Resenha - Mutantes - Mutantes

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Por Cleyton Lutz
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Nota: 9

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Em 1967, três discos históricos foram lançados, constituindo a base do que viria a ser conhecido como “rock psicodélico”: “Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band” dos Beatles, “The Piper at The Gates of Dawn” do Pink Floyd e “Their Satanic Majesties Request” dos Rolling Stones. Um ano mais tarde saía “Os Mutantes”, resposta verde-amarela ao que acontecia lá fora, principalmente na Inglaterra. É claro que o Mutantes sofreram influência do rock psicodélico inglês. Mas a capacidade de aliar o rock lisérgico a um som com fortes influências nacionais fez com que a banda se tornasse o fenômeno que é hoje, admirada inclusive por músicos como David Byrne, Beck e Kurt Cobain.
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O primeiro álbum da banda – reeditado em CD pela primeira vez em 1992 e que recebeu uma versão remasterizada ano passado – inicia com a clássica e apoteótica ‘Panis et circenses’, a ‘Sgt Pepper’s’ do disco. Quando começam a ecoar os primeiros de ‘A Minha Menina’, segunda música do álbum, é que se percebe a dimensão do som dos Mutantes. A guitarra ácida da faixa vai se diluindo, e se combinando, com sons provenientes de instrumentos de percussão, típicos da música brasileira. A mesma “pegada tribal” se estende ainda a "Adeus, Maria Fulô" e "Bat Macumba", outro clássico da banda, e "Le Premier Bonheur du Jour", que também flerta com a música francesa.

Outra influência nacional é a jovem-guarda. Em "Baby" e "Ave Gengis Khan", faixa que encerra o álbum, fica clara a relação com o pop rock praticado no Brasil da década de 1960, principalmente através da harmonia das músicas. Destacam-se ainda a descontínua "O Relógio", que combina tranqüilidade e caos, e "Senhor F", que poderia fazer parte da trilha sonora de qualquer desenho infantil, algo do qual Syd Barret e o Pink Floyd chegaram muito próximo com “The Piper at The Gates”.

Com relação às letras, uma temática começa a se desenvolver, ainda que de maneira tímida. O principal destaque vai para "Relógio" e "Tempo no Tempo" – versão da banda para uma música de J. Philips – que falam sobre o tempo, sempre com um bom humor inconfundível. “Já houve um tempo em que o tempo parou de passar/ E um tal de homo sapiens não soube disso aproveitar/ Chorando, sorrindo, falando em calar/ Pensando em pensar quando o tempo parar de passar” (Tempo no Tempo). Ou: “Eu dei corda e pensei/ Que o relógio iría viver/ Pra dizer a hora de você chegar” (O Relógio).

“Os Mutantes” (1968) mostra o nascimento da banda mais criativa da história do rock nacional. Só por isso já valeria ser escutado. Mas existem outros atrativos. A maturidade no som da banda, às vezes dá a impressão de que o som dos Mutantes nasceu pronto. Algo impressionante. Resumindo: indicado para quem pretende conhecer um pouco da história da banda na “Era Rita Lee”, a mais criativa, recheada de ironia e bom-humor e que viria a se desenvolver por mais quatro discos. E indicado, também, para aqueles que pensam que no Brasil apenas se copiam padrões importados.

“Os Mutantes”, lançado originalmente pela gravadora Polydor, em 1968:

1 - Panis et Circenses
2 - A Minha Menina
3 - O Relógio
4 - Adeus, Maria Fulô
5 - Baby
6 - Senhor F
7 - Bat Macumba
8 - Le Premier Bonheur du Jour
9 - Trem Fantasma
10 - Tempo no Tempo
11 - Ave Gengis Khan

Os Mutantes:
Arnaldo Baptista, Sérgio Dias e Rita Lee
Produção: Manoel Barenbein
Participações: Rogério Duprat
(arranjos); Jorge Ben (voz e violão) e Dirceu (Bateria)

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Sobre Cleyton Lutz

Estudante de Jornalismo, mora em Guarapuava, PR. Adora escrever sobre futebol e rock 'n' roll. Sobre música, adora o Hardão Setentista (Grand Funk, Uriah Heep, Deep Purple, Led Zeppelin) e o progressivo (Yes, Jethro Tull, Focus). Para música acha que nasceu pelo menos uns 30 anos atrasado. Das bandas atuais gosta de White Stripes, Wolfmother e Hellacopters. Mas sua paixão é o som trascendental do Pink Floyd. Os seus grandes sonhos são ver ao vivo uma reunião dos quatro novamente, como ocorreu no Live 8, além de comprar uma moto com a primeiro dinheiro que ganhar com o jornalismo.

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