Dance of Days: com uma sonoridade mais agressiva e punk

Resenha - Disco Preto - Dance of Days

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Por Flavio Bahiana
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Nota: 9

O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.


O DANCE OF DAYS lança mais uma vez um dos melhores discos do ano. Fato que acontece desde 2001, quando lançaram o primeiro registro full-lenght do grupo, A História não tem Fim. Mas desta vez a banda vem com uma sonoridade mais agressiva e punk do que em qualquer outro disco, o que irá surpreender quem esperava músicas mais voltadas para o rock tradicional e com uma produção mais limpa, como nos dois últimos discos, A Dança das Estações, de 2009 e Insônia 2008.
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O disco abre com Colheita Maldita, uma música punk, agressiva, rápida e direta, bem chute na porta, mostrando para o ouvinte qual será o tom do disco até o final. Logo em seguida vem Esta é a Hora de uma Nova Partida, música disponibilizada na internet algumas semanas antes do lançamento oficial do disco. Uma das melhores do álbum, com uma levada bem característica das bandas nacionais de hardcore dos anos 90 e uma introdução de baixo muito boa. É a música que mais representa a idéia de uma retomada, de um recomeço, de resgate de uma cena punk/hardcore da forma que ela era até bem pouco tempo atrás.

A terceira faixa do cd é Estorvo, com uma levada mais voltada para o hardcore americano da década de 80, lembrando muito Dag Nasty. Aqui há questionamentos como: “O que o punk virou?” e “O que eu me tornei?”, que caracterizam a reflexão sobre a renovação de valores e propósitos, temática presente em grande parte do disco. Uma das melhores também.

A faixa seguinte é Mova, que mantêm a sonoridade punk/HC, mas com uma sonoridade mais suja e agressiva que as anteriores, lembrando a fase em que Nenê Altro, Marcelo Tyello e Marcelo Verardi, tocavam no Sick Terror. Na seqüência, outra música que pode ser classificada como uma das melhores do disco, Falo Sério Não Nasci para o Tédio, uma faixa mais tranqüila e cadenciada, após uma sequência de músicas punk/HC.

E Livrasse A Todos Que, Pelo Pavor Da Morte, Estavam Sujeitos A Escravidão Por Toda Vida, é a sexta faixa do disco e retoma a sonoridade mais agressiva. Aqui o ateísmo e as críticas as religiões ficam explícitas, mais do que em qualquer outra música do Dance of Days em que o tema é abordado.

A sétima faixa é Corona Australis, que já havia sido lançada na internet em 2009 e que foi regravada neste Disco Preto. Aqui a música está mais forte, com uma versão mais pesada que a original, com as guitarras mais altas que o vocal, característica presente em todo o disco. Na sequência vem Discórdia (Carro Bomba II), que possui uma temática relacionada com a da música Carro Bomba, do disco A História Não tem Fim. Esta referência pode ser observada, principalmente, no primeiro refrão, em que Nenê grita “Mas minha vontade é te acertar, mandar toda essa porra pro ar”. Discórdia é tão doentia quanto Carro Bomba.

Garotos Perdidos e Ferris e o Queimador de Livros são as duas próximas faixas e são as que contêm referências cinematográficas. A primeira faz referência ao filme Lost Boys, enquanto a segunda é uma referência a Ferris Bueller's Day Off, conhecido aqui no Brasil como Curtindo a Vida Adoidado, todos dois ficaram bastante populares sendo exibidos na Sessão da Tarde na década de 90. Duas boas faixas, sendo que Ferris e o Queimador têm uma levada que lembra muito o já extinto grupo Noção de Nada.

Na sequência vêm as três músicas que encerram em grande estilo, e de forma mais tranqüila, um disco que começou mais agressivo. A primeira delas é Um Sonâmbulo em seu Aquário, uma das faixas mais pessoais de Nenê Altro no disco. Traz uma sonoridade mais alternativa e o refrão mais contagiante do disco: “O meu sorriso não me traz / o que preciso para estar assim, bem comigo / Não me faz acreditar / que não há risco em ficar.” A penúltima música do disco é Minha Lista das Pessoas que se Cansaram de Mim, que possui uma das letras mais melancólicas do disco. As duas também estão entre as melhores do Disco Preto.

O DANCE OF DAYS tem como grande mérito, escrever boas faixas de encerramento de discos. E neste não é diferente. Comparando com as outras, Repetindo Frases e Rimas se aproxima bastante de A Vitória (ou Coisa que o Valha), devido ao clima mais para cima da música. Ela possui um fim perfeito para a música e para o disco, com os seguintes versos: “E se pensar em mim / é só tocar seus discos / e me dar uma ligada.”

O Disco Preto do DANCE OF DAYS traz uma sonoridade mais agressiva e punk, com letras mais simples e diretas. É uma grande referência para uma nova partida, uma retomada e renovação de valores. Um dos melhores discos do ano.

Track list:
1 - Colheita Maldita
2 - Esta é a Hora de uma Nova Partida
3 - Estorvo
4 - Mova
5 - Falo Sério, Não Nasci para o Tédio
6 - E Livrasse a Todos que, pelo Pavor da Morte, Estavam Sujeitos a Escravidão por toda Vida
7 - Corona Australis
8 - Discórdia (Carro Bomba II)
9 - Garotos Perdidos
10 - Ferris e o Queimador de Livros
11 - Um Sonâmbulo em seu Aquário
12 - Minha Lista das Pessoas que se Cansaram de Mim
13 - Repetindo Frases e Rimas

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Sobre Flavio Bahiana

Flavio Bahiana é jornalista. Também é colaborador do site valepunk.com e é editor do blog: flaviobahiana.blogspot.com. Nasceu no ano de 1982, no Rio de Janeiro, onde mora até hoje. Começou a ouvir rock por causa dos Raimundos e cresceu ouvindo punk rock. Considera os Ramones como os melhores de todos os tempos. Hoje ouve quase todas as vertentes do rock, além de gostar de outros estilos também, como blues e reggae.

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