AC/DC: é possível haver genialidade na simplicidade
Resenha - Black Ice - AC/DC
Por Guilherme Vasconcelos Ferreira
Postado em 01 de dezembro de 2008
Nota: 9 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
Definir o som do AC/DC é tão simples quanto a sua música. Uma dupla entrosadíssima de guitarristas que despeja riffs em profusão. Um vocalista que mais parece um Pato Donald rouco e esganiçado, tamanha é a peculiaridade de seu timbre de voz. Uma cozinha precisa, direta e crua, que serve de sustentação às poderosas guitarras, a força motriz do grupo. Acrescente-se a isso letras festivas, divertidas, sacanas e irônicas. Pronto. Essa é a fórmula que o AC/DC vem seguindo desde o seu primeiro disco, o clássico "High Voltage", de 1975.
De lá para cá, a banda lançou mais de uma dezena de discos, entre eles o indispensável "If You Want Blood You’ve Got It" (um dos mais aclamados discos ao vivo da história) e o fenomenal "Back In Black" - o segundo álbum mais vendido de todos os tempos – e , alcançou o estrelato mundial e atingiu um invejável patamar de respeitabilidade. Tudo isso calcado na singela fórmula supracitada. O segredo de tamanha longevidade e sucesso? "Black Ice" esclarece.
Lançado há pouco menos de um mês, o novo disco da banda que melhor encarna o espírito rock n’ roll é a prova de que é possível haver genialidade na simplicidade. Não que "Black Ice" seja genial. Ele é "apenas" um excelente CD do mais puro, bom e velho rock n’roll. Mas o que é genial é a interminável capacidade que o AC/DC possui de, dentro da tão explorada linguagem (estilo) que eles próprios criaram, se reinventar, de permanecer relevante e de lançar um disco oitentista nos 2000 sem mostrar sinais de obsolescência. A essa capacidade dá-se o nome de criatividade. E criatividade é que o não falta em "Black Ice".
É por isso que quem, depois dos oito anos de inatividade da banda – o último registro havia sido "Stiff Upper Lip", de 2000 -, alimentava um certo ceticismo em relação ao novo CD dos australianos teve logo que mudar de idéia quando foram liberadas as primeiras músicas na internet. "Rock N Roll Train", o single de Black Ice, é a síntese do AC/DC: simples e direta. Seu refrão, fortalecido pelo ótimo trabalho de backing vocal, agrada desde a primeira audição. "War Machine", a melhor do CD, tem, sem dúvida, um dos mais poderosos riffs da carreira do quinteto. "Anything Goes", principalmente em razão da pegajosa melodia vocal, é uma deliciosa balada de grande potencial radiofônico. "Stormy May Day" tem um trabalho excepcional de guitarras e só não é a melhor das 15 faixas de "Black Ice" por causa de seu frustrante e apressado fim. "Rocking All The Way", com suas guitarras cortantes e seu empolgante refrão, é uma aula do mais genuíno rock n’roll. A faixa-título tem um riff tão frenético que é capaz de fazer o mais sonolento defunto levantar do seu túmulo.
De negativo apenas a excessiva cadência de "Money Made" e a fria estrutura bluesística de "Decibel". Essas duas músicas, descartáveis e genéricas, freiam o ímpeto juvenil do álbum e tiram um pouco do seu dinamismo. Poderiam ter sido excluídas da set list final, sem qualquer prejuízo.
Certa vez, em resposta aos que criticam a imutabilidade musical do AC/DC, Angus Young, guitarrista e líder da banda australiana, com o sarcasmo que lhe é característico, declarou: "Temos sido acusados de fazer o mesmo álbum uma dúzia de vezes. Mas isto é uma mentira suja. A verdade é que fizemos o mesmo álbum 14 vezes." Com "Black Ice", Angus e companhia entregam ao mundo o "mesmo" álbum pela décima sexta vez. Se é para o bem do rock n’ roll, quem se incomoda?
Outras resenhas de Black Ice - AC/DC
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Foo Fighters - "Tenho muito a falar, mas preciso tomar cuidado", diz Josh Freese
Quem é Berzan Önen, o novo vocalista turco e fortão do Nevermore
O melhor álbum solo de cada membro do Guns N' Roses, segundo o Loudwire
A música do Queen que Brian May diz resumir o que a banda era "de verdade"
A surpreendente melhor faixa de "Somewhere in Time", segundo o Heavy Consequence
Jeff Loomis conta como honrará o legado de Warrel Dane na nova formação do Nevermore
A banda sem frescura que tinha os melhores músicos do rock, segundo Joe Perry
Vocal do Lamb of God diz que antigo logo da banda parecia cardápio de restaurante
Nevermore divulga documentário que mostra performance da nova formação
Left To Die retornará ao Brasil em setembro tocando clássicos do Death
As 5 bandas de rock progressivo mais estranhas de todos os tempos, segundo a Loudwire
Foo Fighters disponibiliza preview de 11 novas faixas em site oficial
A maior banda de rock de todos os tempos, segundo Mick Fleetwood
A música do Metallica que deveria ter solo do Kirk, mas ele não apareceu e Cliff resolveu



O gênero do rock que inovou e fez sucesso, mas Angus Young nunca engoliu
As 20 melhores músicas dos anos 2020, de acordo com o Ultimate Classic Rock
O disco do AC/DC que transformou a vida do "perdido" Dave Mustaine
O guitarrista que Angus Young acha superestimado; "nunca entendi a babação"
A banda que Bon Scott viu ao vivo e ficou em choque; "parecia o Little Richard no palco"
Cinco álbuns que foram achincalhados quando saíram, e que se tornaram clássicos do rock
O disco que "furou a bolha" do heavy metal e vendeu dezenas de milhões de cópias


