Álbuns marcantes: The Number of the Beast, do Iron Maiden
Resenha - Number Of The Beast - Iron Maiden
Por Ivison Poleto dos Santos
Fonte: Metal Addicts
Postado em 11 de janeiro de 2019
Depois de um longo hiato causado por uma crise inspiracional, a série "Álbuns marcantes" volta com um álbum que é para lá de icônico, afinal de contas poucos álbuns que além de transformar a carreira da banda, tornam-se sinônimos de toda uma geração e exemplo vivo de um estilo musical. Eu falo de "The Number of the Beast" do Iron Maiden, o álbum que os catapultou para o estrelato e ajudou a moldar o estilo musical que nós amamos: o Heavy Metal via NWOBHM. Não é uma mera coincidência que é o álbum de estreia de Bruce Dickinson na banda, um fato que não pode ser ignorado porque seus vocais também se tornaram sinônimo de vocais dentro do HM e ajudou a moldar a identidade musical do Iron Maiden. A ligação entre o estilo único de cantar do Bruce e o Heavy Metal é tão forte que uma geração inteira de vocalistas se diz ter sido influenciada por ele. É claro, que Bruce também deve muito a caras como Rob Halford e Ian Gillan, mas a seu favor está que ele levou o estilo de cantar a um nível completamente diferente. O Iron Maiden ainda excursiona regularmente e lança álbuns sem qualquer tipo de apoio da mídia tradicional e dos críticos musicais, muito pelo contrário. Sim, eu concordo que os últimos álbuns do Iron não têm sido grandes coisas, mas os seus shows ainda atraem milhões.

O álbum
Foi lançado em março de 1982 e é o terceiro álbum de estúdio da banda. Como mencionado anteriormente, "The Number of the Beast" é o álbum de estreia de Bruce Dickinson e o último com o baterista Clive Burr, para mim um gênio das baquetas. A levada de chimbal que ele dá em "Hallowed By Thy Name" é simplesmente fantástica. Presta atenção:
Além da sua privilegiada voz, Bruce adicionou uma habilidade ainda mais desejada que é escrever letras muito legais e participar ativamente do processo de composição das músicas. Uma parceria que deu muito certo. Aliás, todo o processo criativo da banda foi modificado com a entrada de Adrian Smith e a saída de Clive Burr. Como o produtor Martin Birch observou:
"Eu simplesmente não achava que Paul Di’Anno (o vocalista anterior) fosse capaz de fazer os vocais da forma complicada que eu sabia que o Steve desejava tentar… Com a entrada do Bruce o leque de opções aumentou tremendamente."
"The Number of the Beast" foi o primeiro trabalho do Iron Maiden que atingiu um considerável sucesso comercial e de crítica, porém também trouxe para a banda uma indesejada pecha de serem satanistas e todo o tipo de baboseiras do estilo.
Desde o início "The Number of the Beast" teve a oposição de grupos conservadores especialmente nos Estados Unidos, onde o Iron Maiden foi acusado de ser satanista. O álbum foi queimado publicamente embora alguns grupos preferiram quebrá-lo com martelos para não inalar a sua fumaça perniciosa vinda do vinil. A turnê "The Beast on the Road" foi objeto de inúmeros boicotes e demonstrações de força: vários locais foram cercados por ativistas que carregavam panfletos e, uma certa vez, uma cruz de 15 metros foi levada a um protesto. Steve Harris observou:
"Foi louco. Eles realmente não entenderam nada. Obviamente não leram a letra. Só queriam uma chance para nos acusar de satanistas."
Como todos os grandes álbuns, "The Number of the Beast" teve os seus momentos de extraordinário e fantástico, embora risíveis, como a imprensa reporta terem acontecido fenômenos inexplicáveis durante as gravações no Battery Studios, tais como luzes se apagando e quebras inexplicáveis nos equipamentos de gravação. O clímax foi quando Birch se envolveu em um acidente de carro com um micro-ônibus que transportava um grupo de freiras, e que após reparado obteve uma conta de £666.
O que muita gente não entende é que "The Number of the Beast" é cheio de referências bíblicas na sua música título que é aberta com a narração retirada do Apocalipse, lida pelo ator Barry Clayton. Também o alegado número da besta, o famoso 666, foi retirado de Apocalipse 13:15-18, porém assim como o álbum, isso também é bem controverso. Alguns estudos mostram que esse número não está exatamente correto. Mais ou menos em 2005, um fragmento do Papyrus 115 (Papiro 115), foi descoberto no Ashmolean Museum da Universidade de Oxford. Segundo ele, o número da besta é 616 (χιϛʹ - em hebraico arcaico). Esse fragmento é o manuscrito mais velho, com cerca de 1.700, do Apocalipse 13 encontrado em 2017. O Codex Ephraemi Rescriptus, conhecido antes do Papyrus 115 (Papiro 115) há a descrição: ἑξακόσιοι δέκα ἕξ, hexakosioi deka hex (literalmente "seiscentos e dezesseis").
Como você pode ver, "The Number of the Beast" é deslumbrante em qualquer aspecto.
Assista ao vídeo de "The Number of the Beast":
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