Tora Tora: Mais um "Cold Case" do rock encerrado
Resenha - Revolution Day - Tora Tora
Por Marcelo Vieira
Postado em 13 de agosto de 2011
Para quem nunca ouviu falar, o Tora Tora teve origem em Memphis, Tennessee em 1985, com Anthony Corder (vocais, guitarra), Keith Douglas (guitarra), Patrick Francis (baixo) e John Patterson (bateria). O nome do quarteto faz mais referência à música "Tora! Tora!", do álbum Women and Children First (1980) do Van Halen, que ao código usado pelos japoneses no ataque a Pearl Harbor. No tempo em que permaneceu ativo, o Tora Tora lançou os discos Surprise Attack (1989) e Wild America (1992) – ambos com baixa expressão nas vendas – e deixou um terceiro álbum gravado.

Quase 20 anos depois de ser colocado na gaveta, Revolution Day finalmente verá a luz do dia. A responsável pelo "desengavetamento" – a fim de combater gravações piratas de má qualidade que vazaram na internet – é a mesma FNA Records que lançou três CDs de outtakes e raridades do Tora Tora em 2009. Foi feito todo um trabalho de remixagem e masterização em cima das fitas originais, e o encarte conta com informações detalhadas sobre a gravação do álbum. No texto, o vocalista Anthony Corder atribui o engavetamento ao 'fellow' Kurt Cobain, inimigo número um da geração oitentista.
Em termos de som, o Tora Tora nunca negou suas raízes. A veia blueseira sempre pulsou forte no quarteto de River City de modo a permitir comparações com Black Crowes, Cry of Love e Quireboys, só para citar os mais conhecidos. Em Revolution Day, essa influência do blues toma a linha de frente e ainda traz consigo o bom e velho country, além, é claro, do rock dos anos 60 e 70, principalmente do Led Zeppelin.
O álbum começou a ser escrito na estrada, enquanto o Tora Tora cumpria as últimas datas da turnê de Wild America. Munidos de muita frustração com as mudanças recém ocorridas na indústria fonográfica, Corder e companhia nos apresentam aqui suas letras mais maduras. O vocalista, em especial, está cantando que é uma coisa de louco, imprimindo um sentimento capaz de tirar leite de pedra. Outro detalhe que chama atenção é a afinação mais baixa das guitarras, o que confere ao som um peso bem interessante.
Do repertório de 12 faixas, destacam-se a incendiária faixa-título, "Mississippi Voodoo Child" (já ouviram hair metal com gaita?), a quase mística "Candle and the Stone", "Blues Come Home to You" por tudo que sintetiza, "Shelter from the Rain" e seu potencial de entrada em uma dessas coletâneas 'monster ballads' da vida, o clima de casa de jazz em "Memphis Soul" (com direito a um sax pra lá de maroto) e "Out of the Storm", que é pura explosão ao longo dos seus quatro primeiros minutos para depois desaguar em um belíssimo dueto de violões, encerrando o álbum, propositalmente, em clima de despedida.
É importante dizer que algumas faixas apresentam leves cliques – talvez por desgaste nas fitas originais, o que é irreparável –, mas não é nada que comprometa a audição, visto que ambas - remixagem e masterização - foram feitas com o maior capricho do mundo.
Se tivesse sido lançado em 1994 conforme planejado, Revolution Day teria passado ainda mais despercebido que seus antecessores e apenas atrasado em mais um ano a separação do Tora Tora. É óbvio que hoje em dia o álbum não causará burburinho, mas, pelo menos, irá fechar o ciclo de uma banda que, se não teve oportunidade e nem suporte para estourar, pelo menos permanece viva na memória dos aficionados e saudosistas de plantão.
Revolution Day é mais um Cold Case do rock encerrado.
1. Revolution Day
2. Mississippi Voodoo Child
3. Candle And The Stone
4. Blues Come Home To You
5. Time And The Tide
6. Shelter From The Rain
7. Living A World Away
8. Rescue Me
9. Little Texas
10. Memphis Soul
11. Me And You
12. Out Of The Storm
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O rockstar que se gaba de ter Donald Trump e Elon Musk na agenda do telefone
A noite em que Noel Gallagher ouviu "a melhor música de sua vida"
Duff McKagan reflete sobre o dramático fim do Velvet Revolver
O limite que João Gordo estabeleceu para se aposentar do Ratos de Porão: "Prefiro parar"
Yngwie Malmsteen explica "não" a David Lee Roth e por que não trabalharia com Dio
A música do Venom inspirada em um dos grandes clássicos do Kiss
Tony Iommi admite estar pensando cada vez mais na própria morte
A canção dos Beatles em que Paul McCartney já enxergava o fim da banda
As duas bandas históricas que quase ficaram com João Gordo antes do Ratos de Porão
O que aconteceu no túmulo de Ozzy Osbourne que levou Kelly a uma prática milenar
A música do Dream Theater que "nasceu" depois que Mike Portnoy assistiu show do Pantera
Marty Friedman admite ter pisado na bola em saída do Megadeth
Epica esgota ingressos para show com orquestra e coral em São Paulo
A música de 1984 que o Metallica tocou ao vivo uma única vez
A banda de rock que multiplicou cachê por 20 após viralizar
A história por trás do nome AC/DC segundo Dave Evans, primeiro vocalista da banda
Ritchie Blackmore: quais são os seus cinco guitarristas preferidos?
A resposta de Humberto Gessinger após Frejat questionar muitas formações dos Engenheiros



Carach Angren - Sete histórias para um inferno
Paura mira em velhos problemas humanos e entrega muito metalcore em "Primitive Chaos"
Flotsam and Jetsam entrega fúria e maturação em "Rats in the Temple"
Pride Of Lions Mantém a Tradição do AOR Clássico em "Unbridled"
Quase vinte anos do seu lançamento, "Over The Under" ainda soa vigoroso
Use sua ilusão: o pseudo disco perfeito do Guns N' Roses
30 anos de "A Tempestade" - o álbum que se tornou a despedida de Renato Russo
Os 40 anos de "Reign in Blood", obra-prima do Slayer e um dos maiores clássicos do thrash metal
Iron Maiden: Review do novo álbum publicado na revista Kerrang



