Finntroll: longe das origens mas ainda folk

Resenha - Ur Jordens Djup - Finntroll

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Por Ben Ami Scopinho
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Foram três longos anos e alguns tradicionais problemas que parecem perseguir os finlandeses, mas o Finntroll novamente passa por cima de tudo e retorna com o aguardado sucessor da pequena obra-prima "Nattfödd". Tapio Wilska foi um vocalista que se mostrou perfeito para a proposta do grupo, e é uma pena que tenha sido demitido, mas a vida continua e para ocupar seu posto temos agora Mathias Lillmåns, que se mostra um rosnador digno do ‘black-folk-movido-à-humppa-metal’ inconfundível e que virou lenda no underground mundial.

"Ur Jordens Djup" (em português: "das profundezas da terra"), como é de praxe, soa diferente de seus registros anteriores. O Finntroll está, digamos, um pouco mais sério. Os elementos como vocais brutais cantados em sueco, guitarras elevadas à enésima potência, os refrões típicos de bêbados contumazes, etc, continuam presentes. Mas aquela faceta bem-humorada e teatral gerada pela humppa e que dá um toque tão distinto em sua musicalidade ficou em segundo plano. Ou seja, é o Finntroll, mas não tão "troll" assim.

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Como conseqüência, o conjunto soa ainda mais pesado. A própria imagem da capa do álbum é um verdadeiro reflexo das canções como um todo, que estão mais obscuras, dramáticas e até mesmo mais lentas. Em "Nattfödd" os teclados apresentavam mais orquestrações que os registros anteriores, característica em que Trollhorn agora investe ainda mais, algumas vezes evocando diretamente às trilhas sonoras épicas, como em "Gryning" e na espetacular "Nedgång".

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Enquanto "Korpens Saga" permanece fiel ao Finntroll clássico e hiperativo, ou "Ur Djupet" traz beleza e aspereza entre violões e cornetas mesclados às guitarras, a insanidade criativa atinge seu ponto mais alto em "En Mäktig Här", quando influências de sonoridades tropicais (?!) são incorporadas ao Heavy Metal com tal contraste que resulta no melhor momento do disco.

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Para quem acompanha o Finntroll desde seus primórdios e conhece a ousadia de "Visor Om Slutet", o EP de 2003 que provavelmente traz as canções acústicas mais lunáticas dos últimos anos, talvez tenha um pouco mais de facilidade para aceitar o desenvolvimento que resultou em algo tão metálico como "Ur Jordens Djup". O direcionamento pode até ser inesperado pelo fato do grupo se afastar um pouco de suas origens, mas é inegável que este é um ótimo disco de Folk Metal.

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Formação:
Mathias ‘Vreth’ Lillmåns - Voz
Mikael ‘Routa’ Karlbom - Guitarra
Samuli ‘Skrymer’ Ponsimaa - Guitarra
Sami ‘Tundra’ Uusitalo - Baixo
Henri ‘Trollhorn’ Sorvali - Teclados
Samu ‘Beast Dominator’ Ruotsalainen - Bateria

Finntroll - Ur Jordens Djup
(2007 - Spinefarm Records - importado)

01. Gryning
02. Sång
03. Korpens Saga
04. Nedgång
05. Ur Djupet
06. Slagbröder
07. En Mäktig Här
08. Ormhäxan
09. Maktens Spira
10. Under Två Runor
11. Kvällning

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Homepage: www.finntroll.net




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Sobre Ben Ami Scopinho

Ben Ami é paulistano, porém reside em Florianópolis (SC) desde o início dos anos 1990, onde passou a trabalhar como técnico gráfico e ilustrador. Desde a década anterior, adolescente ainda, já vinha acompanhando o desenvolvimento do Heavy Metal e Hard Rock, e sua paixão pelos discos permitiu que passasse a colaborar com o Whiplash! a partir de 2004 com resenhas, entrevistas e na coluna "Hard Rock - Aqueles que ficaram para trás".

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