Kamelot: Um disco pra ouvir de cabo a rabo, sem pestanejar
Resenha - Poetry for the Poisoned - Kamelot
Por Thiago El Cid Cardim
Postado em 17 de janeiro de 2011
Nota: 9 ![]()
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É tão bom ver a evolução nítida de uma banda que, a cada disco, desenvolve mais e mais sua identidade própria, um estilo só seu, uma cara única que a diferencia de um universo imenso de similares, dentro de um mesmo estilo. E o que é melhor: fazer isso com peso e muito bom gosto, sem apelações e/ou obviedades.
É isso que vem acontecendo com o grupo norte-americano KAMELOT – que, desde o excelente "The Black Halo" (2005), refinou suas características, saindo de um power metal genérico para uma versão mais sombria, que usa e abusa dos vocais cheios de interpretações teatrais do ótimo Roy Khan. Fica parecendo, no fim das contas, uma espécie de ópera rock das trevas, um Avantasia particular do quinteto ou, como eu gosto de chamar, uma banda de "Andrew Lloyd Webber metal". No recém-lançado "Poetry for the Poisoned", a banda recebe uma leva de convidados especiais e entrega 14 grandes faixas que passeiam pelo sinfônico e pelo progressivo, sem nunca deixar de soar KAMELOT.
A climática faixa de abertura, "The Great Pandemonium", foi escolhida com justiça para ser o primeiro single do álbum – mostrando de imediato que "Poetry for the Poisoned" é sucessor direto de "The Black Halo", superando em qualidade até o seu antecessor, "Ghost Opera" (2007). Os gritos da canção são cortesia de Björn "Speed" Strid, vocalista do Soilwork. Na épica "The Zodiac", que versa sobre a história de um dos mais misteriosos serial killers da história dos EUA, Khan conta com a doçura da voz de Amanda Sommerville e a participação do igualmente teatral Jon Oliva (Savatage), em um duelo repleto de intensidade.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Repetindo uma bem-sucedida parceria que parece ter virado padrão nos discos do Kamelot, quem solta a voz por aqui novamente é Simone Simmons, a bela vocalista do Epica. Em "House on a Hill", a dupla Khan-Simmons faz ecos diretos com "The Haunting", de "The Black Halo". Mas eles brilham de verdade na incrível suíte em quatro partes, que batiza o disco, uma verdadeira síntese do que é o Kamelot nos dias de hoje. Todas as partes da música sabem dosar, com inteligência, o peso e a velocidade do heavy metal, os flertes com a música clássica e o passeio pelo lado progressivo – que, graças a Odin, passa bem longe de uma aula acadêmica masturbatória. Tudo fica na medida certa, sem parecer artificial, pedante ou forçado demais.
Se o seu lance é um metalzão mais tapa na orelha, sem problema algum, "Poetry for the Poisoned" traz também opções como "Hunter’s Season". Enquanto o baterista Casey Grillo senta o braço e Khan exercita seu lado macabro, quem fica responsável pelo principal solo da música é o guitarrista grego Gus G. – mais conhecido como o novo dono das cordas na banda solo de Ozzy Osbourne. Já as guitarras encorpadaças de "Seal Of Woven Years" ficam mesmo sob a batuta de Thomas Youngblood, titular das guitarras no Kamelot e responsável pela maior parte das composições do disco, ao lado do vocalista.
Para encerrar, uma dose extra de ferocidade aliada à melodia em "Once Upon a Time", que pisa no acelerador e nos apresenta uma canção que tem tudo para arrasar nas apresentações ao vivo, em especial pelo refrão ganchudo, do tipo que a gente já sai cantando junto e pulando sem nem perceber.
"Poetry for the Poisoned" é uma audição recomendadíssima, disco pra ouvir de cabo a rabo, sem pestanejar. Estamos falando de mais um passo consistente na trajetória de uma banda que, sem dúvida alguma, conta com um dos intérpretes mais interessantes da atual cena metálica. Pode ouvir sem medo.
Tracklist
1. The Great Pandemonium
2. If Tomorrow Came
3. Dear Editor
4. The Zodiac
5. Hunter's Season
6. House on a Hill
7. Necropolis
8. My Train of Thoughts
9. Seal Of Woven Years
10. Poetry For The Poisoned, Pt. I: Incubus
11. Poetry For The Poisoned, Pt. II: So Long
12. Poetry For The Poisoned, Pt. III: All Is Over
13. Poetry For The Poisoned, Pt. IV: Dissection
14. Once Upon a Time
Line-Up
Roy Khan – Vocal
Thomas Youngblood – Guitarra
Sean Tibbetts – Baixo
Casey Grillo – Bateria
Oliver Palotai – Teclado
Participações especiais
Simone Simons (Epica) – vocal em "House on a Hill" e "Poetry for the Poisoned, Pt. II-III"
Björn Speed Strid (Soilwork) – gritos em "The Great Pandemonium"
Jon Oliva (Savatage, Jon Oliva's Pain, Trans-Siberian Orchestra) – vocal em "The Zodiac"
Gus G. (Firewind, Ozzy Osbourne) – guitarra solo em "Hunter's Season"
Amanda Somerville – vocais em "Poetry for the Poisoned, Pt. I-IV" e "The Zodiac"
Chanty Wunder – vocais em "Where the Wild Roses Grow"
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