Kamelot: sem nenhuma inovação, mas um baita disco

Resenha - Poetry for the Poisoned - Kamelot

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Por Júlio André Gutheil
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Nota: 8


O Kamelot é uma das grandes bandas do cenário contemporâneo do Heavy Metal. Surgiu em meados dos anos 90, trazendo uma muito bem vinda lufada de ar fresco na cena do metal melódico que já dava claríssimos sinais de saturação com mais e mais bandas-clone de Helloween e Gamma Ray surgindo todos os dias (ainda mais num páis com pouca tradição no estilo, os Estados Unidos). Os primeiros discos são com outro vocalista, o competente Mark Vanderbilt, que teve que deixar a banda, dando espaço para o sensacional norueguês Roy Khan, que definitivamente ajudou a alçar a banda para voos muito mais altos.

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Depois de obras primas como "Epica" (2003), "The Black Halo" (2005) e o excelente mas não muito criativo "Ghost Opera" (2008) eles nos presenteiam com mais uma bela obra de arte. "Poetry for the Poisoned" traz o Kamelot apostando numa roupagem mais obscura em seu som, mais pesada e com contornos até certo ponto bem assusastadores. E isso se vê logo de cara na primeira música, "The Great Pandemonium", de início muito soturno, baixo, com falas difusas e indecifráveis, que depois vem com tudo num instrumental pesado e com Khan numa interpretação sensacional (assim como no vídeo da música, que reflete bem todo o o clima do álbum). Vale também ressaltar a interessante participação de Björn "Speed" Strid, do vocalista do Soilwork, bem discreta, mas colabora com a ideia da música.

Em seguida chega a melodicamente arrastada 'If Tomorrow Came', que vai e vem em mais uma interpretação obscura, mas que desanda num refrão aberto e poderoso. Um dos bons destaques da bolacha. 'Dear Editor' serve de prelúdio para a fantástica 'The Zodiac', um musicão incrível, cheio de groove e pegada, e com a participação de um sujeito que dispensa qualquer apresentação, Jon Oliva. O Rei da Montanha dá show de interpretação, com seu estilo teatral único e magistral, que propicia um dueto épico com mister Khan.

'Hunter Season' foi a primeira música que foi divulgada deste novo trabalho, durante a curta turnê européia de alguns meses atrás. É uma boa música, de levada bacana, ótimo instrumental e com o atrativo de contar nas guitarras com uma das revelações recentes do instrumento, o grego Gus G (Firewind e Ozzy). Simone Simons é quase da família, mais uma vez da as caras num disco do Kamelot. Em 2005 participara em 'The Haunting (Somewhere in Time)', e desta feita nos presenteia com mais uma fantástica apresentação na baladaça 'House on a Hill', um dueto soberbo, intenso, repleto de feeling. Mais um dos inúmeros pontos altos do disco!

O nível segue alto com 'Necropolis', um metalzão forte, denso, um tanto arrastado; outra grande faixa, merece destaque. Na mesma linha segue 'My Train of Thoughts', que é empolgante, agitada e cheia de vozes e sons ocultos em várias camadas, criando uma atmosfera complexa e detalhista que dão grandeza ao seu som. Excepcional.

'Seal of Woven Years' tem algumas passagens sinfônicas, uma introdução baixa e lenta que vai ficando encorpada até chegar num metal melódico cheio de personalidade e força, com Roy Khan mostrando o porquê de ser um dos mais importantes vocalistas da atualidade.

E então temos a suíte que dá nome ao disco. 'Poetry for the Poisoned' é dividida em 4 partes: 'I. Incubus', 'II. So long', 'III. All is Over' e 'IV. Dissection'. São cerca de oito minutos que sintetizam tudo que se ouviu ao longo do disco; tem peso, momentos obscuros, momentos mais leves, a beleza da voz de Simone Simons nas parts II e III, instrumental magnífico e as tradicionais interpretações matadores de Roy Khan. De fato, um resumão bem elaborado, fino e elegante, que obteve uma química excelente entre todos os elementos que dão vida próprias às músicas.

E pra fechar o play temos a eficiente 'Once Upon a Time', que deixa uma ótima impressão e serve muito bem como música derradeira. Em alguns momentos lembra bastante o disco 'Karma' de 2002.

O trabalho esmerado de Sascha Paeth na produção, mixagem e masterização é impecável. O som é cristalino e perfeito, e ele teve toda a sensibilidade compreender o que a banda queria para este disco, dando a ele uma sonoridade única. E um parabéns extra também para Seth Siron Anton, criador da espetacular arte do encarte, que é uma das mais bonitas e surpreendentes que eu vi nos últimos tempos. Nota 10!

Por fim, é um disco excelente. Excetuando-se essa sonoridade mais obscura, não traz nenhuma grande inovação na música do Kamelot, porém isso não é demérito nenhum, pois temos para ouvir músicas muito boas, que seguem o padrão de qualidade sempre alto pelo qual esta competente banda americana sempre primou. Talvez não arrebenhe novos fãs ou revolucione a história da música, mas com certeza agrada e muito os fãs fiéis e é um baita disco.

O Kamelot é:

Roy Khan - Vocais
Thomas Youngblood - Guitarra
Sean Tibbets - Baixo
Cassey Grillo - Bateria
Oliver Palotai - Teclados

Track List:

1. The Great Pandemonium (4:22)
2. If Tomorrow came (3:55)
3. Dear Editor (1:18)
4. The Zodiac (4:00)
5. Hunter's Season (5:33)
6. House on a Hill (4:15)
7. Necropolis (4:17)
8. My Train of Thoughts (4:07)
9. Seal of Woven Years (5:11)
10. Poetry for the Posisoned (8:24)
I. Incubus
II. So Long
III. All is Over
IV. Dissection
11. Once Upon a Time (3:46)


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Sobre Júlio André Gutheil

Nascido em Feliz, interior do Rio Grande do Sul, de origem alemã e com 20 anos de idade. Grande fã de Blind Guardian, Paradise Lost e Opeth, além de outras várias bandas de diversos estilos distintos. Pretende cursar jornalismo e também se dedicar o máximo possível à crônica do mundo Heavy Metal. Escreve no blog www.metalmeltdowndiscos.blogspot.com. Twitter: @jagutheil.

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