Wolfmother: passando com maestria na prova do segundo disco

Resenha - Cosmic Egg - Wolfmother

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Por Fernão Silveira
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Tenho a tendência de olhar com desconfiança e alguma má vontade para os novos grupos que a imprensa musical aponta como "os salvadores do rock" - como se o rock precisasse disso. E uma dessas vedetes é o WOLFMOTHER, badalado quarteto australiano liderado por Andrew Stockdale (vocal, guitarra e quase todas as composições). Mas o recém-lançado "Cosmic Egg" fez o conjunto passar com maestria pela boa e velha "prova do segundo disco" - aquela que confirma (ou frustra) as expectativas a respeito de uma banda promissora que desponta no cenário.

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Pois a boa nova que vem da terra do AC/DC continua impressionando com a sua pegada única, que consegue ser, ao mesmo tempo, diferente de tudo o que se tem ouvido por aí e totalmente familiar aos ouvidos de alguém acostumado à nata do rock. Ficou difícil entender? Então, experimente WOLFMOTHER.

Já virou clichê dizer que os caras bebem na fonte de bandas como BLACK SABBATH, LED ZEPPELIN, DEEP PURPLE e outras instituições do rock setentista. Mas está longe de ser clichê a música que os caras produzem em seu caldeirão australiano, que também traz interessantes pitadas de referências bem mais recentes (e também nobres), tais como QUEENS OF THE STONE AGE, JANE'S ADDICTION, OASIS e RADIOHEAD.

O álbum dá as boas-vindas com a empolgante "California Queen", cujo riff de entrada nos remete diretamente a "Breadfan" (criada pelo BUDGIE e eternizada pelo METALLICA, aquela música que já foi tema de abertura do "Globo Esporte"). Um ouvinte mais atento também vai sacar as referências a "The Wizard", do SABBATH, ao longo da canção. "New Moon Rising", a próxima do track list, é o single de trabalho do disco novo. E a escolha é válida.

O talento de Stockdale, Aidan Nemeth (guitarra), Ian Peres (baixo e teclado) e David Atkins (bateria) nos proporciona outras inovadoras viagens ao passado, como em "Sundial" (com seu inconfundível jeitão de "N.I.B.", do BLACK SABBATH), "10,000 Feet" (talvez a melhor música do álbum, numa fusão sensacional de SABBATH com "Kashmir", do LED ZEPPELIN) e "Cosmic Egg" (uma boa amostra de como seria um insólito cover de "Children of the Grave" interpretado pelo THE DOORS).

Para os ouvidos mais afeitos ao rock moderninho, as baladas (?) "In the Morning" e "Far Away" e a interessante "Violence of the Sun" são exemplos perfeitos de como o WOLFMOTHER consegue extrair o melhor da onda de bandas como OASIS e RADIOHEAD para o seu repertório. Vale a pena prestar atenção.

Enfim, o agradável exercício de ficar buscando referências nas músicas do quarteto se repete desde o bom álbum de estréia, "Wolfmother" (2005). Mas já dá para perceber nitidamente que a personalidade do grupo está devidamente formada e amadurecida, seja na voz estridente de Stockdale, na guitarra versátil de Nemeth ou na antropofagia criativa perceptível em todas as canções. O caminho dos caras está trilhado. Resta torcer para eles continuarem na linha.

"Cosmic Egg" - WOLFMOTHER

California Queen
New Moon Rising
White Feather
Sundial
In the Morning
10,000 Feet
Cosmic Egg
Far Away
Pilgrim
In the Castle
Phoenix
Violence of the Sun

Gravadora: Modular Records (importado)


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Sobre Fernão Silveira

Paulistano, são-paulino, nascido nos "loucos anos 70" (1979 ainda é década de 70, certo?) e jornalista. Sua profissão já o levou a cobrir momentos antológicos da história da humanidade, como o título paulista do São Caetano, a conquista da Copa do Brasil pelo Santo André, a visita de Paris Hilton a São Paulo e shows de bandas como Judas Priest, Whitesnake, W.A.S.P., Megadeth, Slayer, Scorpions, Slipknot, Sepultura e por aí vai. Ainda tem muito gás para o nobre ofício jornalístico, mas acha que não vai muito mais longe depois de ter entrevistado Blackie Lawless, Glenn Tipton, Rogério Ceni e, claro, Paris Hilton.

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