Beatles: O canto do cisne dos garotos de Liverpool

Resenha - Abbey Road - Beatles

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Por Matteus Almeida Saldanha
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Último disco GRAVADO pelos Beatles, e penúltimo a ser lançado.
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Sinceramente?? Falar de uma obra prima como Abbey Road é se expor de uma maneira perigosa, pois dependendo do que for escrever, você pode criar inimigos pro resto da vida. Uma nota baixa aqui, uma alta demais ali, falar bem de uma faixa e nem tanto de outra faixa.... Então resolvi fazer essa resenha critica com um pé maior no meu gosto musical, e na minha visão do disco. E antes de mais nada, quero deixar claro que meu gosto por esse disco muda muito com o tempo, as faixas que hoje são minhas favoritas, não eram a algum tempo atrás. Tudo normal, o problema é que o assunto é The Beatles meu amigo, e quando o nome dos garotos de Liverpool vem em jogo tudo fica polêmico.

O disco é a coisa mais fina que pode existir naqueles anos de 1969, ele é marcado por ser o primeiro disco na história a ter alguns artifícios eletrônicos, como o moog, que possibilita qualquer som fosse gerado eletrônicamente. Os engenheiros de som Geoff Emerick e Phillip McDonald ganharam o grammy por causa de tal façanha, Outro ponto forte que podemos discutir sobre o disco é que a relação Lennon/ McCartney estava extremamente tensa, e esse fator de certa forma ajudou o disco a alcançar tamanha perfeição nas gravações. Os Beatles estavam chegando ao seu fim, porém ninguém imaginava que logo no fim, os Beatles gravariam o disco que seria lembrado por muitos como o melhor da carreira deles (ou segundo melhor, visto que entre Abbey Road e Sgt Peppers o páreo é duro).

Quanto a capa eu não preciso falar mais nada, ela é “apenas” uma das 100 fotos mais conhecidas do século XX.

OBS: Todo mundo sabe que Lennon e McCartney assinavam as canções juntos, porem há canções em que apenas um participou, ou o outro deu apenas uma “leve” Ajuda. Tirando “Come Together” em que Paul e Lennon realmente fizeram ela praticamente juntos (Na verdade Lennon a fez, mas Paul fez grandes modificações), as outras o autor é praticamente um só.'

1. Come Together (John Lennon): O disco inicia com Lennon. Come Togheter foi um dos hits desse disco, e muitos acham ela a melhor de toda a carreira dos Beatles. Eu já gostei mais dessa canção antigamente, hoje acho ela “mais uma música boa dos Beatles”, o bom dela é ouvi-la ao vivo, qualquer grupo cover (ou não cover) dos Beatles ao tocá-la em cima do palco, conseguem passar uma energia que eu não sinto no disco, a canção tem uma letra sem nexo. Lennon simplesmente pegou várias frases sem sentido uma com a outra, e as cantou. A versão original dos takes dela não tem guitarras, apenas baixo e piano. Porém Paul deu a ideia para Lennon de que sem guitarra a canção não teria vida (primeira briga do disco), a versão final da canção saiu com as guitarras (ainda bem). Porém o ponto forte da canção se concentra no baixo, isso é inegável...´Na parte em que Lennon canta “Shoot Me”, Paul toca o baixo mais forte justamente pra ocultar a expressão que significa uso de drogas, isso enfureceu Lennon, ouvindo o disco não dá pra distinguir bem o que ele diz por causa da ocultação de Paul. Muitos vão me matar por isso, mas como disse no inicio isso aqui é a minha opinião e hoje já “desencantei” essa canção dos meus ouvidos. Nota: 8,9

2. Something (George Harrison): Agora sim!! Temos aqui o ponto alto da primeira parte do disco. Se Lennon e McCartney já eram geniais antes de Abbey Road ser lançado, George passou a ser a partir desse disco. Com Something e Here Comes The Sun ele “se libertou”. Não agradou apenas os criticos e fãs, mas agradou também Lennon e McCartney. McCartney acha a melhor canção de George, e Lennon acha que essa é a melhor faixa de todo o disco. Novamente o baixo é o ponto alto da canção (nessa ainda mais), com uma linha considerada uma das melhores do rock. Outro fator de destaque é as guitarras em ritmo de mantra, algo bem a cara de George. As orquestras estão no ponto certo, e a voz de George não poderia estar na melhor medida. Até as batidas estão perfeitas, no ponto alto do refrão em “You're asking me will my love grow, I don't know, I don't know”. Compete fortemente com “Golden Slumbers” para ser a melhor faixa do disco. Clima de nostalgia no ar, impossível ouvir essa canção e não se lembrar da infância. Linda demais! Adjetivos para elogiar essa pérola que só um Grande Deus pode fazer não há!!! (E se eu não der um 10 pra essa canção, eu mesmo me dou um tiro). Nota: 10

3. Maxwell's Silver Hammer (Paul McCartney): Aqui temos um pequeno fiasquinho do Paul (Calma gente... ainda iremos falar muito bem dele nesse disco). Eu me odeio por gostar dessa canção, o fato é que ela é bobinha, a letra é uma possível homenagem ao Charles Manson (É Cheia de humor negro, e fala de um homicida)....O fato é que as batidas e o piano ao final do refrão está bonito. Essa canção fez o clima dentro da banda ficar muito tenso, pois Paul fez impressionantes 53 takes pra isso, e ela durou três dias inteiros para ser gravada. Paul achava que ela ia ser o maior sucesso do disco (o que não foi), era uma das grandes apostas dele. A melodia é bonita mesmo, mas essa letra.... Nota: 8,5

4. Oh Darling! (Paul McCartney) : Nessa aqui o Paul se recupera do fiasco anterior. A canção nunca é levada a sério por ninguém! Nenhuma pessoa que faça uma resenha do disco leva ela tão a sério, e eu realmente não entendo porque não a consideram uma das melhores dos Beatles! Ta certo que a letra é uma brincadeira, e a banda está despreocupada com perfeccionismo nela, mas isso não tira o brilhantismo. Um ponto interessante é que Paul ficou preparando a voz por três dias para gravá-la, ele queria que a “voz rasgada” do refrão saísse o mais potente possível. Canção que lembra muito as canções do final dos anos 50, e voltamos a afirmar que o ponto forte da instrumentação está no baixo. Fico perdido em que nota dar pra ela, então como prefiro mais ela do que Come Togheter, dou a ela um... Nota: 9,2

5. Octopus's Garden (Ringo Starr): Letra bobinha e um cara com uma voz diferente no vocal? Não não... acalmem... é ele, o sorridente dos anéis: Ringo Starr!! Starr já havia composto para a banda, mas é nessa canção que ele ganha um certo sucesso. Não dá pra dizer que é uma canção indispensável, mas é querida por todos. A Letra é inspirada em polvos (belo tema), mas de certa forma a canção fez parte para que o álbum fosse o que é. Não tenho muito o que falar disso... Nota: 8,2

6. I Want You (She's So Heavy) (John Lennon): O rolo de fita da gravação acabou? John quis cortá-la propositalmente? Bom... o mistério para o final abrupto da canção ninguém sabe bem ao certo explicar, mas o meio dela a gente sabe. Ela é a junção de duas canções, e é uma das maiores canções dos beatles com quase 8 minutos. Apesar dela ser uma canção grande, a letra não vai muito além deixando ela um mantra repetindo o titulo da canção. É considerada uma canção de rock progressivo, e nela podemos notar várias utilizações eletrônicas como o moog em efeito de vento. Devemos dar créditos ao experimentalismo. Nota: 8.6

7. Here Comes The Sun (George Harrison): Ufaa!! Harrison veio nos ajudar. Depois do “soturnismo” do final do lado A, Essa canção soa como uma brisa. O que me surpreende é ela ter sido a primeira faixa do lado B, isso só mostra o quanto Lennon e McCartney estavam admirados com o Jovem Harrison. Nada seria mais ridículo do que uma canção que fale sobre o sol, e que tenha dedilhados de cordas, certo? Errado. Dizer que Here Comes The Sun é ridícula é um verdadeiro pecado, Ela passa uma sensação otimista, e foi gravada por Harrison no jardim da casa de Eric Clapton, seu amigo na época. O Moog está bem presente aqui. Somente a abertura da canção já é uma música a parte né? Nota: 9,7

8. Because (John Lennon): Ponto fortíssimo de paz na banda. Yoko e Beethowen foram as grandes influências. O arranjo vocal é de Lennon, McCartney e Harrison (Nesta Ordem) Ringo não participa, porém foi chamado ao estúdio para estar “presente nesse momento mágico” (Palavras de Lennon), o fundo inspirado na Sonata famosa de Beethowen é tocado invertido. Pessoalmente não tenho mais paciência pra ela, porém é considerada por muitos como a melhor faixa do disco, e é de fácil assimilação. Nota: 9

9. Your Never Give Me Your Money (Paul McCartney): Se o Abbey Road é considerado uma obra prima, isso se deve em 75% por causa dessa canção adiante. A partir daqui começamos a provar do que realmente foi a obra prima, canções curtas emendadas uma na outra. Apenas nessa canção de 4 min. podemos notar 5 canções diferentes, as mudanças são abruptas, mas apesar de todo esse estilo supremo, a canção fala do fim dos Beatles basicamente. O inicio seria uma não-homenagem a empresário da banda, mais pro fim as lamentações de Paul continuam, falando não haver mais magia na banda, e que o sonho estava chegando ao fim. Eu confesso que me decepcionei ao saber que “You never give me your money” falava de dinheiro, e o resto é uma ironia ácida. Porém a instrumentação salva tudo, ponto fortíssimo da parceria Lennon/McCartney. Nota: 10

10. Sun King (John Lennon): Aqui temos a salada de frutas de idiomas de Lennon. O interessante de ouvir ela em fones de ouvido, é que a base da canção vai mudando de canal... indo de um fone para o outro o som. A canção tem versos em espanhol, português e italiano (além de inglês, claro)... em português eles cantam a palavra “Obrigado” (porque será que todo estrangeiro aprende essa palavra 1º??). Nota: 9.1

11. Mean Mr. Mustard (John Lennon): Pior canção do disco, mas não chega a ser um fiasco (porque é curta demais) letra humorada que fala de um miserável que não queria gastar sua fortuna. É uma b-side do Sgt Peppers. Nota: 8

12. Polythene Pam (John Lennon): Acredito que John Incluiu a anterior para “entrarmos no clima” dessa. Porém ela é o inicio da canção posterior que vem coladinha nessa, sem paradas no vinil original. A letra fala sobre usuários... Bem a cara de Lennon. Me agrada muito nela a voz de Lennon. Nota: 8.7

13. She Came in Through The Bathroom Window (Paul McCartney): Continuação da anterior, porém os vocais são de Paul. O Inicio me lembra os Stones, com as batidas rápidas. Após isso entra o lirismo com vocais de apoio, ponto forte para os solos de guitarras. Foi a segunda canção que mais demorou para ser gravada no disco (perdendo apenas para a faixa 3), Paul toca as guitarras e Harrison o Baixo. É o final do 1º medley. Nota: 9

14. Golden Slumbers (Paul McCartney): Minha canção favorita do disco e DE TODA A CARREIRA DOS BEATLES! (No momento pelo menos... mas já faz um bom tempo que ela está no topo). A letra é do século 17 de Thomas Dekker. Paul achou que a canção ficaria bem se tivesse uma melodia de canção de Ninar. Ele compôs a melodia com ecos de canto celta e nuances dramáticas na casa de seu pai. A faixa foi gravada em 17 takes cheia de overdubs além de uma orquestra de 30 músicos (um exagero para a época). Essa música toca no fundo do meu coração e talvez seja minha canção favorita de todos os tempos. Nota: 10

15. Carry That Weight (Paul McCartney): Aqui temos a tentativa de McCartney para manter os 4 Beatles juntos. Gravada em 17 tomadas e num momento tem a melodia de “You Never Give Me Your Money”, a primeira parte é cantada a três vozes em uníssono. A orquestra foi colocada no final. Nota: 9,9

16. The End (Paul McCartney): Falar o que né?? Ultima faixa do último disco. Ultima canção gravada pela maior banda de rock de todos os tempos. “E no final o amor que você recebe é igual ao amor que você doa”, essa foi a última frase dita do suspiro. Teria um final melhor que esse? O incrivel é que (parece) que eles sabiam que ali estava o fim. Lennon estava longe da banda, mas voltou ao estúdios para finalizá-la. A canção tem o único solo de bateria de toda a discografia da banda, Ringo tem no final esse privilégio. Foi realizada em 7 tomadas com vários overdubs, ela também conta com a orquestra de 30 músicos, eles cantam 'Love You” 24 vezes que é cantado simultaneamente por tres solos de guitarras, tocado por John, Paul e George (Nessa ordem). Ao final Paul volta ao piano e voz, tendo Lennon como vocal de apoio e eles cantam a última frase da última gravação da banda. O final é em ritmo de orquestra vocal, acompanhado por um solo de guitarra. A impressão que me dá nesse fim é que a música vai embora... vai se dissipando nas nuvens, como um tchau... um adeus... The End. Nota: 10.

17. Her Majesty (Paul McCartney): Essa é a faixa desconhecida do disco. Ela não constava no encarte do disco na tiragem original, e vinha 20 segundos após The End finalizar. A canção é apenas voz e violão, feita só pelo Paul. Ela seria colocada no meio do disco, mas ficou perdida. McCartney mandou destruí-la, porém a reencontrou dias depois, na época da mixagem do disco e pediu para incluí-la, sem os outros membros saber. Eu curto demais, mas não irei avaliar 23 segundos.

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