Debate: "Highway to Hell" ou "Back in Black" - qual é o melhor álbum do AC/DC?
Por Gustavo Maiato
Postado em 30 de novembro de 2025
Comparar "Highway to Hell" e "Back in Black" sempre divide opiniões entre fãs e críticos. Para Paul Brannigan, da Loudersound, essa disputa envolve mais que preferências estéticas: "São dois álbuns que carregam pesos completamente diferentes", observa o jornalista. "Um é o fechamento definitivo de uma era; o outro, o maior renascimento da história do rock."

"Highway to Hell" nasceu em meio a expectativas sufocantes. A Atlantic queria um hit imediato a ponto de sugerir que o AC/DC gravasse "Gimme Some Lovin'". Brannigan lembra que o clima interno também estava tenso: "Malcolm Young sabia que o próximo passo tinha que ser decisivo", disse. Foi ele quem demitiu o produtor Eddie Kramer e trouxe Robert "Mutt" Lange, impondo um regime de trabalho rígido no estúdio. O resultado - polido, energético e direto - foi o primeiro álbum milionário do grupo nos Estados Unidos.
Highway Star ou Back in Black?
Segundo Brannigan, Lange conseguiu traduzir o espírito do AC/DC sem domesticá-lo: "É impressionante como um disco tão disciplinado soa tão espontâneo. Esse era o gênio de Mutt Lange." O álbum tornou-se um clássico imediato. E, tragicamente, o último registro de Bon Scott.
A morte do vocalista poderia ter encerrado a trajetória da banda, mas o que veio depois virou lenda. "O que eles fizeram com Back in Black não tem paralelo no rock", afirma Brannigan. A contratação de Brian Johnson foi o ponto de virada. Sua voz crua e personalidade sem firulas encaixaram-se no clima de reinvenção - e novamente Lange guiou o processo com precisão cirúrgica.
"Back in Black" não apenas rendeu uma série de hinos imortais - "Hells Bells", "Shoot to Thrill", "You Shook Me All Night Long", "Rock and Roll Ain't Noise Pollution", a faixa-título - como também elevou o AC/DC ao patamar de fenômeno global. Para Brannigan, "cada faixa soa como se tivesse sido escrita para durar para sempre". Ele também destaca como até os "supostos preenchimentos", como Have a Drink on Me, superam as melhores músicas da maior parte das bandas da época.
A comparação entre os discos é praticamente inevitável, mas Brannigan vê grandeza em ambos os lados. "Highway to Hell é a versão definitiva de Bon Scott: espirituoso, mordaz, irresistível. Já Back in Black captura uma banda que se recusa a cair - e que transforma luto em energia pura." Para ele, escolher entre os dois é mais uma questão emocional que técnica: "O primeiro prova que o AC/DC sabia exatamente quem era. O segundo prova que nada poderia detê-los."
No fim, a resposta pode nunca ser unânime - e talvez nem precise ser. O que esses discos carregam é a certeza de que, em momentos radicalmente distintos, o AC/DC operou em seu auge. "Não existe certo ou errado nessa disputa", conclui Brannigan. "Existem apenas duas obras-primas absolutas."
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