O álbum do AC/DC que é o favorito de Angus Young, guitarrista da banda
Por Bruce William
Postado em 30 de novembro de 2025
Quando o AC/DC apareceu na década de 1970, ainda em meio ao domínio do soft rock nas paradas, a banda parecia quase um corpo estranho. Em vez de arranjos comportados, vinha um rock calcado no boogie, com letras carregadas de malícia e um volume que deixava claro que a ideia era mais barulho do que delicadeza. Angus Young lembra que nada disso aconteceu da noite pro dia: "Nós conquistamos nosso espaço apenas tocando muitos shows ao vivo e ficando conhecidos e vendendo discos através do boca a boca no começo. Foi basicamente aí que fizemos a conexão. Sempre sentimos que tínhamos uma base de fãs boa e sólida e que eles sempre ficaram com a gente. E fomos construindo isso ao longo dos anos. Nunca fomos realmente uma banda que sentiu que precisava se encaixar em alguma tendência".

É justamente nesse contexto que nasce o disco que Angus coloca acima de todos os outros da própria banda: o álbum de 1977 "Let There Be Rock". Em entrevista ao Orange County Register, ele contou que a escolha não é por acaso. "Quando fizemos esse álbum, foi uma decisão consciente da nossa parte de, deliberadamente, fazer um álbum cheio de guitarra pesada e muita guitarra", explicou. Naquela época, muita gente já falava em ajustar o som para acompanhar o que tocava nas rádios, mas o AC/DC resolveu ir na direção oposta. "De novo, fomos contra a tendência na época. Ficou muito bom e foi o tipo de álbum que, eu acho, nos definiu como banda", resumiu.
Anos depois, em conversa com a rádio suíça SRF 3, Angus foi além e disse que esse seria o disco que mostraria a alguém que nunca ouviu o AC/DC. Segundo ele, não houve nada de acidental no resultado. "'Let There Be Rock' pra mim é o álbum. E a razão que me faz adorar este disco é por ter sido meu irmão, George, que estava na produção, quando ele disse para nós logo que começamos a gravar, ele se reuniu comigo e com Malcolm e perguntou: 'Que tipo de álbum vocês querem fazer dessa vez?'". A resposta veio de Malcolm Young: "'Nós queremos apenas um álbum com guitarras de puro hard rock'".
Angus lembra que aquela frase fez todo sentido justamente porque o cenário musical estava mudando rápido. "Achei aquilo fantástico, pois todo mundo na época estava indo em direção a outros gêneros - havia o movimento punk, a new wave e todas aquelas outras coisas que estavam surgindo - e eu pensei: 'Isto é pura magia'", contou. Em vez de tentar acompanhar a moda, a banda decidiu dobrar a aposta no que já fazia: volume alto, riffs diretos e nenhum enfeite desnecessário. "E esse álbum define o AC/DC para mim, foi quando eu concluí: 'Esta é uma grande banda'", completou Angus.
Falando sobre o som do grupo nesse período, o guitarrista faz questão de destacar o papel do irmão Malcolm, que segurava a base enquanto ele disparava os solos que todo mundo reconhece. "O que Malcolm deu para a banda é o que Keith Richards faria pelos Stones, Pete Townshend também é um ótimo exemplo. Eles têm um motor muito bom, forte, pulsando com força. É uma ciência de se observar... e Malcolm era um deles", disse Angus, deixando claro que, por trás do caos controlado de "Let There Be Rock", havia uma arquitetura rítmica pensada para manter tudo no lugar.
O disco favorito de Angus Young não é só uma lembrança afetiva ou um ponto isolado da discografia. É o momento em que o AC/DC decidiu ignorar o que estava "na moda", colocou a guitarra ainda mais na frente de tudo e, na visão do próprio guitarrista, encontrou a forma que realmente representava a banda. Para ele, se alguém quiser entender do que se trata o grupo, é ali que a história está registrada.
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