Angra: após a tormenta, o sétimo e tão aguardado álbum
Resenha - Aqua - Angra
Por Ben Ami Scopinho
Postado em 14 de setembro de 2010
Nota: 8 ![]()
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Desde que surgiu em 1991, o Angra provavelmente passou pela maior provação de sua carreira, amargando por quatro longos anos longe dos estúdios em função dos sempre desagradáveis entraves financeiros e judiciais que todos já devem estar cansados de saber. Mas, após a tormenta, temos "Aqua", o sétimo e tão aguardado álbum de uma das poucas bandas que conseguiu expressiva repercussão para além das fronteiras desse nosso talentoso Brasil.
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Novamente temático, a inspiração recai sobre a derradeira obra de Shakespeare, "A Tempestade", escrita em 1613 e cujo drama envolve amor, conspirações oportunistas e, naturalmente, a vingança, ambientados numa ilha habitada pelo mago Próspero e sua filha, Miranda. Musicalmente, o novo disco marca o retorno de todas as características que fizeram com que o Angra se sobressaísse no cenário mundial, mesclando à distorção do Power Metal Melódico os muitos arranjos típicos da música clássica, não temendo pisar em território mais acessível e, o melhor, espalhando muito da diversidade da música étnica brasileira pelo repertório.
Com muitos detalhes aparecendo de forma discreta, a forma como exploram, amarram e entrelaçam tantos elementos, por vezes tão díspares, sem exageros e de forma homogênea, oferece um caráter todo progressivo a várias canções. Mas, curiosamente, mesmo com esses atributos, optou-se por iniciar a audição com "Arising Thunder", que, mesmo repleta de guitarras neoclássicas, se revela uma canção apenas convencional em sua proposta.
De qualquer forma, "Aqua" preza pela diversidade e oferece muito, mas muito mais do que isso. É com a beleza das percussões de "Awake From Darkness" ou "The Rage Of The Waters" que a energia primitiva do Heavy Metal se transforma em objeto de exportação para causar impacto em qualquer gringo. Desde as baladas – "Spirit Of The Air" se destaca por ser quase angelical – até as mudanças de andamento de "Hollow" oscilando harmoniosamente entre o muito pesado e o ameno; e culminando na etérea "Ashes" que encerra a audição de forma um tanto quanto obscura, o Angra injeta o necessário apelo emocional, estimulando e segurando as atenções do ouvinte com uma sempre bem vinda imprevisibilidade.
Novamente contando com o baterista Ricardo Confessori, "Aqua" certamente não muda os rumos do Heavy Metal, mas possui uma estética tão versátil e exótica que mantém o Angra entre os mais expressivos nomes do Power Metal Melódico mundial. E, como não poderia deixar de ser, fatalmente agradará ao público que vem acompanhando o conjunto paulista em sua fase pós-André Matos. Nada soa forçado, apenas flui... como água.
Contato:
http://www.myspace.com/angraofficial
http://www.angra.net
Formação:
Eduardo Falaschi - voz
Kiko Loureiro - guitarra
Rafael Bittencourt - guitarra
Felipe Andreoli - baixo
Ricardo Confessori - bateria
Angra - Aqua
(2010 - Voice Music / Die Hard Records - nacional)
01. Viderunt Te Aquæ
02. Arising Thunder
03. Awake From Darkness
04. Lease Of Life
05. The Rage Of The Waters
06. Spirit Of The Air
07. Hollow
08. A Monster In Her Eyes
09. Weakness Of A Man
10. Ashes
Outras resenhas de Aqua - Angra
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