Alice In Chains: os vinte anos de "Dirt"

Resenha - Dirt - Alice In Chains

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Por Igor Miranda, Fonte: Van do Halen
Enviar correções  |  Comentários  | 

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


O sucesso do Alice In Chains com seu primeiro trabalho de estúdio, Facelift, não foi imediato. Mas chegou e foi muito considerável por se tratar de uma banda estreante. O EP Sap veio em seguida e consolidou o grupo como uma das “sensações do momento”. Mas eram registros bem diferentes. O quarteto de Seattle precisava de uma obra que aliasse o peso e a visceralidade de Facelift com a melodia e a depressão de Sap. E assim foi feito.
3669 acessosKurt Cobain: Com membros do AIC e Sepultura numa jam no Rio em 1993?5000 acessosQuais são os rockstars mais chatos do mundo?

Dirt foi lançado há exatos vinte anos e ainda soa contemporâneo, irretocável e influente. Talvez por ser uma das únicas bandas do movimento Grunge que não estão presas ao gênero. Se tivesse surgido em outra época, o Alice In Chains seria facilmente categorizado como Heavy Metal. Assim como Dirt teria sido considerada a sua obra-prima independente de ano de lançamento.

O álbum se diferencia por ser carregado. A atmosfera do Alice In Chains é carregada de costume, mas nunca foi tão carregada (nem antes, nem depois) como em Dirt. O contexto no qual os integrantes estavam inseridos – principalmente os problemas pessoais de Jerry Cantrell, o vício em drogas de Layne Staley e os problemas com álcool de Sean Kinney e Mike Starr – geraram letras densas, depravadas e viscerais, abordando temáticas que giravam entre distúrbios psicológicos como depressão e conduta anti-social, guerra, morte e, claro, abuso de drogas (seis das treze faixas falam sobre drogas).

Obviamente, tudo isso se refletiu na musicalidade de Dirt. O título da obra (“sujeira”, em tradução para o português) faz jus a este aspecto. Os riffs, as melodias e os solos de Jerry Cantrell se apresentam carregadíssimos de melancolia. Soa como um Tony Iommi reinventado e, porque não, “modernizado”.

youtube player
Inscreva-se no nosso canalWhiplash.Net no YouTube

Aproveitando que o paralelo com Black Sabbath foi estabelecido, ressalto que, ao meu ver, Layne Staley lembra Ozzy Osbourne. Não em técnica ou em extensão vocal, pois considero Staley muito mais habilidoso que Osbourne, mas em sentimento e capacidade de interpretação. O feeling empregado em suas vocalizações é algo raro, assim como o Madman dos tempos áureos de Sabbath. Seja depravação, desespero ou qualquer sensação que Layne pretendia transmitir, é devidamente repassada através do microfone, com a ajuda das dobras vocais do também excelente vocalista Jerry Cantrell.

Apesar de pouco citada e reconhecida, a cozinha colabora muito para o clima e a proposta de Dirt. Mike Starr e Sean Kinney, respectivamente baixista e baterista, demonstravam entrosamento em suas execuções. A simplicidade e crueza das linhas de baixo e bateria, aliadas à boa produção e equalização do produtor Dave Jerden e seus engenheiros de som, dão o pano de fundo tenso necessário para o som aqui objetivado.

youtube player
Inscreva-se no nosso canalWhiplash.Net no YouTube

Dirt foi um sucesso de vendas e de crítica. Os “especialistas” aclamaram o play em canais de comunicação enquanto a base de fãs simplesmente crescia à medida que os singles de “Would?”, “Them Bones”, “Angry Chair”, “Rooster” e “Down In A Hole” (nesta ordem) eram lançados. Estima-se que, até os dias de hoje, mais de 3,5 milhões de cópias do álbum tenham sido vendidas apenas nos Estados Unidos, chegando ao 6° lugar das paradas norte-americanas em sua época de lançamento. Fora as certificações de disco de platina e ouro no Reino Unido e no Canadá, respectivamente.

Resgatando o que foi dito no segundo parágrafo: vinte anos exatos após seu lançamento, Dirt permanece soando contemporâneo, irretocável e influente. A obra-prima do quarteto de Seattle, que já teve duas vítimas fatais do abuso de drogas. Não apenas genial e musicalmente perfeito: Dirt serviu de alerta para o futuro do Alice In Chains.

youtube player
Inscreva-se no nosso canalWhiplash.Net no YouTube

Alice In Chains – Dirt
Lançado em 29 de setembro de 1992

Layne Staley (vocal, guitarra)
Jerry Cantrell (guitarra, vocal)
Mike Starr (baixo)
Sean Kinney (bateria)

Músico adicional:
Tom Araya (vocal em 10)

01. Them Bones
02. Dam That River
03. Rain When Die
04. Down In A Hole
05. Sickman
06. Rooster
07. Junkhead
08. Dirt
09. Godsmack
10. Iron Gland
11. Hate To Feel
12. Angry Chair
13. Would?

GosteiNão gostei

Compartilhar no FacebookCompartilhar no TwitterCompartilhar no G+

Outras resenhas de Dirt - Alice In Chains

2979 acessosAlice In Chains: banda de peso da cena Grunge de Seattle5000 acessosTradução - Dirt - Alice In Chains

Os comentários são postados usando scripts e logins do FACEBOOK, não estão hospedados no Whiplash.Net, não refletem a opinião dos editores do site, não são previamente moderados, e são de autoria e responsabilidade dos usuários que os assinam. Caso considere justo que qualquer comentário seja apagado, entre em contato.

Respeite usuários e colaboradores, não seja chato, não seja agressivo, não provoque e não responda provocações; Prefira enviar correções pelo link de envio de correções. Trolls e chatos que quebram estas regras podem ser banidos. Denuncie e ajude a manter este espaço limpo.

Mais comentários na Fanpage do site, no link abaixo:

Post de 29 de setembro de 2012

Kurt CobainKurt Cobain
Com membros do AIC e Sepultura numa jam no Rio em 1993?

1540 acessosHeart: "As bandas de Seattle festavam direto na minha casa"2553 acessosAlice in Chains: "a canção Would é em homenagem a Andy Wood"1815 acessosAlice In Chains: "abençoados" por terem William DuVall1364 acessosL7: apresentação ao vivo na Rádio Cidade, antes perdida, ressurge0 acessosTodas as matérias e notícias sobre "Alice In Chains"

Alice In ChainsAlice In Chains
Quando o guitarrista foi detido armado no aeroporto

Heavy MetalHeavy Metal
Nove ótimas músicas suaves do gênero

GrungeGrunge
Os 19 músicos mais influentes do gênero

0 acessosTodas as matérias da seção Resenhas de CDs e DVDs0 acessosTodas as matérias sobre "Alice In Chains"

HumorHumor
Quais são os rockstars mais chatos do mundo?

Sílvio SantosSílvio Santos
"The Number Of The Beast" em ritmo de festa, ôôôeeee

AC/DCAC/DC
As 10 melhores músicas da banda com Bon Scott

5000 acessosSeparados no nascimento: Phil Lynott e Tiririca5000 acessosSaúde: mais de 60% dos músicos sofrem de problemas mentais5000 acessosCensura: 53 nomes que você não pode dizer em uma rádio5000 acessosMetal Melódico é Heavy Metal?5000 acessosMúsica Fácil: 3 músicas fáceis que você toca errado na guitarra5000 acessosGóticas: 10 grandes bandas do gênero na Inglaterra dos anos 80

Sobre Igor Miranda

Jornalista formado pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e apaixonado por rock há mais de uma década. Começou a escrever sobre música em 2007, com o surgimento do saudoso blog Combe do Iommi. Atualmente, é redator-chefe da área editorial do site Cifras e mantém um site próprio (www.IgorMiranda.com.br). Também co-fundou o site Van do Halen, para o qual trabalhou até 2013 – apesar de ainda manter por lá uma coluna semanal, chamada Cabeçote.

Mais informações sobre Igor Miranda

Mais matérias de Igor Miranda no Whiplash.Net.

Whiplash.Net é um site colaborativo. Todo o conteúdo é de responsabilidade de colaboradores voluntários citados em cada matéria, e não representam a opinião dos editores ou responsáveis pela manutenção do site, mas apenas dos autores e colaboradores citados. Em caso de quebra de copyright ou por qualquer motivo que julgue conveniente denuncie material impróprio e este será removido. Conheça a nossa Política de Privacidade.

Em fevereiro: 1.218.643 visitantes, 2.740.135 visitas, 6.216.850 pageviews.

Usuários online