Por que, segundo Nuno Bettencourt, o Extreme nunca foi respeitado como deveria
Por Mateus Ribeiro
Postado em 05 de janeiro de 2026
O Extreme é um daqueles grupos que, paradoxalmente, ficou conhecido por uma música que não representa plenamente a própria essência. Responsável por um dos maiores sucessos dos anos 1990, a balada "More Than Words", a banda alcançou projeção mundial e presença constante nas rádios, mas acabou associada quase exclusivamente a esse lado mais suave de seu repertório.
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Por trás da canção acústica que dominou as paradas, no entanto, sempre existiu uma banda fortemente ancorada no hard rock, com alto nível técnico e arranjos elaborados. Álbuns como "Pornograffitti" (1990) e "III Sides to Every Story" (1992) evidenciam uma proposta muito mais ampla, que transitava entre peso, melodias sofisticadas e vocais trabalhados - elementos que nem sempre encontraram eco na percepção do grande público.
Em recente entrevista concedida à Guitar World, Nuno Bettencourt refletiu justamente sobre essa desconexão entre imagem e conteúdo. Segundo o guitarrista, o Extreme demorou anos para ser reconhecido como uma banda de rock propriamente dita, apesar de já ter lançado diversos discos com essa identidade bem definida - reconhecimento que, em sua avaliação, só começaria a se consolidar de forma mais consistente a partir de "Six" (2023).
"Nós tínhamos nossos fãs, mas em termos de mainstream, éramos a banda que tinha 'More Than Words'. Éramos a banda que tinha um guitarrista, mas sempre havia algo que estava um pouco desconectado. Nunca tivemos o devido respeito. Muitas pessoas dizem que foi só com o álbum 'Six' que finalmente fomos respeitados como uma banda de rock com um guitarrista que tinha um álbum realmente ótimo."
Ao ser questionado se concordava com essa avaliação, Nuno afirmou que a leitura faz sentido, ainda que soe estranha diante da trajetória do grupo até então. O músico também citou a forte influência de uma banda específica como parte do DNA do Extreme - um elemento que, em determinados momentos, acabou funcionando quase como um obstáculo.
"Acho que eles estão certos, porque acho que nunca entramos nessa conversa até aquele álbum, o que é realmente estranho dizer, porque já tínhamos três ou quatro álbuns de rock. Mas nossas composições, melodias, harmonias e letras eram muito bonitas. Sempre tivemos um elemento Queen; isso faz parte do nosso DNA e, às vezes, isso quase atrapalhava nosso rock 'n' roll."
Por falar em Extreme, o grupo se apresentará no Monsters of Rock 2026, que será realizado no dia 4 de abril. Guns N' Roses e Lynyrd Skynyrd também integram o lineup do evento.
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