Kreator: Unindo diversos elementos da carreira em disco
Resenha - Phantom Antichrist - Kreator
Por Thiago Pimentel
Postado em 22 de junho de 2012
A discografia do grupo capitaneado pelo vocalista e guitarrista Mille Petrozza é extensa e, sobretudo, peculiar; em mais de doze lançamentos, o "Kreator" - sempre sob a supervisão de seu líder - cravou seu nome como um dos principais expoentes do metal europeu, assim, moldando o tão característico thrash metal germânico enquanto, paralelamente, arriscava-se em experimentalismos que renderam - em boa parte dos anos 90 - uma fase controversa e pouco aceita pelos fãs.
Todavia, no lançamento de "Violent Revolution", em 2001, a banda fixou, depois de anos de troca-troca, a formação dos músicos e conseguiu unir o melhor de sua obra - o extremo, o experimental e o melódico - em um disco que foi, e ainda é, amplamente bem quisto entre o público.
Por qual motivo iniciar a resenha citando outro álbum? Simples, pois desde então o "Kreator" prossegue, lançamento após lançamento, mais estável do que nunca e esse registro atesta isso.
"Phantom Antichrist", o quarto lançamento dessa fase, tem seu início com uma breve introdução ("Mars Mantra") que, pouco a pouco, une-se a faixa título do disco que, segundo Mille, possui referências a Osama Bin Laden. Apesar do bom início - com Mille urrando o título da música, como de costume -, as canções seguintes apresentam melhor a proposta do álbum; por exemplo, "Death to the World" - uma das mais furiosas do disco - e "From Flood Into Fire" exibiriam a velocidade costumeira ao "Kreator", porém com doses altas de melodias e experimentalismo - ouça a ponte cantada de forma limpa por Petrozza na segunda faixa citada, por exemplo.
A característica bateria de Ventor introduz a próxima canção ("Civilisation Collapse") que, juntamente a "United in Hate", reforçam ainda mais a ideia de que o 'Kreator' quis prosseguir com sua fórmula, porém adicionando novas ornamentações e adornos as suas composições. A última, em especial, chama atenção por sua intro (em violão) e o furioso refrão que, na forma de um grito quase a cappella e prolongado - como Mille Petrozza costuma fazer em execuções ao vivo, aliás - encerra a faixa.
Após esse 'bloco de músicas', o álbum segue ainda mais melódico e orientado ao metal tradicional - para comprovar, ouça "The Few, The Proud, The Broken", com a melhor performance vocal de Petrozza, e "Victory Will Come". A última composição ("Until Our Paths Cross Again") traz melodias tão peculiares que remeterá ao ouvinte mais atento grupos do chamado folk metal e, além disso, apresenta um tipíco refrão grudento para ser entoado em coro. Ótima faixa.
Em suma, "Phantom Antichrist" é um disco coeso - ou seja, sem enrolações - que reflete o bom momento em que a banda se encontra e, em minha opinião, mostra-se superior ao seu antecessor - o álbum "Hordes of Chaos" (2009) - mas, ainda assim, inferior a discos como "Enemy of God" (2005) e "Violent Revolution" (2001). Alguns dirão que trata-se de um trabalho mais-do-mesmo? Sim, o "Kreator" reutilizou a fórmula de alguns discos passados - citados logo acima, a propósito -, porém o modo como as melodias foram trabalhadas e certas passagens incomuns foram inseridas deram novos ares a obra. Liricamente, o disco segue o padrão de libertação e revoltas internas comuns ao trabalho da banda.
No geral, há, aparentemente, mais esforço coletivo do que destaques individuais. Entretanto, o trabalho vocal chama atenção tanto pela variedade quanto pela interpretação; dentro de suas limitações, Mille fez o melhor possível indo além aos tradicionais gritos rasgados e, consequentemente, remetendo sua performance em discos como "Endorama" (1999) e "Outcast" (1997), ou seja, álbuns que mostravam mais suas vocalizações limpas. Obviamente, o flerte com o metal tradicional - já admitido por Mille Petrozza em entrevistas -, tira o foco nos riffs secos e na agressividade típica ao thrash metal o que desagradará uma parcela do público. Recomendado, principalmente, a quem gosta de todas as fases do 'Kreator'.
Músicas-chave:
"From Flood Into Fire" ; "The Few, The Proud, The Broken" ; "Until Our Paths Cross Again"
Formação:
Mille Petrozza - vocais, guitarra
Sami Yli-Sirniö - guitarra, violões, vocais de apoio
Christian "Speesy" Giesler - baixo
Ventor - bateria
Tracklist:
1. Mars Mantra 01:18
2. Phantom Antichrist 04:31
3. Death to the World 04:53
4. From Flood into Fire 05:26
5. Civilization Collapse 04:13
6. United in Hate 04:31
7. The Few, the Proud, the Broken 04:37
8. Your Heaven, My Hell 05:53
9. Victory Will Come 04:14
10. Until Our Paths Cross Again 05:49
Originalmente publicado em:
http://hangover-music.blogspot.com.br/2012/06/resenha-kreator-phantom-antichrist.html
Outras resenhas de Phantom Antichrist - Kreator
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Shows no Brasil que encerraram ciclos em carreiras de bandas internacionais
A canção do Metallica que ainda emociona James Hetfield toda vez que ele a escuta
A música do Yes que serviu de inspiração para Dream Theater e Sepultura
"Nunca compusemos juntos" - Roger Waters explica sua parceria com David Gilmour no Pink Floyd
O disco que o Alice in Chains lançou esperando que quase ninguém soubesse
Angus Young (AC/DC) autografa bebê no Canadá
Uma pergunta sobre afinação mudou o destino do maior sucesso do Metallica
Regis Tadeu defende Roger Waters após polêmica envolvendo o Rush e manda recado aos fãs
Resenha e fotos do show de Dave Evans, ex-AC/DC, em Belo Horizonte
Mike Portnoy elogia "Cursum Perficio", novo disco do Anthrax
O grande baterista que John Paul Jones jamais colocaria para tocar no Led Zeppelin
A música do Van Halen que Eddie tentou fazer como AC/DC mas não deu certo
Como a opinião de James Hetfield sobre Lars Ulrich mudou ao longo dos anos
O disco solo que Ozzy Osbourne não suportava ouvir; "Tudo parecia e soava igual"
Regis Tadeu finalmente explica detalhe do Iron Maiden que fãs discutem há 20 anos
A estrofe de "Faroeste Caboclo" que não faz sentido no enredo, segundo Renato Russo
O clássico de sua carreira que Eric Clapton não curte: "Ainda não gosto, mas respeito"
Kreator: banda já está em outro patamar há tempos
Kreator confirma show em Curitiba no Tork 'n' Roll em dezembro
As dez melhores músicas de thrash lançadas entre 1983 e 1985, segundo a Metal Hammer
Os 10 melhores discos do metal alemão, de acordo com a Metal Hammer
As 10 melhores músicas do Kreator, na opinião de Mille Petrozza
Black Sabbath: Born Again é um álbum injustiçado?



