Marcenaria: Fusion Roça Lisérgica e um Bom Cigarro de Palha
Resenha - Marcenaria - Marcenaria
Por Luiz Carlos Barata Cichetto
Postado em 28 de agosto de 2012
"Cuidado com os ouvidos, eles podem ter paredes". É o aviso que os músicos da banda A Marcenaria dão logo de cara, na primeira frase da primeira música do EP de apresentação do trabalho. Um comunicado importante, nesses tempos de mesmice sonora e artística. O que de novo existe? O que de novo resiste, enquanto novidade e resistência? Persistência é a única arma possível numa terra que menospreza a Arte de uma forma geral. A boa música perdeu lugar ao lixo pasteurizado enfiado goela abaixo de uma população pouco educada e, portanto massificada. E os músicos de talento, de técnica apurada estão fadados a morte por inanição, tocando em bares fedorentos e imundos em troca de bebida, ou por dinheiro da condução.
E enquanto ficamos por ai, nas redes sociais, reclamando disso, dessa situação adversa, postamos músicas dos grandes ídolos da música, que embora tenha sua importância, precisam dar lugar às novas criações. É assim que a humanidade evoluiu. E precisa continuar a evoluir. Se por um lado as pessoas reclamam de que nada acontece, o que há de novo é desprezado por falta de cultura e, principalmente por preguiça. É mais fácil engolir Deep Purple pela milionésima vez...
Mas tem muito artista que ainda teima em abrir os ouvidos alheios, teima em derrubar as paredes que cercam os ouvidos, como bem colocam os músicos d'A Marcenaria na música "Vire o Disco". E mais que apenas derrubar paredes, é preciso construir com precisão, coisa também que esses "marceneiros" sabem fazer bem. Marceneiros que em lugar de martelos e serrotes usam "ferramentas" como o clarinete, a viola caipira, o baixo, a guitarra e a bateria... E os usam de forma precisa, em construções musicais que misturam elementos da cultura musical planetária, como o Rock e o Jazz com a Música Sertaneja autêntica. É a "Fusion Roça" que funde o sotaque caipira ao som de uma guitarra por horas tecnicamente jazzística e por outras indecentemente roqueira. E a guitarra, a bateria e o baixo, com um "proseado" sacana com o clarinete e o clarone (clarinete baixo, com forma similar ao saxofone).
Afinal, a construção final produzida pel'A Marcenaria é sólida e duradoura, com acabamento de primeira qualidade, rica em detalhes... Tecnicamente requintadas na construção, mas ao mesmo tempo simples no resultado final, as três faixas, "Vire o Disco", "Meio Tom Abaixo do Chão" e "Fusa Roça" nos transportam a uma viagem musical fascinante. Uma sensação de estarmos viajando por estradas interioranas com suas paisagens bucólicas e de repente entrarmos num bar onde tocam Miles Davis junto com Tião Carreiro e Pardinho e Duduca e Dalvan, acompanhados por John McLaughlin e Hermeto Paschoal. Enfim, uma viagem lisérgica acompanhada por um bom cigarro de palha e, porque não, um bom chimarrão.
Os merceneiros são: Anderson Ziemmer, Guitarra/Violão/Clarinete/Voz; Paulo Costa, Clarinete/Clarone/Voz; Augusto Mendonça, Viola Caipira/Guitarra/Voz, Elton Amorim, Contrabaixo e Davi Forell: Bateria
Contatos:
https://www.facebook.com/quintetmarcenaria
[email protected]
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