A banda de classic rock que Angus Young achou um tédio ao vivo; "uma piada"
Por Bruce William
Postado em 28 de novembro de 2025
Quando fala de rock and roll, Angus Young costuma apontar sempre para o mesmo lugar: a velha guarda. Em entrevista à revista Classic Rock, ele citou Elvis, Chuck Berry, Little Richard, Jerry Lee Lewis e até discos de swing e Louis Armstrong como referência, dizendo que, ao comparar essas gravações com muita coisa moderna, tudo o resto parece "pobre" em comparação. A impressão é clara: para ele, o rock perdeu impacto quando deixou de soar simples, barulhento e feito para chacoalhar a sala.
Na mesma conversa, Angus reclamou da tal "evolução" do gênero. Segundo ele, o ponto de virada veio no fim dos anos 1960: "Eles devem ter progredido pelo caminho errado. Vou te dizer quando deixou de ser bom - quando os Rolling Stones lançaram 'Jumpin' Jack Flash' e 'Street Fightin' Man'. Depois disso, não aconteceu mais nada." A frase resume bem o tipo de purismo que ele defende: depois daquele período, muita banda começou a esticar músicas, sofisticar arranjos e buscar caminhos que, aos ouvidos dele, tiravam o peso do rock.

Esse incômodo não ficou só no campo abstrato. Em outra ocasião, Angus usou esse mesmo raciocínio para atacar diretamente uma das bandas mais celebradas do classic rock. Ele contou que foi assistir a um show do grupo nos anos 1970 e saiu com a sensação de que aquilo ia exatamente na contramão do que esperava de um grande espetáculo de rock. Não se tratava de som ruim ou de incompetência técnica - a crítica era ao jeito como o show era pensado.
Falando mais tarde sobre essa apresentação, ele não economizou críticas, relembra a Far Out: "Eu vi essa banda ao vivo. Eles ficaram no palco por três horas. Por duas horas e meia, entediaram o público. Aí, no final, eles mandam uns velhos rock and roll pra fazer a plateia se mexer. Isso é uma piada. Eles supostamente são a banda de rock and roll mais excitante do mundo." A "banda" em questão era o Led Zeppelin, justamente um dos nomes mais influentes do hard rock, que lotava arenas com shows longos, cheios de improvisos e partes estendidas.
Angus não parou por aí. Na mesma leva de declarações, ele emendou outra paulada: "Led Zeppelin e esses todos foram apenas pobres imitadores do The Who e bandas desse tipo. Foi aí que, na minha opinião, tudo parou. O resto eu nem chamaria de progressivo." Ou seja, além de achar o show arrastado, ele também via o Zeppelin como um reflexo diluído de algo que já tinha sido feito antes por outros grupos britânicos e, na visão dele, de forma mais convincente.
O curioso é que, mesmo com esse discurso duro, Angus Young nunca negou a influência de Jimmy Page na formação do próprio estilo. Em outras entrevistas, aponta a Rock And Roll Garage, ele reconheceu que ouviu o trabalho do guitarrista desde a fase dos Yardbirds e que prestava atenção nos timbres e na pegada de vários discos do Zeppelin. A diferença é que, enquanto uma parte da geração se encantava com solos longos, suítes e experimentações ao vivo, o guitarrista do AC/DC preferiu ficar com os riffs curtos, os refrães diretos e os shows sem muita enrolação.
Décadas depois, as opiniões continuam divididas. Para muitos fãs, as apresentações gigantes do Led Zeppelin, cheias de improvisos e viagens instrumentais, são justamente o que torna a banda especial. Para Angus Young, a conta é outra: se o público passa duas horas e meia se arrastando para só acordar quando entra um velho rock and roll no final, alguma coisa saiu do trilho. No meio dessa discussão, uma coisa é difícil negar: mesmo chamando o Zeppelin de "um tédio" ao vivo, ele ajudou a provar, com o AC/DC, que ainda havia espaço para um tipo de rock que não queria "progredir", só fazer barulho do jeito mais simples possível.
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