um bom refrão. Assim como a "Invaders" é rápida e agressiva. Porém, apesar de ser uma ótima música, é mais uma das totalmente esquecidas pela banda, que jamais a tocou ao vivo após a turnê de divulgação do álbum.
"Total Eclipse" é a faixa adicionada ao álbum após a remasterização. Foi lançada no B-side de "Run To The Hills", motivo de lamentação para Harris que queria ter lançado a no álbum original. A letra forte impressiona. As guitarras produzem uma excelente harmonia. Por incrível que pareça o baixo de Steve passa despercebido. Bruce está consistente. Mas o destaque vai para a bateria de Burr, acanhada como ele próprio, mas cheia de brilho e precisão. Mais uma bela canção esquecida pela banda e pelos fãs.
"Hallowed Be Thy Name" é a máxima do disco. Pra mim e para muitos fãs é a melhor música produzida pela banda. A letra de Harris faz inveja a qualquer poeta. As guitarras complementam alinham-se em uma só harmonia. O baixo cavalgante de Steve está mais vivo do que nunca. A bateria pulsante, tal qual o coração do prisioneiro condenado a morte. A perfeição de Bruce variando em tons e velocidade e o final consolador fazem dessa música épica. É de fazer qualquer headbanger chorar.
Enfim, com letras impactantes e linhas incontroláveis de Steve Harris, com as guitarras de Adrian Smith e Dave Murray em sua fase mais inspiradora, com o adeus do excelente Clive Burr na condução e a chegada do genial Bruce Dickinson, "The Number Of The Beast" é um marco na vida da Donzela. Mais que presente na discografia da banda, é uma aula de técnica e emoção para qualquer bom apreciador de música não colocar defeito. Não à toa esse disco alcançou números de lucro e sucesso invejáveis 30 anos atrás e continua mais "vivo" do que nunca na mente dos fãs. Além do bolso é preciso ir aos corações das pessoas. E isso O IRON MAIDEN sempre soube fazer.
Track-List
1. Invaders
2. Children Of Damned
3. The Prisoner
4. 22 Acacia Avenue
5. The Number Of The Beast
6. Run To The Hills
7. Gangland
8. Total Eclipse
9. Hallowed Be Thy Name
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