Cure: mistura doses de experimentalismo como o walking bass
Resenha - Faith - Cure
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 22 de março de 2013
Trilogias sempre criam uma nuvem de curiosidade até no mais circunspecto fã de artes em geral: a idéia de uma história fragmentária girando em torno de temas pontuais faz a alegria de treakers aos fãs de rock n'roll e representam um ponto quase axiomático na cultura pop. Sucessos e fracassos, obras-primas e verdadeiras tragédias já saíram daí; a mística, entretanto permanece.
No começo dos anos 80, o THE CURE criou aquilo que posteriormente foi chamado de "Trilogia da escuridão"-"Seventen Seconds" (1980), "Faith" (1981) e "Pornography"(1982) levaram o minimalismo e as sombras carregadas do rock gótico à um ponto extremista e antitético aos coloridos e esteticamente bregas anos yuppies. Representando, respectivamente, o vazio, a fé, e a loucura, temas cuja exploração literária é tão relevante hoje quanto o foram na Odisséia de Homero, os três registros introjetaram na cultura pós-punk o mesmo sentimento de inadequação que havia levado IAN CURTIS ao suicídio e exploraram sentimentos profundos com a maestria que ROBERT SMITH- na época com vinte e poucos anos- certamente ainda não tinha vivenciado o suficiente para representar com tanta propriedade.
"Faith", o segundo registro, é de uma estranheza ímpar- ao contrário da acessibilidade de "A Forest" do seu antecessor, por exemplo- o que se ouve aqui mistura doses de experimentalismo como o walking bass no instrumento de seis cordas conduzido pro SMITH em "The Holy hour" com a pegada absolutamente pós -punk de "Primary" que nem de longe remetem ao comercialismo ( nesse caso, no bom sentido) de "Boys Don´t Cry" ou da futura "In Between days". O disco que já foi tachado por um crítico de "desprovido de coração ou alma" evita qualquer espécie de esperança e uma faixa como "Funeral Party" é, proporcionalmente à sua leveza, depressiva de dar dó. A tempo, a faixa título, na opinião desse resenhista é a mais inspirada e linda das faixas da banda até o final daquela década.
Lançado no mesmo ano do clássico "Mask" do BAUHAUS, "Faith", em um contexto geral, pode não estar no mesmo nível de seu antecessor e predecessor, respectivamente. Entretanto, faço das palavras da Allmusic as minhas sobre o álbum: "Um registro deprimente, certamente, mas também um dos álbuns mais subestimados e belos do The Cure ".
Track List:
1. "The Holy Hour" – 4:25
2. "Primary" – 3:35
3. "Other Voices" – 4:28
4. "All Cats Are Grey" – 5:28
5. "The Funeral Party" – 4:14
6. "Doubt" – 3:11
7. "The Drowning Man" – 4:50
8. "Faith" – 6:43
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Ouça tributo ao Rainbow com verdadeira seleção de astros do rock e metal
"A banda de abertura mais difícil que já tivemos foi o Guns N' Roses", revela Bruce Dickinson
Judas Priest lança coletânea que abrange várias fases da discografia
Edguy esgota ingressos do primeiro show em mais de uma década
O ex-jogador que ouvia heavy metal antes dos jogos para se motivar
A banda southern que Steve Harris considera das melhores que abriu para o Iron Maiden
Tributo a Syd Barrett une Pink Floyd, David Bowie, Violeta de Outono e John Paul Jones
Rammstein registra novas músicas e deixa fãs na expectativa
A banda que fez Phil Collins perceber que o tempo do Genesis havia passado
A letra que Ozzy Osbourne chamou de "a pior porcaria" que já ouviu
As 15 músicas que o Faith No More mais tocou ao vivo
Nita Strauss cresceu acreditando que era descendente de Johann Strauss
As 11 melhores bandas de rock progressivo dos EUA, segundo a Loudwire
A banda gigante do rock que Ritchie Blackmore disse que nunca conseguiu gostar
Tom Morello rebate quem diz que metal não deve ser político
O hit dos Beatles que Paul McCartney recusou gravar por postura de Lennon, George e Ringo
O maior vexame no palco que Humberto Gessinger passou com Engenheiros do Hawaii
As músicas que Bruce Dickinson mais gosta de cantar no Iron Maiden


A banda que intimidou Robert Smith no palco: "A melhor coisa que eu tinha visto"
A banda brasileira infiltrada entre hits do rock na trilha sonora do novo filme do He-Man
A música que Robert Smith viu como o primeiro grande salto do The Cure
Iron Maiden: Virtual XI não é nem oito, nem oitenta



