Wolfmother: por dentro do álbum "Cosmic Egg"
Resenha - Cosmic Egg - Wolfmother
Por Rafael Correa
Fonte: Blog Rock Pensante
Postado em 19 de março de 2010
O WOLFMOTHER é uma daquelas bandas que, apesar de apenas dois discos e um EP lançados e uma recente reformulação em sua estrutura, já é considerada como uma das maiores do hard rock. A vibração do disco de estréia pode ser encontrada novamente em "Cosmic Egg", juntamente com outros atrativos.
Se a receita inicial da banda era retornar à essência do hard rock, resgatando a sonoridade explosiva de BLACK SABBATH e DEEP PURPLE, em "Cosmic Egg" Andrew Stockdale e sua trupe mostram que é possível agregar novos elementos à esta extrínsceca fidelidade ao rock n roll clássico. E (para nossa sorte) engana-se quem pensar que esses novos elementos resultam em uma fusão com o pop ou o hardcore.
O WOLFMOTHER não buscou em outras vertentes musicais a renovação do seu som: o disco é um demonstração enérgica do melhor hard rock em sua espécie. As mudanças ficam por conta de alguns efeitos sonoros que, usualmente, não eram utilizados pela banda, provável resultante de uma produção mais rebuscada que a anteriormente percebida.
Isto fica claro na faixa de abertura, "California Queen". O riff inicial surge envolto em uma nuvem de efeitos similares ao wah wah que, por sua intermitência, nos faz perceber que não são controlados por pedal. A duração deste efeito é curta, abrindo espaço para a explosão crua do som pesado que tanto estamos acostumados. A certa altura, a canção altera sua cadência de modo abrupto, nos remetendo às passagens e variações utilizadas por Iommi em "Vol. 4" do BLACK SABBATH.
"New Moon Rising" é outro ponto de referência ao som do Sabbath. As linhas iniciais da guitarra calam-se rapidamente para deixar a voz contagiante de Stockdale ser guiada pela marcação constante da bateria de Dave Atkins, substituto que em nenhum momento nos faz sentir falta de Myles Heskett, detentor das baquetas originais do WOLFMOTHER. Esta canção é, possivelmente uma das melhores da banda: vibrante, bem construida e com uma letra marcante.
"Sundial" capta outro bom momento da banda, onde a inclusão dos teclados mesclam-se perfeitamente às guitarras de Stockdale e Aidan Nemeth, também recrutado há pouco. "In the Morning" nos transporta para uma viagem initmista conduzida pela letra bem alicerçada e pela calma e límpida combinação de voz com o dedilhado de guitarra que preparam o terreno para a explosão do refrão.
Quem, à primeira vista, acusar a banda de copiar o som dos anos 70 estará comento um grave erro. O WOLFMOTHER busca, sim, inspiração no hard clássico, e tão somente isso. Não há cópia ou reprodução. A banda busca, de fato, ressignificar a essência das construções musicais percebidas naquela época e que tanto fazem falta nos superficiais dias de hoje, desprovidos de criatividade, com raras exceções.
Ao ouvir "Cosmic Egg", assim como as outras canções do WOLFMOTHER, não estaremos fazendo apenas uma viagem no tempo, redescobrindo pérolas há muito existentes: estaremos também percebendo o quão atual o hard rock clássico pode soar, desprovido de conexões que venham a desaboná-lo. O WOLFMOTHER é uma das melhores bandas surgidas no primeiro decênio deste século e, com este disco, concretiza permanentemente tal status. Audição obrigatória.
1. California Queen
2. New Moon Rising
3. White Feather
4. Sundial
5. In The Morning
6. 10.000 Feet
7. Cosmic Egg
8. Far Away
9. Cosmonaut
10. Pilgrim
11. Eyes Open
12. Back Round
Faixas Adicionais:
13. In The Castle
14. Caroline
15. Phoenix
16. Violence of The Sun
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