Stratovarius: Ainda fiel ao estilo musical que o consagrou

Resenha - Elysium - Stratovarius

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Por André Breder Rodrigues
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


Os filandeses do STRATOVARIUS passaram por maus bocados nos últimos anos: com a saída do guitarrista Timo Tolkki, que compôs sozinho 95% das músicas da banda durante sua trajetória, muitos temiam que o STRATOVARIUS mudasse totalmente seu direcionamento musical sem ele. Em 2009 saiu então o primeiro álbum sem Tolkki, intitulado “Polaris”, trabalho de estreia do novo guitarrista do grupo, o jovem Matias Kupiainen. Tirando o baterista Jörg Michael, todos os integrantes da banda fizeram composições para o álbum, onde o baixista Lauri Porra se destacou, apresentando cinco músicas de sua autoria. Mas, e o direcionamento musical da banda, como ficou? Bem, contando agora com várias pessoas na parte de criação das músicas, o STRATOVARIUS realmente mudou um pouco, mas ainda se mantém dentro do gênero em que ele sempre esteve.
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Para alguns mais radicais, a banda acabou com a saída de Tolkki, e nunca mais conseguirá fazer trabalhos como "Episode", "Visions" ou "Infinit". Já para outros, a saída de Tolkki foi extremamente benéfica para o grupo, pois renovou o seu som e fez com que o grupo saísse definitivamente da mesmice que muitos reclamavam. Eu sou um dos que gostaram do “novo” STRATOVARIUS e, portanto, esperava para ver como a banda iria continuar em um próximo trabalho. Felizmente, o novo álbum “Elysium” mostra um STRATOVARIUS ainda mais renovado, mas que continua fiel ao estilo musical que o fez famoso no mundo inteiro. Nas próximas linhas estarei falando um pouco sobre cada uma das músicas que compõe o trabalho “Elysium”, e expressando minha opinião sincera sobre cada uma das faixas:

1. "Darkest Hours": A faixa de abertura, uma composição de Kotipelto e Kupiainen, começa o álbum em alta, sendo uma canção de simples assimilação e bem dentro do estilo melódico que consagrou a banda durante os anos. Kotipelto mostra versatilidade em suas linhas vocais e canta o épico refrão como só um vocalista de seu “naipe” é capaz. Kupiainen solta um belo solo no meio da música, que, mesmo sendo curto, mostra sua classe e afirma que ele não foi uma escolha errada para substituir Tolkki.

2. "Under Flaming Skies": Esta música começa como uma verdadeira “avalanche sonora” para depois as guitarras e teclados silenciarem por alguns instantes, enquanto apenas o baixo e a bateria acompanham as linhas vocais de Kotipelto Depois, toda a banda participa da canção de forma majestosa. Esta composição é mais uma da dupla Kotipelto e Kupiainen, e traz uma sonoridade empolgante, com simples mas eficientes linhas de guitarra, um solo bem inspirado e vocalizações próximas da perfeição por parte de Kotipelto. Umas das melhores canções do álbum, na minha opinião!

3. "Infernal Maze": Este som começa com Kotipelto cantando de forma melancólica, fazendo com que o ouvinte pense que será mais uma balada bem triste, típica do STRATOVARIUS. Mas após um breve silêncio, a canção “explode” com Kotipelto atingindo notas mais altas para, em seguida, voltar a uma breve pausa em que os belos riffs de guitarra ditam o novo ritmo da canção. A música se torna totalmente empolgante, melódica e “para cima”. No refrão, bem típico da banda, Kotipelto atinge suas notas mais altas. Kupiainen e Johansson duelam em alguns solos bacanas com seus devidos instrumentos, enquanto a cozinha da banda acompanha tudo de perto com extrema precisão.

4. "Fairness Justified": Dando uma pausa nas canções “aceleradas”, a quarta faixa traz um som mais arrastado e lento, com linhas de baixo bem marcantes e um refrão bem épico e grandioso. Kupiainen faz um de seus melhores solos em todo o álbum, esbanjando técnica e melodia, lembrando muito o grande Timo Tolkki.

5. "The Game Never Ends": Primeira composição do mestre dos teclados Johansson, esta canção traz uma vocalização incrível por parte de Kotipelto, refrãos grandiosos, linhas de guitarra bacanas, solos inspirados, principalmente por parte de Johansson, e grandes viradas de bateria de Jörg Michael. Uma canção curta, mas muito boa.

6. "Lifetime in a Moment": Em seus mais de seis minutos, esta canção, de autoria de Lauri Porra, mostra que o baixista é mesmo um grande compositor: pesados riffs de guitarra povoam a canção, contando ainda com linhas de baixo marcantes e com a bateria acompanhando tudo de forma precisa. As linhas vocais são bem variadas, mostrando toda a versatilidade de Kotipelto, mais uma vez, e que ele é mesmo um dos melhores dentro do seu estilo. Esta é uma canção que foge dos clichês do metal melódico, o que, em minha opinião, é algo ótimo. Grande som, um dos destaques do álbum, com certeza!

7. "Move the Mountain": Mais uma composição do mestre Johansson, só que com uma maior duração, onde ele pode então esbanjar, ainda mais, todo o seu talento. A música começa com um clima “meio triste” e uma pequena introdução ao piano, para depois Kotipelto cantar os primeiros versos da canção, sendo acompanhado por um violão. A canção passa a ter o acompanhamento dos outros membros da banda rapidamente, mas o clima lento e arrastado continua em toda a canção. É uma música com melodias variadas e um inspirado solo de Johansson.

8. "Event Horizon": Com um espetacular e veloz riff de guitarra, esta é mais uma daquelas canções ultra rápidas do STRATOVARIUS! Kotipelto canta muito, como sempre, atingindo notas bem altas em algumas partes. O clima é bem melódico e clássico, com solos maravilhosos de guitarra e teclado, que dificilmente você ouvirá em outras bandas por aí. Um som que qualquer um ouve e diz na hora, sem medo de errar, que se trata de uma canção do STRATOVARIUS.

9. "Elysium": Com seus pouco mais de dezoito minutos, a faixa título do álbum é praticamente uma síntese de tudo o que representa o atual STRATOVARIUS: uma banda que esbanja competência para fazer músicas melódicas e progressivas, e que hoje, graças a Deus, traz canções bem mais variadas do que na época onde apenas Timo Tolkki ditava o direcionamento musical do grupo. Elysium traz vários climas ao ouvinte, e pode ser considerada, sem exagero, como uma das canções mais inspiradas e bacanas da carreira da banda, fechando o novo trabalho com chave de ouro.

Em suma: “Elysium”, o álbum, é mais um trabalho digno de carregar o nome STRATOVARIUS, e consegue, ao mesmo tempo, mostrar renovação e continuidade ao legado musical da banda. Um disco que muitos fãs, os mais radicaiss atirarão pedras, mas onde outros (que eu acredito que serão a maioria) irão curti-lo sem nenhum problema. Não se assuste se este belo trabalho passe a ser comparado com os grandes clássicos da banda por uma significativa parcela de fãs, pois “Elysium” é realmente um grande álbum do STRATOVARIUS.

Formação:

Timo Kotipelto – Vocais
Matias Kupiainen – Guitarra
Jens Johansson – Teclado
Jörg Michael – Bateria
Lauri Porra – Baixo

Faixas:

1. "Darkest Hours" 4:11
2. "Under Flaming Skies" 3:52
3. "Infernal Maze" 5:33
4. "Fairness Justified" 4:21
5. "The Game Never Ends" 3:54
6. "Lifetime in a Moment" 6:39
7. "Move the Mountain" 5:34
8. "Event Horizon" 4:24
9. "Elysium" 18:07

Tempo total: 56:35

Site oficial:
http://www.stratovarius.com/

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Sobre André Breder Rodrigues

André Breder começou a ouvir rock na adolescência e desde aquela época se mostrou bem eclético: ouvia Nirvana, Aerosmith, Metallica e Iron Maiden, tudo numa boa. Não gosta de rótulos, e sim de boa música, mesmo que tenha que assumir que possui no Heavy Metal tradicional seu gênero preferido.

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