Stratovarius: Reencontrando suas melhores ideias
Resenha - Elysium - Stratovarius
Por Paulo Finatto Jr.
Postado em 08 de maio de 2011
Nota: 8 ![]()
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Com a saída do guitarrista (e principal compositor) Timo Tolkki, o futuro do STRATOVARIUS parecia incerto. A banda, que por muitos anos foi considerada o maior expoente do metal melódico, encontrou enormes dificuldades em permanecer na crista do gênero com "Polaris" (2009). No entanto, o grupo abriu um novo caminho, relativamente mais interessante, no seu mais recente álbum, intitulado "Elysium". Por mais que a mesmice (claramente saturada) do estilo dê as caras mais uma vez, o disco se sobressai pelas músicas de destaque que assumem a dianteira na obra.
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O grupo finlandês construiu em "Elysium" uma linha extremamente tênue entre os clássicos do metal melódico e o que de mais comum o gênero vem apresentando recentemente. De um lado, o álbum pode ser considerado ótimo, sobretudo porque retoma a sonoridade pioneira do passado e aponta para músicas claramente mais elaboradas se comparadas com o repertório do disco antecessor. Por outro lado, é impossível afirmar que o quinteto finlandês mostra aqui uma ambição em se reinventar ou de adquirir novas influências nessa fase pós-Timo Tolkki. Entre as duas alternativas, a primeira abordagem parece ser a mais condizente pelo histórico e pelas expectativas que o grupo cria. Os fãs (mais fanáticos ou não) certamente encontrarão em "Elysium" um apanhado daquilo que proporcionou à banda a notoriedade conquistada no mundo inteiro a partir de "Fourth Dimension" (1995).
Por mais que muitos rotulem o STRATOVARIUS como uma banda que "não desce redondo", o repertório de "Elysium" é o mais coeso desde o clássico "Infinite" (2000). De certo modo, Timo Kotipelto (vocal), Matias Kupiainen (guitarra), Lauri Porra (baixo), Jens Johansson (teclado) e Jorg Michael (bateria) reencontraram a fórmula empolgante do metal melódico de outrora depois de mais de uma década de pouco brilho criativo. Por mais que o repertório apresente algumas particularidades dispersas entre as faixas – como riffs pesados (meio que incomuns dentro da sonoridade clássicos do grupo) e outros momentos extenuantemente complexos e elaborados – o disco parece seguir um padrão bastante nítido e uniforme. Os coros e as melodias aparecem com naturalidade do início ao fim da obra. Da mesma forma, a velocidade é outra constante.
Entre as particularidades mencionadas anteriormente, a voz de Kotipelto evidencia a maturidade do cantor e que em (quase) nada se aproxima às linhas mais agudas do passado. A abertura do álbum – a excelente "Darkest Hours" – é a faixa que mostra claramente como o vocalista desponta como a figura mais imponente do STRATOVARIUS após o desligamento de Timo Tolkki em 2008. De modo parecido, o guitarrista Matias Kupiainen é quem se destaca como o principal e melhor compositor do grupo. Com um quê de metal progressivo, "Under Flaming Skies" é outra música que assume a dianteira dos destaques de "Elysium", ainda mais porque consegue juntar satisfatoriamente bem um peso incomum dentro da proposta original dos finlandeses com aquilo de mais tradicional que criaram no passado.
O lado mais progressivo do álbum reaparece em "Infernal Maze", curiosamente uma faixa de menor apelo dentro do repertório e que foi escolhida para abrir os shows da banda na sua recente turnê. Por mais que os fãs não possam esperar nenhuma grande novidade aqui, o pique criativo precisa (e conseguiu) ser mantido. Na sequência, "Fairness Justified" retoma aquilo que o quinteto criou de mais interessante até o momento. A faixa, que não conta com as guitarras velozes extremamente marcantes do STRATOVARIUS, opta por um refrão ainda mais pegajoso e uma melodia relativamente cadenciada e pesada. O contraponto é interessante, até porque "The Game Never Ends" – outro possível destaque do repertório – reassume praticamente todas as características que ajudaram os finlandeses a escreverem a sua história dentro do metal. O resultado é acima da média.
Na sequência, as duas frentes de "Elysium" parecem ainda mais claras. Em contrapartida à velocidade, o STRATOVARIUS encontrou nas baladas (ou em faixas apenas mais cadenciadas) a possibilidade de aproveitar a versatilidade de Matias Kupiainen. As guitarras, que soam pesadas em "Lifetime in a Moment", contornam a emotiva "Move the Mountain" de um modo muito particular. Por outro lado, "Event Horizon" retoma a velocidade comum do grupo, sobretudo para que os fãs ortodoxos do STRATOVARIUS não se decepcionem por aquilo que pode representar um afastamento às origens do gênero melódico. No fim, com pouco mais de dezoito minutos, "Elysium" possui uma ambição imensa, mas não consegue se sobressair às faixas que abrem o álbum. Para resistir à mesmice, a música precisaria – pelo menos – recapitular o que o álbum possui de mais interessante, como os riffs pesados e as melodias pegajosas, com uma dose extra de complexidade instrumental. O clima demasiadamente atmosférico – e consequentemente cansativo – compromete por demais o seu resultado individual.
Não há dúvidas de que o STRATOVARIUS reencontrou as suas melhores ideias em "Elysium". O álbum, que se encontra um nível acima aos seus antecessores mais próximos, pode (e deve) recolocar o grupo finlandês entre os principais nomes do metal melódico. O gênero - extremamente adorado ou raivosamente odiado – continua saturado e alheio a novidades sonoras. Entretanto, os que admiram a proposta encontrarão em "Elyisium" possivelmente o melhor disco do ano. O futuro de Timo Kotipelto & Cia. está recheado de expectativas positivas a serem confirmadas ao vivo durante a turnê. Não poderia ser diferente.
Track-list:
01. Darkest Hours
02. Under Flaming Skies
03. Infernal Maze
04. Fairness Justified
05. The Game Never Ends
06. Lifetime in a Moment
07. Move the Mountain
08. Event Horizon
09. Elysium
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